Escola de Rabo de Peixe quer “transformar mentalidades através da arte” e levar a comunidade a interagir mais com os alunos

Transformar as crianças através da arte e levar a comunidade para a escola é o objectivo da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe (EBIRP) que é, a par da Escola Básica Integrada da Maia, a primeira escola a integrar o Plano Nacional das Artes através do projecto “De Fenais a Fenais: Cultura Matriz do Desenvolvimento Local”. 
Na Escola de Rabo de Peixe o projecto vai ser coordenado pela professora Sónia Franco que dá conta que se pretende abrir horizontes aos mais novas mas também incluir a comunidade em todo o projecto. Para isso estão previstos workshops para os pais e restante comunidade, e para isso estão já previstos projectos envolvendo nove artistas residentes, “nove professores cada um nas suas áreas”. Está ainda programada uma residência artística com uma realizadora que irá, em conjunto com a Escola Básica e Integrada da Maia, realizar um filme sobre a adolescência. 
Descreve também um projecto inclusivo, onde as crianças com necessidades educativas especiais também serão envolvidas, nomeadamente crianças com paralisia cerebral. “Teremos musicoterapia e mostraremos a arte como um instrumento de poder. Teremos “As Marias” que são meninos do 6ºA que irão com as suas mãozinhas ajudar os meninos com paralisia cerebral a tocar na tinta para que sintam de maneira diferente. Teremos meditação, uma mais-valia para os meninos, geocaching, educação ambiental, o folclore que será reintroduzido, as despensas que são típicas aqui de Rabo de Peixe”, explica a professora de desenvolvimento pessoal e social/expressão dramática responsável pelo projecto. 

Projecto leva bandas
de música à escola

Sónia Franco acrescenta que este projecto também pretende levar as bandas filarmónicas à escola e levar os alunos a participar nessas bandas e trabalhar em conjunto com a Escola de Música de Rabo de Peixe. A professora destaca a possibilidade de se usarem outros géneros de dança “como contemporânea, ballet, urbana, das quais não estão habituados” para se expressarem. 
“Eles são muito criativos mas é dentro de uma determinada área. Na dança, gostam muito de dançar funk brasileiro mas queremos que experimentem outro tipo de dança e expressarem-se através disso. A arte é uma forma de comunicação e é uma forma de comunicarmos com o mundo, que faz pensar e terem sentido crítico. Hoje em dia as pessoas não têm muito sentido crítico a nível das artes e as artes ajudam muito nessa área”, refere a professora.
Mas a comunidade também estará integrada em todo este projecto que pretende “que a comunidade nos mostre as suas tradições. Vamos ter aqui um professor a orientar nas despensas, que são tão típicas daqui, mas iremos convidar os grupos das despensas virem fazer uma demonstração, explicar como começou e como se manteve até hoje”. 
É aqui que Sónia Franco refere que a arte é “um enorme instrumento de poder” pois além de mudar mentalidades “a nível de formação faz sentido apostar afincadamente na importância das artes na nossa sociedade” e dá o exemplo de se pegar, por exemplo, no folclore tradicional “e pensar que tipo de folclore teremos no século XXII. Como podemos transformar a própria cultura, criar uma cultura nova” porque isso também é ter sentido crítico em relação à arte. 

A arte já tem mudado 
alguns jovens

Sónia Franco, que está na Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe há 20 anos e se diz “apaixonada por esta comunidade”, admite que os miúdos estão “muito curiosos sobre como tudo se irá processar porque sabem do projecto”.
A responsável acredita que este projecto é uma mais-valia para os jovens da escola porque recorda que, tal como os adultos, “também têm alguma dificuldade em sair da nossa zona de conforto”. E dá o exemplo da disciplina que lecciona, teatro, que trabalha muito os sentimentos e a exposição perante os outros. “Muitos ficam de pé atrás porque têm vergonha de falhar em frente dos outros. A arte permite-lhes sair. Sou professora deles no 5º, 6º e 7º ano e ao longo do 5º ano já se vêem transformações. Miúdos tímidos, no final do ano já se lhes ouve a voz. A arte muda as pessoas. Por isso, fiquei muito contente que este projecto viesse para a nossa escola”.
Apesar de ainda não estar definido em que moldes o projecto vai decorrer, se durante o tempo lectivo se em actividades extracurriculares, ontem decorreu já a apresentação formal, com arte em movimento, onde houve teatro, música e pintura. 

O projecto

Este é um projecto cultural escolar, que vem ao encontro do projecto “de Fenais a Fenais: Cultura Matriz do Desenvolvimento Local” que integra inicialmente duas escolas de São Miguel: a Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe e a Escola Básica Integrada da Maia. 
O projecto enquadra-se no Plano Nacional das Artes (PNA), tutelado pelos Ministérios da Cultura e da Educação, com o objectivo de garantir o acesso e a participação dos cidadãos na fruição das artes e da produção cultural, além de expandir a oferta cultural educativa e promover o conhecimento, a integração e o encontro de culturas. 
Apesar de inicialmente apenas ficar operacional nas duas escolas referidas, pretende-se que este projecto envolva outras freguesias de São Miguel nomeadamente Fenais da Luz, Porto Formoso e Fenais da Ajuda. 

                   

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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