“A crise ainda não passou nos Açores”, diz Joaquim Machado, Presidente dos Trabalhadores Social Democratas

Joaquim Machado frisa que a propaganda elaborada pelo Governo “é uma mentira” e que “recorre a todo o expediente para convencer” a população açoriana “de que a realidade é diferente daquela que efectivamente” em que vivem. Na sua óptica, para os Trabalhadores Social Democratas, Sérgio Ávila, Vice-presidente do Governo, “seria mais útil se dedicasse o tempo” a resolver as dívidas das empresas públicas regionais, como o caso da SATA e dos hospitais. No entanto, a maior preocupação para o Governo, é dedicar-se a acções de propaganda “que em nada alteram a realidade e a qualidade de vida dos açorianos”, acrescenta Joaquim Machado.
Refere ainda que o número de desempregados inscritos nos centros de empregos e a taxa de desemprego não devem ser confundidos. “O último desemprego apurado pelo Instituto Nacional de Estatística revelou que os Açores têm a taxa mais alta do país e que há oito trimestres consecutivos” se encontra “acima da média do desemprego registado em Portugal”, ou seja, nos últimos dois anos. 

Denúncia dos dados contraditórios 

Numa apresentação sobre o balanço do mercado de emprego na Região, realizada na passada terça feira, em Angra do Heroísmo, Sérgio Ávila afirmou que o arquipélago dos Açores tem o desemprego mais baixo dos últimos 9 anos, uma situação que os TSD afirmam ser contraditória face aos valores apresentados. Em 2010, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego dos Açores rondava os 6.000, tendo aumentado para mais de 7.200 desde então até ao ano passado. “Ou seja, estamos 20% acima do que se verificava há nove anos. Forçosamente, temos de concluir que a crise ainda não passou nos Açores”, acrescenta Joaquim Machado.
Realçou o facto de que comparativamente ao ano de 2010, o número de trabalhadores em programas ocupacionais aumentou três vezes mais, estando em “situação precária e sem qualquer vínculo laboral”. Em 2010, o número de desempregados inscritos e ocupados era cerca de 1.400, tendo crescido para mais de 3.800, um crescimento de quase 52%. Joaquim Machado faz referência então à incapacidade do governo em resolver o problema do desemprego que se assiste na região. “O Governo Regional devia igualmente dizer que um em cada três açorianos inscritos nos centros de emprego está nessa situação há mais de um ano e que 40% dos desempregados têm idade igual ou inferior a 35 anos”, portanto jovens numa condição de desemprego de longa duração. 
Com base nos dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, os TSD disponibilizaram os números de desempregados inscritos e os ocupados nos anos 2010 e 2019. “A realidade é muito diferente daquela que o vice-presidente do governo regional transmitiu. Quando analisamos o número de desempregados inscritos, verificamos que ainda não resolvemos a crise nos Açores. O país tem neste momento menos 39% de inscritos nos centros de emprego e nos Açores ocorreu o inverso. Temos que concluir que há aqui um problema que é a governação socialista de Vasco Cordeiro e de Sérgio Ávila”, afirmou o Presidente da estrutura.
“O Vice-presidente fez várias habilidades políticas começando por não dizer toda a verdade quando ele diz que registamos o melhor dado nos últimos 9 anos. Mas não diz que em 2010, havia menos inscritos nos centros de emprego do que existem hoje nos Açores. Não diz que havia menos ocupados e actualmente são 4.000, um número que triplicou. E que num conjunto em que havia 7.400 pessoas sem emprego registadas, actualmente temos 11.000. Nem diz que o país já diminuiu nestes 9 anos em quase 40%. Quando ele disser isto tudo, naturalmente que nós reconhecemos que ele diz a verdade toda. As meias palavras são uma forma de propaganda. Há mais uma coincidência e eu não quero acreditar que seja coincidência.”
Para Joaquim Machado, o anúncio feito por Sérgio Ávila teve como objectivo “desviar” as atenções das entrevistas que o novo Presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro deu a vários órgãos de comunicação social durante a semana. “Aliás, como o Partido Socialista também fez durante o fim de semana, uma homenagem aos autarcas exactamente para concorrer em termos de presença mediática, com o congresso do PSD. As habilidades ou a motivação do Vice-presidente é confundir os açorianos, por ventura, com receio dos dados que vão aparecer no dia 5 de Fevereiro. Mesmo que o desemprego volte a descer nos Açores, ele está longe de alcançar a descida de que já se verificou a nível nacional. Há 8 trimestres consecutivos que os Açores estão acima da média nacional e nos 2 últimos trimestres apurados, de Junho e de Setembro de 2019, os Açores foram a pior região do país em termos de desemprego. Infelizmente, nas coisas que não são boas, nós somos os primeiros. Nas coisas boas, estamos sempre na cauda”, explicou Joaquim Machado. 
“Não existe liberdade empresarial nos Açores, havendo uma interferência da tutela e da concorrência que lhe é feita pelas entidades públicas, nomeadamente pelo Governo Regional”, algo que para os Trabalhadores Social Democratas devia ser revisto. 
Fez também alusão à função pública visto que muitos açorianos sem emprego estão sucessivamente em programas ocupacionais e assim não conseguem estruturar a sua vida, os seus compromissos pessoais e familiares devido à precariedade. “A Região, enquanto entidade pública, podia enquadrar os açorianos através dos programas e das iniciativas legislativas que decorrem de medidas nacionais. Mas quando a própria região dá sinais ao empresariado de fomentar a precariedade, e já não falo só dos professores, mas também dos auxiliares de acção educativa, entre outros, de forma precária integrados nesses programas, dá 1 sinal aos empresários para eles também continuarem com precários. E depois ainda há aqueles que estão a tempo inteiro, mas que tem outro problema: o grande número de trabalhadores a receber salário mínimo.”
Acabar com a precariedade é uma das medidas pois a Região podia e devia fazer melhor”. 
Joaquim Machado criticou ainda o modo como são efectuadas as integrações nos quadros devido aos “critérios duvidosos que o Partido Socialista” utiliza.

Rita Frias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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