Mais recursos humanos e mais viaturas entre as necessidades da equipa de Cuidados Domiciliários de Ponta Delgada e Lagoa

De forma a dar visibilidade ao serviço de Cuidados Domiciliários dos concelhos de Ponta Delgada e Lagoa, a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel organizou, durante o dia de ontem, o Primeiro Encontro de Equipas de Saúde dos Cuidados Domiciliários, tendo também como objectivo a partilha de experiências entre os diversos serviços disponíveis pelo país e, ainda, divulgar as boas práticas no que aos cuidados domiciliários diz respeito.
De acordo com a enfermeira chefe da Unidade da Equipa de Apoio Integrado Domiciliária, a maioria das pessoas desconhece que pode, ao residir nos concelhos de Ponta Delgada ou de Lagoa, ter acesso a este acompanhamento diário que, segundo a própria, surgiu de forma “a dar visibilidade não só aos cuidados domiciliários como a todo o acompanhamento e a toda a integração destes doentes na comunidade”.
Conforme explicou Zélia Martins, entre os dois concelhos da ilha de São Miguel – não se excluindo a possibilidade de alastrar os cuidados em causa a outros municípios –, existem 21 enfermeiros responsáveis por levar a cabo estes cuidados ao domicílio, que abrangem de momento entre 280 e 300 doentes.
No entanto, naquela que é a resposta que dão, 21 enfermeiros “não é, por vezes suficiente”, salienta a enfermeira chefe e coordenadora do encontro, referindo que “muitas vezes” é necessário “recorrer a horas extraordinárias” para que “ninguém fique sem tratamento”, adianta.
Para dar a resposta adequada, a equipa inclui um médico assistente, uma assistente social e muitos enfermeiros especialistas, contando ainda com um assistente operacional, uma assistente técnica e também uma nutricionista e uma psicóloga que, sempre que necessário, são solicitadas a intervir.
Para além disto, a equipa poderia beneficiar ainda de mais viaturas, de modo a que seja possível expandir o programa de cuidados a mais municípios, adiantando Zélia Martins que também o concelho da Ribeira Grande já terá pedido a colaboração da equipa da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, algo que pode ser feito através da formação de novos enfermeiros para que consigam seguir e uniformizar práticas.
A par de mais recursos humanos e viaturas, evitando assim a sobrecarga dos enfermeiros envolvidos – como seria ideal –, a enfermeira chefe adianta ainda que para o bom desempenho desta unidade de cuidados domiciliários seria importante existir também “uma maior articulação com a medicina interna do Hospital do Divino Espírito Santo”, algo que, apesar de ser discutido com relativa abertura, dependerá “das direcções dar o devido encaminhamento a um projecto que penso ter futuro”.
Com esta maior articulação com os hospitais regionais, seria possível aproximar o modelo de cuidados existente a um modelo de “Gestão de Caso”, utilizado já em algumas regiões do território continental, como no litoral alentejano.
“O que fazemos é ao nível do centro de saúde, com cuidados de saúde a nível primário. A Gestão de Caso implica uma articulação maior com o hospital e isso seria muito importante e benéfico para toda a população porque aquilo que queremos evitar é que as pessoas recorram ao Serviço de Urgência e serem, muitas vezes, internadas, o que tem tanto um custo para o país como para o mal-estar das pessoas”, explica Zélia Martins.
Em suma, o doente poderá ser referenciado tanto a partir de casa, do hospital ou das unidades de saúde, levando a uma avaliação posterior e, caso se justifique, serão feitos a partir daí os tratamentos necessários, envolvendo a família e procurando também prestar cuidados a nível social e a nível psicológico, caso se justifique, explica a coordenadora do encontro e enfermeira.
Este é, portanto, um serviço multidisciplinar que pode ser necessário tanto “num pequeno momento da vida do doente como pode ser utilizado o resto da sua vida”, mesmo que num “nível mais preventivo”, refere.

“Os recursos humanos são
um processo evolutivo”

Também o Director Regional da Saúde, Tiago Lopes, participou deste primeiro encontro, afirmando que, em relação à questão colocada frequentemente e que diz respeito aos recursos humanos existentes, estes são “um processo evolutivo”.
Assim, destacando os progressos feitos nos 40 anos de existência do Serviço Regional de Saúde, nomeadamente a criação de novas redes como a que diz respeito aos cuidados domiciliários, Tiago Lopes relembrou que “os recursos financeiros são finitos dentro do planeamento” realizado, dando como exemplo as contratações de enfermeiros que têm ocorrido na Região.
“Temos feito estimativas desde o início do ano de 2019 para a contratação de enfermeiros e assistentes operacionais para este ano. Dentro dos cálculos que fizemos, efectivamente não foi possível, por via do cabimento orçamental, ter os 40 enfermeiros com que queríamos avançar. Foram contratados 20”, refere.
Por esse motivo, afirma que os recursos humanos “têm que ser um processo evolutivo” para que seja possível “dotar todas as unidades de saúde da Região com os recursos necessários”.
                              

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Autor: CA

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