Luís Rodrigues sensibiliza alunos tal como o professor Félix Rodrigues o defende

Alterações climáticas “podem condicionar a abundância do pescado” no Mar dos Açores

As alterações climáticas “podem condicionar a abundância do pescado” no Mar dos Açores, “alterando as correntes marítimas e a distribuição dos recursos”. A afirmação pertence ao Director Regional das Pescas afirmou,.
Luís Rodrigues, que falava em Santa Cruz da Graciosa, para cerca de uma centena e meia de alunos e professores da Escola Básica e Secundária da Graciosa, durante a palestra ‘Alterações Climáticas, Aquecimento Global e o Futuro do Nosso Mar’, lembrou que “o oceano é o maior regulador da temperatura no planeta e está ameaçado pelo aquecimento global”.
“Temos de estar bem cientes da influência do oceano em nós e da nossa influência sobre o oceano”, disse, acrescentando que “as gerações mais novas devem estar informadas para a importância de, no futuro, garantirmos a sustentabilidade do Mar dos Açores”.
Estas palestras promovidas pela Direção Regional das Pescas têm uma vertente de responsabilidade ambiental e social, procuram “aproximar as escolas açorianas do mar”, apresentando temáticas relacionadas as alterações climáticas e o lixo marinho.
“Temos trabalhado com as escolas da Região na sensibilização da comunidade escolar para estas temáticas”, frisou Luís Rodrigues, recordando, a título de exemplo, a preparação dos alunos para o projeto ‘Parlamento dos Jovens’, cuja última edição foi dedicada à temática das alterações climáticas, do aquecimento global e dos oceanos.
Inseridas na estratégia de educação e de sensibilização da Direcção Regional das Pescas, estas palestras visam sensibilizar os estabelecimentos de ensino dos Açores para temáticas relacionadas com os oceanos e a sustentabilidade dos seus recursos.
Recorde-se que ainda em relação às alterações climáticas numa entrevista ao Correio dos Açores, o professor Félix Rodrigues referia que o aquecimento global afetará todo o planeta, e as ilhas são, os territórios mais vulneráveis às alterações climáticas. Significa isso, que os impactos nas ilhas são muito maiores do que nos continentes, por várias ordens de razão, sendo a mais significativa a subida do mar e a vulnerabilidade do sistema de captação e abastecimento de água às populações.
Para este especialista em clima, “os gases com efeitos de estufa diluem-se rapidamente na atmosfera fazendo com que a concentração de dióxido de carbono em praticamente qualquer ponto do globo apresente a mesma tendência. Assim sendo, podemos não ter poluição atmosférica local, mas teremos o efeito de estufa global. Se houver uma diminuição do oxigénio no ar, devido à quebra de produtividade do fitoplâncton, esse efeito será global”.
Perante os impactos previstos das alterações climáticas para as ilhas em geral, e para os Açores em particular, diz, “importa tomar dois tipos de acções: de mitigação dos efeitos, numa acção global onde deveremos participar, e preparar as pessoas e o território para esses impactos, com acções locais, que se designam por medidas de adaptação. O professor lembrava também que “há imensos estudos feitos sobre esta problemática nos Açores ou sobre os Açores, que vão desde a climatologia e cenários de aquecimento local, à biodiversidade, à salinização dos corpos de água, à erosão dos solos, aos efeitos no fitoplâncton, ao efeito nas pescas, à nutrição animal (com vista a diminuir as emissões de metano – gás com um potencial de estufa muito elevado), à comunicação de risco da alterações climáticas ou à perceção de risco das alterações climáticas, entre muitas outras áreas. Há também cursos onde esta temática é amplamente abordada com vista a uma adaptação eficaz a esses impactos, como é o caso do curso de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza e o Curso de Energias Renováveis. É pena que grande parte dessa investigação não esteja a ser aplicada”, registava Félix Rodrigues.  

N.C./GaCS

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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