Empresa de Paulo Teixeira assinala dez anos e reuniu produtores do Norte a Sul e Ilhas

“Sucesso é acordar todos os dias e ter trabalho”, diz empresário que fez a festa do vinho em Ponta Delgada

A empresa açoriana Paulo Teixeira Vinhos assinalou uma década e trouxe a Ponta Delgada vinte e seis produtores de vinho de Portugal continental. 
“Os melhores do país”, como considera o empresário que dá nome à empresa, o qual assume que a festa de aniversário acabou por ser uma homenagem ao sucesso de uma parceira com a mesma idade da empresa, “e em nome de um dos produtos seculares e de excelência em Portugal, que é o vinho”. A iniciativa que não pretende ser um “Wine in Azores” é para repetir em 2021, com um conceito idêntico e de partilha entre o empresário e os produtores com quem trabalha em prol dos consumidores e clientes. Portanto, o balanço do evento “é positivo, pois dez anos depois eu não os considero fornecedores ou parceiros. São família, neste caso da minha família vínica. Recebe-os cá como família e todos por igual. É o único sítio do país em que consigo juntar os produtores todos. Cá, eu não defendo o projecto A, B ou C, mas quero que defendam a empresa Paulo Teixeira vinhos. É o espírito que introduzo, claro que cada um defende a sua bandeira, mas o objectivo final é a valorização do conhecimento e da divulgação dos produtos em igualdade de oportunidades”.
Paulo Teixeira, que está ligado aos vinhos há cerca de 25 anos e só há 10 em nome próprio, recorda, em declarações ao Correio dos Açores, que começou a trabalhar desde muito cedo. Estávamos em 1992 e depois de um longo caminho ao serviço do vinho é que em 2010 se tornou empresário. O sucesso advém do verbo trabalhar, não mais do que isso. “ Eu não sei o que é o sucesso. Sucesso é acordar todos os dias e ter trabalho. Ter clientes que querem comprar, ter necessidade de comprar mercadoria a fornecedores. Ter actividade económica e ter mercado à nossa espera. Este é o maior sucesso de quem trabalha neste sector. Hoje o vinho pode ser uma grande marca mas amanhã pode desaparecer. Não há negócios cativos no negócio do vinho”.
Começou sozinho e hoje tem dois trabalhadores a tempo inteiro, o que denota que há uma empresa em crescimento, só que o seu mentor prefere falar só em trabalho, defendendo que a época de Verão é boa para as vendas mas o período de Inverno ainda não se nota grandes alterações de mercado. Há uma melhoria pelo fluxo de turistas mas nada que faça com que se deslumbre porque os números de quem nos visita na época baixa não é suficiente para que quem trabalha possa acomodar-se.
 “Cada dia é dia de trabalho”. Questionado se é uma área de risco, opina: “ Quando se trabalha como eu trabalho não se considera risco. E a ideia da festa foi premiar no aniversário da minha empresa quem durante dez anos trabalhou comigo e fez parte do meu projecto de vida. Clientes e produtores foram a base de sustentação do meu projecto. Estiveram em Ponta Delgada 26 produtores. Isso diz tudo”.
Paulo Teixeira realça que o evento foi pensado e desenhado por si para ser diferente. “Mais de 350 pessoas apareceram na festa do vinho no Hotel Azor. Os produtores saíram satisfeitos. Houve apresentação de produtos novos dos Açores. Pela primeira vez foi dado a provar o espumante da ilha do Pico, entre outros momentos de surpresas, havendo um catering permanente para que as pessoas pudessem associar os vinhos aos queijos, às compostas, aos bolos levedos…” Enfim, aos produtos dos Açores.  
“Houve também a preocupação de ter no evento só os produtos nacionais que trabalham com a Paulo Teixeira Vinhos mas também todos os produtores regionais que trabalham comigo mas que não são exclusivos. Neste evento, é certo, privilegiei os produtores açorianos. Temos que valorizar o que é nosso, aproveitando esta altura do ano em que saem as novidades, o que foi uma das mais-valias deste aniversário.
Assume que se empenha no que faz e garante que conhece ao pormenor todas as castas e todos os vinhos que comercializa, desde os que custam dois euros aos que ultrapassam uma centena de euros. Mas se o preço dita a melhor qualidade, Paulo Teixeira não envereda só pelos números da garrafa, defendendo que cada cliente merece o melhor tratamento e cada um é que sabe das suas possibilidades. Para conhecer o que vende costuma visitar as quintas e herdades vinícolas em Portugal continental, apreciando muitas vezes as uvas ainda em fase de crescimento, pois, como se sabe, nem todas as colheitas são iguais e um vinho de um ano, com grande qualidade, no ano a seguir pode perder alguns pontos no paladar. São muitos os factores que influenciam a qualidade do vinho e basta uma chuvada fora de época para estragar o que poderia ser um bom ano agrícola, opina Paulo Teixeira.
Assume-se como um apreciador de vinho mas as suas preferências vinícolas vão para os brancos, não só por uma questão de paladar mas porque sente que o seu corpo reage melhor, não colocando de lado os tintos. “Tenho vinhos do Minho ao Algarve, passando pelos Açores (Pico, Graciosa, Terceira e São Miguel), isto é, vinhos com perfis e preços diferentes para pessoas diferentes. É importante dar a oportunidade a todos de beber um bom vinho, independentemente da sua condição financeira”.
Paulo Teixeira não dispensa as conversas com os enólogos, profundos conhecedores dos vinhos e a suas opiniões são muito validadas para quem anda neste mercado, pois, muitas vezes, expressam a opinião geral dos consumidores.
Questionado se o consumidor está mais exigente, Paulo Teixeira defende que os seus clientes “aprendem todas as vezes que me procuram. É a esta a minha missão. Eu gosto de vender aos meus clientes o mais indicado para o momento que eles vão viver, dentro da sua disponibilidade financeira e dentro da iguaria gastronómica que vão desfrutar. Eu costumo dizer que é tão importante escolher um bom vinho como escolher uma boa carne, um bom peixe ou uns bons legumes. Um bom vinho pode salvar uma má refeição e o mau vinho pode estragar uma boa refeição”.
        

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