Mãe de Deus abriu as portas para homenagem aos pescadores da Calheta

“A Calheta e suas gentes, têm uma identidade muito própria e ligada à figura do pescador, desde a pesca costeira à aventura da Terra Nova, no bacalhau. Tiraram o mar da Calheta, sepultando e entulhando memórias, glórias e sofrimentos. Mas há uma geração que não aceita ser túmulo do passado. E é assim que São Pedro, com a sua Junta de Freguesia e as forças vivas que se lhe associarem até já tem dia para eternizar e imortalizar estes heróis. O dia 31 de maio será festejado como o Dia do Pescador, segundo já foi divulgado pelo Presidente da Autarquia”.
As palavras são do jornalista Santos Narciso, director-adjunto do nosso jornal e foram proferidas na Segunda-feira, dia 3 de Fevereiro, na Ermida da Mãe de Deus, no âmbito da concelebração eucarística, presidida pelo Cónego João Maria Brum e por Monsenhor Weber Machado Pereira, em que se sufragou e homenageou, o pescador Silvestre Palheiro que desapareceu no mar, a 3 de Fevereiro de 1920, quando procurava vir a terra procurar auxílio para salvar o irmão, Manuel Palheiro, que viria a ser resgatado por um cargueiro norte-americano.
Na Eucaristia em que participaram algumas dezenas de pessoas e que foi promovida pelos descendentes daqueles pescadores, entre os quais se via seu neto, Edmundo Freitas e o dinamizador da iniciativa, seu bisneto João de Freitas e família, Santos Narciso, em tom poético referiu-se aos pescadores afirmando que no palpitar da vida da Calheta, eles  eram “relógios da noite e arautos da madrugada. Eram sons de ruas desertas e travessas estreitas e beijadas pelo mar! Quem o viveu não pode esquecer. Até é capaz de os chamar ainda pelo nome, pelo bater da porta, pelo assobio, pelo chamar o vizinho também pescador, pelo cheiro da lanterna, ou do petromax a petróleo que defumava corpos e ruas… e depois, no regresso, manhãs frescas de primavera ou escuras de invernia, sempre eles, vida e fartura dividida, ou desilusão e miséria carpida!
Em qualquer lado do mundo, e desde que o mundo é mundo, onde há mar há lenda, há história, há drama que só se canta em poemas e hinos, depois de secos rios de lágrimas nascidos no negro do luto e no “cortinado roxo da saudade que nos cobre o coração”. E é em nome desse “cortinado roxo”, que desabrocha em herança de respeito e admiração, que aqui estamos”.
A todos os presentes foi oferecido um opúsculo, da autoria de João de Freitas e Rita Freitas, onde se conta a história que foi narrada, há precisamente cem anos, pelos jornais de então: O República, criado em 1910 e que viria a dar lugar ao Correio dos Açores, fundado pelo mesmo José Bruno Carreiro, precisamente em 1920, - vai fazer cem anos no próximo dia 1 de Maio; O Diário dos Açores, o mais antigo jornal diário da região, que este ano, precisamente amanhã, cinco de Fevereiro, comemora 150 anos de vida e o Açoriano Oriental, o mais antigo título português em publicação que foi semanário até 1979 e tornado diário mercê de um projecto em que se envolveram algumas figuras desta terra, das quais se destaca, pelo seu recente falecimento, o jornalista Gustavo Moura, apaixonado pelo mar e por tudo o que a ele diz respeito.
Sob o altar da celebração, envolvidos numa rede de pesca simbolicamente ali colocada, estavam as fotos dos dois pescadores homenageados e lembrados em oração. A Eucaristia foi acompanhada por um coro dirigido por Dionísio Ferreira.                                

C.A.
 

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Autor: CA

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