Uma época feliz no Desportivo de Rabo de Peixe. Qual é o segredo?
Feliz porque houve uma Direcção corajosa que apostou num treinador desconhecido que nunca tinha sido treinador principal de seniores, estou muito grato por isso. O segredo é a forma como estou motivado para cada treino e para cada jogo, alegria por ser treinador.
Qual a paixão maior: barbeiro ou desportista?
Barbeiro é uma enorme paixão que desempenho com grande satisfação, no entanto, o futebol é para mim um amor para a vida toda. Sinto-me de facto realizado na vida, com aquilo que faço no meu dia a dia.
Como veio parar aos Açores?
Vim, em 2012, para S. Miguel para representar como jogador o Operário que militava na 2ª divisão B. Deixei-me ficar por cá porque me sinto bem nesta ilha, onde granjeei inúmeros amigos e adoptei os Açores como a minha segunda terra.
Sentes-se bem no CDRP?
Sim. Feliz porque encontrei no Clube Desportivo de Rabo de Peixe um clube histórico e com uma mística muito própria, pois é preciso acompanhar intensamente a vida deste Clube com as suas várias equipas e várias modalidades para perceber bem de que não se trata de um clube qualquer, que tem uma massa associativa que tudo faz, contra ventos e marés, para o defender em qualquer circunstância.
Sente alguma espécie de rejeição do “mundo do futebol” relativamente ao Desportivo de Rabo de Peixe?
Não. Hoje em dia o Rabo de Peixe é um clube que é visto com outros olhos, não só pela actual campanha, como pela disciplina que hoje em dia o jogador de Rabo de Peixe tem. Tenho sentido ao longo deste tempo que estou a treinar este clube, que o Desportivo tem sido um verdadeiro e digno embaixador da vila de Rabo de Peixe.
Onde aprendeu a gostar do futebol?
Como todo o menino do bairro, nas ruas, com balizas de pedra. E que saudades destes tempos… O meu primeiro clube federado foi no Grupo Sportivo de Loures, com apenas 9 anos de idade e desde então, nunca mais parei até aos 30 anos.
Como chega a treinador?
Fui tirar o curso de treinador por brincadeira com 2 colegas de equipa do Operário (Carlos Mota e João Peixoto), porque eles disseram que a formação dava uns trocos (risos), mas sempre senti que tinha capacidade para ser treinador. Depois de tirar o curso de nível 1 comecei a treinar os infantis do Operário. A partir daí tem feito o meu percurso e não me arrependo de enveredar por esta carreira desportiva.
O que representa para si esta sua equipa?
Representa uma mudança de paradigma do que era o Rabo de Peixe antes e agora. Em termos disciplinares, em relação ao treino, em termos de grupo e uma nova ideia de jogo daquilo que era anteriormente. É um orgulho muito grande ver a evolução destes jogadores em várias vertentes.
Tem sido muito ambicioso em termos de resultados desportivos, quais os momentos mais marcantes da sua carreira de treinador?
Tudo o que tenho vivido desde o primeiro dia que cheguei ao clube.
Qual o segredo para incentivar os jogadores?
Penso que não há segredo, cada treinador tem a sua forma de ser e de estar no futebol. Eu tenho a minha forma de lidar com cada jogador e saber tirar dele todo o seu potencial e talento para cada jogo.
Como prepara os jogadores em termos físicos e emocionais para entrarem dentro do campo?
Essa preparação é feita de uma forma diária.
Como treinador quais as qualidades que exige a um jogador?
Todos os jogadores têm as suas características o que tento fazer é exigir respeito por toda a gente dentro do clube, disciplina e cada atleta dar o seu máximo nos treinos e nos jogos.
Que Clube mais marcou a sua carreira no futebol?
O Sport Clube Mirandela, do qual me sagrei campeão Nacional da 3ª divisão da zona Norte.
Sente pressão ou responsabilidade nos jogos das tuas equipas?
As duas, pressão e responsabilidade, porque quem está no futebol, seja treinador ou jogador sente sempre a máxima responsabilidade para procurar corresponder ao trabalho diário que faço com os jogadores.
Qual foi o jogo que mais te marcou?
O primeiro jogo oficial como treinador principal, Rabo de Peixe x Marítimo da Graciosa. Um jogo que me ficou na memória.
Em que medida o futebol marcou o seu modo de viver e encarar a vida?
O futebol e uma escola de vida e aprender que importa viver com esperança, não desistir, independentemente dos obstáculos, e trabalhar com amor e paixão o que faço.
Que mensagem tem para os jovens que pretendem enveredar pelo futebol?
Em primeiro lugar, não se desligarem dos estudos, depois na fase de formação, divertirem-se a jogar futebol, que tenham regras, sejam disciplinados, humildes, educados e focados. Pois se querem ser jogadores profissionais, têm de ter essas características e darem sempre o seu melhor.