Trabalhadores precários das escolas de São Miguel foram pedir ao Presidente do Governo a integração nos quadros

Cerca de uma centena de auxiliares de educação, bolseiros ocupacionais e auxiliares administrativos de dezenas de escolas de São Miguel realizaram ontem à tarde uma manifestação em frente ao Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, em defesa da sua integração nos quadros das escolas.
“Se são bons têm de ficar”, foi o lema da manifestação até porque várias escolas já perderam bons profissionais na área de auxiliares de educação e administrativos devido à situação de trabalho precário em que se encontram, pois passam de programa em programa de emprego e nunca entram no quadro dos estabelecimentos de ensino.
Uma das manifestantes era Carla Alberto, da Escola Básica e Integrada Rui Galvão de Carvalho, em Rabo de Peixe. Explicou ao Correio dos Açores que estava a manifestar-se porque já está há uma dezena de anos a passar de programa para programa e nunca lhe deram a hipótese de se fixar numa escola.
No caso da escola Básica e Integrada Galvão de Carvalho estão 15 auxiliares de educação e administrativos em situação de trabalho precário e a Carla Alberto cessa o seu contrato na Segunda-feira, não sabendo qual o seu futuro.
A única certeza que Carla Alberto tem é que, com a sua saída, virá um novo trabalhador para o seu lugar ao abrigo de um programa novo de emprego.
Um grupo de auxiliares da Escola Secundária Domingos Rebelo esteve no quadro do estabelecimento de ensino e participaram na manifestação em solidariedade para com os seus colegas.
Outro exemplo é o de Susana Carvalho que tem 48 anos, e há vários anos que anda a saltitar de programa em programa ocupacional. A qualquer altura podem mandá-la para casa. Na sua situação estão centenas de açorianos.
Susana trabalha na escola Básica e Integrada Canto da Maia e foi ouvida por uma jornalista da Antena 1 Açores. Iniciou um projecto de raiz. Com a abertura de concursos a que todos podem concorrer, a sua continuidade está em risco.
Em casa, está o companheiro. O programa ocupacional em que estava noutra escola também acabou.
Os manifestantes estiveram, em frente ao Palácio de Sant’Ana, a recolher assinaturas numa carta que fizeram chegar ao Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro. 
Na carta afirmam que os trabalhadores colocados ao abrigo dos diversos programas ocupacionais “deram um contributo decisivo”, ao longo dos últimos anos, no âmbito do funcionamento das diversas unidades orgânicas do sistema educativo regional.
Consideram que “é um facto que a dotação de assistentes operacionais nas diversas escolas da Região está longe de corresponder às suas verdadeiras necessidades”, facto que “acarreta dificuldades várias a nível de funcionamento e projecta também graves problemas a nível de manutenção da segurança de alunos e das instalações escolares”. 
Lê-se ainda na carta que os trabalhadores colocados ao abrigo dos programas ocupacionais “garantiram” ao longo de anos “o funcionamento do sistema educativo regional. Receberam formação, adquiriram uma vasta experiência em diversas áreas funcionais e desenvolveram um relacionamento muito afectuoso e de confiança mútua com os diversos membros das comunidades educativas, em especial com os alunos. Contribuíram, de forma empenhada, para o sucesso das suas escolas. O seu esforço e dedicação são reconhecidos pela generalidade dos órgãos de gestão das diversas escolas”.
Neste sentido, adiantam, “tendo em conta as necessidades existentes nas diversas unidades orgânicas, a motivação de muitos dos trabalhadores oriundos dos programas ocupacionais que desempenharam funções nas diversas escolas e o potencial que significam para o sistema educativo regional a formação e experiência acumuladas”, os manifestaram propuseram ao Presidente do Governo dos Açores a “criação de mecanismos legais necessários para integrar, na carreira de assistentes operacionais, os trabalhadores colocados nas escolas ao abrigo dos diversos programas ocupacionais”.
 Realce-se o facto de os trabalhadores que estão no programa de emprego PROSA não tiveram autorização das escolas para saírem e participarem na manifestação.
Na manifestação estiveram, em solidariedade com estes trabalhadores, deputados regionais do PPM e do BE. 
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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