Lucy Ethiopia Souviener Shop, de Loja 3 do Edifício SolMar da Avenida

Arte e artesanato da Etiópia é negócio vistoso de Hawi Bulti

A nossa entrevistada está já em São Miguel há cinco anos. Chegou em 2015 com um sobrinho, e no início veio só de visita, com aquela curiosidade de conhecer um local diferente daqueles que estava habituada a explorar. No entanto apaixonou-se pela ilha e pelas suas gentes. “Vim visitar os Açores, depois gostei e por cá fiquei. Deslumbrei-me com a natureza, mas também as pessoas, que são muito simpáticas”.
No entretanto, habituada a desafios, encorajou-se a abrir o seu próprio negócio, surgindo logo a ideia de representar algo que estivesse relacionado com o seu pais, passando deste modo a apresentar coisas diferentes. 
Na loja vende artesanato da Etiópia, nomeadamente muitos trabalhos feitos à mão. Descrever é uma coisa, mas ver «in loco» é outra completamente diferente. Ali, sente-se uma ambiência verdadeiramente africana, onde as cores se misturam com um estético simples, sem grandes complicações.

Em breve vão chegar mais produtos

Brevemente vão chegar mais produtos. “Especiarias, café e chás”, adiantou.
No presente, poderemos encontrar alguns quadros, onde se pode observar o potencial do desenho africano, que é moda, que também pretende abraçar o presente, sem perder de vista o passado. Os ímanes de frigoríficos, por exemplo, custam 3,99 Euros, mas há também malas para os tablets, sapatilhas, t-shirts, bonés, lenços, peças de decoração ou brincos.
Cedo, Hawi Bulti notou as diferenças culturais entre Portugal e a Etiópia, mas é como se costuma dizer: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Por exemplo, na Etiópia fala-se “cerca de 80 línguas”, por existirem cerca de 80 grupos étnicos diferentes. O maior é o Oromo, seguido pelos Amhara, ambos falam línguas afro-asiáticas. O país também é famoso pelas suas igrejas talhadas em pedra e como lugar onde o grão de café se originou.
Tal como a Etiópia, Hawi Bulti diz que “nos Açores existem muitos sítios para visitar, locais com muita cultura e história”.
Etiópia diferente até na gastronomia

Ao nível da gastronomia a diferença acentua-se, e deu o exemplo do pão: “Completamente diferente. Temos um pão (Injera) húmido e fofo que são colocados num prato e degustados com vários ingredientes”. Na Etiópia, o alimento acompanha praticamente todas as refeições, sendo usado como base para forrar o prato e sobre ele são então servidos os acompanhamentos, como molhos, carnes, grãos, verduras e legumes.
Descobrimos que na Etópia, a experiência gastronómica não se limita aos seus sabores. Para os etíopes comer é um acto que sempre deve ser realizado colectivamente. Alimentar, as pessoas que se preza (amigos ou familiares) é um costume bastante enraizado na cultura do país.
No Edifício SolMar da Avenida são raras as pessoas, que passando nas imediações da Loja 3, não param e entram para observar o que lá está exposto. “As pessoas escolhem e acabam sempre por comprar qualquer coisa, globalmente os comentários são sempre positivos”.

Diversificar mais

Em termos de expectativas, Hawi Bulti espera diversificar ainda mais os produtos que coloca à disposição na loja. “Acredito que a maioria das pessoas fiquem surpreendidas por ver a Etiópia aqui representada em São Miguel e nos Açores é quase como que uma exposição demonstrativa e cultural do meu país, que permanece o ano inteiro aqui, no Edifício SolMar da Avenida”.
Hawi Bulti quase que conta ainda os dias para ver algum conterrâneo seu, entrar na sua Loja, realidade que ainda não foi possível acontecer. “Para já, só eu e o meu sobrinho”, valida.
A nossa interlocutora e o seu sobrinho vieram para ficar. “A ideia é mesmo permanecer nos Açores e quem sabe, constituir família”, rematou.
Hawi Bulti já fala um português corrente, mas também inglês, e quisemos saber como se diz, na língua etíope «foi um prazer». “Selete wawe kushe dese belogral”, foi a resposta, que não tem tradução no “Google tradutor”. 

Sobre a Etiópia

A Etiópia, localizada no Sudeste de África, é um país de relevo irregular e sem acesso ao mar dividido pelo Grande Vale do Rift. Com achados arqueológicos que remontam a mais de 3 milhões de anos, trata-se de uma região de cultura antiga. Entre seus locais mais importantes, está Lalibela, com suas igrejas cristãs esculpidas na pedra que datam dos séculos XII e XIII. Axum é o lugar das ruínas de uma cidade antiga e abriga obeliscos, tumbas, castelos e a Igreja de Santa Maria de Sião.

Capital Adis Abeba

Adis Abeba, a capital da Etiópia, nas montanhas que fazem fronteira com o Grande Vale do Rift é também o centro do comércio e de cultura do país. O museu nacional exibe arte etíope, artesanato tradicional e fósseis pré-históricos, inclusive réplicas do famoso hominídeo primitivo, “Lucy”. A Catedral de Santíssima Trindade, onde se encontra a sepultura do imperador do Século XX, Haile Selassie, tem uma cúpula dourada e é um ponto de referência arquitectónico de estilo neobarroco.

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