Os alunos do Clube Europeu da EBI de Água de Pau juntaram-se no auditório da escola para dar a conhecer as actividades que vão desenvolver durante este ano lectivo no âmbito do tema das alterações climáticas. O tema deste ano foi lançado pelo Ministério da Educação à Rede Nacional de Clubes Europeus, para servir de base à planificação dos vários clubes nacionais. Intitulada “as alterações climáticas – um desafio para a Europa”, esta sessão contou com a presença de alunos de vários graus de ensino, mas também com a presença da Directora Regional dos Assuntos Europeus, Célia Azevedo, e do Director do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nos Açores, Carlos Ramalho.
De acordo com o Coordenador do Clube Europeu, José Carlos Pereira, os cerca de 30 alunos que integram o Clube vão escrever durante o ano um Manifesto para o Clima 2020, que será depois apresentado a 9 de Maio numa manifestação por Água de Pau e depois entregue, possivelmente, nas Nações Unidas, em Genebra na Suíça, no âmbito das actividades do Clube Europeu. “Vamos fazer uma marcha que vai sair da escola e finalizar no centro de Água de Pau onde vamos ter um grupo de alunos, que vamos designar de Activistas pelo Clima, que vão de megafone dizer o que pensam sobre o tema”, explica.
Para dar corpo a este Manifesto os alunos vão realizar várias actividades, que depois darão lugar a um parágrafo do texto final. “Agora apresentamos o primeiro parágrafo que é definir alterações climáticas, as suas causas e consequências”, explica José Carlos Pereira que acrescenta que este primeiro parágrafo foi o resultado do concurso “Eu sei tudo sobre as alterações climáticas”, cujos vencedores foram os alunos Matilde Fumo, Manuel Oliveira, Laura Domingues e Maria Antónia Torres.
Ainda no âmbito destas actividades, vai ser estabelecida uma parceria com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) onde em Abril os alunos do 4º ano do Clube Europeu vão visitar as instalações e ver como trabalham os meteorologistas.
Há ainda uma outra fase deste projecto, explica José Carlos Pereira, que tem a ver com o envolvimento dos jovens e tentar fazer com que eles desenvolvam actividades no sentido de perceber “o que posso fazer para que isso [as alterações climáticas] não aconteça”.
Açores não podem esquecer
as suas especificidades
Foi exactamente neste ponto que a Directora Regional dos Assuntos Europeus, Célia Azevedo, fez questão de se focar ao referir que as alterações climáticas “não são um desafio para a Europa nem para o mundo, mas são um desafio para todos nós”.
Célia Azevedo explicou que depois de percebermos o que são as alterações climática e os seus efeitos, há que perceber “o papel que cada indivíduo pode fazer” para as minimizar, apelando a que “cada um de nós” possa tomar “pequenas decisões” no seu dia-a-dia para ajudar neste combate mundial.
Mas a Directora Regional dos Assuntos Europeus disse também que os Açores, apesar de estarem à frente de outras regiões e países no que diz respeito à minimização das alterações climáticas, por exemplo com a concretização de um Plano Regional para as Alterações Climáticas ou sendo pioneiros na utilização de energias renováveis e na certificação do arquipélago como Destino de Turismo Sustentável, não podem esquecer as suas especificidades. Ou seja, “há coisas que não conseguimos deixar de fazer. Queremos cumprir os nossos objectivos mas temos de garantir as nossas especificidades. Podemos intervir no consumo de plásticos e nos resíduos, mas não podemos cair no extremo de não usarmos o avião”, explicou.
Célia Azevedo acrescentou que a nível político “têm de existir medidas estruturais” para garantir que são minimizadas as alterações climáticas na Região mas “temos de garantir que mantemos a sustentabilidade económica e social. Não podemos deixar de ter vacas na Região nem agricultura, mas temos de perceber como fazer para ter essa produção e essa agricultura de forma mais sustentável”.
Depois, voltando a frisar que o desafio é de todos, instigou os mais novos a começar a casa a “dizer aos pais” que devem fazer a separação de resíduos e apostar na reciclagem. “Pequenas medidas” que no conjunto podem ajudar a mitigar as consequências das alterações climáticas.
Carlos Ramalho: “É a nível global que têm de ser tomadas decisões”
Em que medida o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) vai colaborar com os alunos do Clube Europeu da EBI de Água de Pau?
Carlos Ramalho (Director do IPMA Açores): Os alunos irão visitar as instalações do IPMA em Ponta Delgada. Durante esta visita irão ter acesso às estações meteorológicas, ver como é feita a observação meteorológica, e ver como é feita a previsão meteorológica no local onde o trabalho é realmente efectuado.
Que importância tem transmitir aos mais novos todo este trabalho que desenvolvem?
É a importância que diz respeito à educação para este tema. Faz parte de um desafio que toda a Humanidade está a atravessar e os mais novos têm de começar desde cedo a perceber as consequências, como os estudos são feitos, para poderem interpretar bem aquilo que é dito, toda a mensagem que se tenta passar por parte da comunidade científica.
Quer dizer que essa mensagem não está a ser bem interpretada?
Falo de uma forma geral. Palavras técnicas são muito difíceis, por vezes, de entender. Não é culpa de uma das partes, é por serem assuntos muito técnicos e é difícil passar a mensagem por parte de quem a quer transmitir, e da parte de quem a está a receber, também é difícil perceber. Tem simplesmente a ver com isso.
Os mais jovens têm-se envolvido muito nas questões das alterações climáticas, até pelo fenómeno Greta Thunberg. É importante que as gerações mais novas se preocupem com esta questão?
Este é um problema que é global. Na atmosfera não existem fronteiras. Podem existir fronteiras terrestres, entre os diversos países, mas na atmosfera não. O que acontece na América terá efeitos na Europa e o que é feito na Europa tem efeito na China e por aí. Estamos todos interligados. Por isso é a nível global que têm de ser tomadas decisões e os mais novos irão sentir estes efeitos mais do que os mais velhos, porque estes efeitos tendem a ser mais gravosos no futuro.
São os mais novos que têm de tomar as rédeas deste assunto?
Nós temos de começar todos juntos. Até porque já estamos a sentir os efeitos das alterações climáticas. Claro que no futuro irão sentir-se de forma mais gravosa.