No telejornal do passado dia 7 de Fevereiro, na inauguração das obras de requalificação da Unidade de Saúde das Capelas, em S. Miguel, o senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Vasco Cordeiro, salientava alguns dados positivos disponibilizados pelo Serviço Regional de Saúde – S.R.S.: no ano de 2019; mais 230 mil consultas – 23% e 8679 cirurgias – 5,5% relativamente a 2018 e o reforço de mais meios humanos que colocam o S.R.S. mais forte, mais capacitado.
São números que, certamente, agradam ao povo Açoriano! No entanto, são estes números resposta satisfatória às necessidades do Povo Açoriano?
Por acaso, e antes desta reportagem ir para o ar, neste mesmo dia, encontrei um “velho” amigo, muito feliz por ter realizado uma operação à catarata de um dos olhos, dizia-me ele: estou a ver como não via há anos deste olho que foi operado; do outro, vejo tudo enevoado, estou a iniciar o processo para também ser intervencionado. Que felicidade irradiava o meu amigo!
Tinha ele razão para toda aquela felicidade!?… Com os seus 83 anos, vividos sempre a trabalhar para a sua família, uma vida de descontos. É, felizmente, uma pessoa activa e muito positiva; esperou, pacientemente, 5 anos para ser operado. Pelo andar da carruagem, irá esperar mais cinco? Ou será que o sistema, tendo em conta a idade do paciente, prevê uma poupança no orçamento?
O mesmo se passa na Ortopedia, um dia destes, um amigo, bastante mais novo, caminhava à minha frente, com sérias dificuldades de locomoção, lamentava as dores sentidas, o desconforto e a perda de qualidade de vida, por precisar de ser intervencionado a uma anca, estando esta intervenção marcada para uns anos à frente!
São estes dois exemplos uma realidade vivida em S. Miguel que reflete o S.R.S.
Quantas baixas médicas, quantas dores, quantas arrelias, quer pessoais, quer profissionais, quanta qualidade de vida perdida durante estes longos períodos de espera? Quanto custa ao orçamento da Região estes doentes arredados das suas actividades?
Após tantos anúncios e planos apresentados para recuperação da “Lista de Espera Para Cirurgias”, não tem o Povo Açoriano o direito de gozar a vida, a reforma ou até viver o final de vida com qualidade e saúde?
É o meu alerta, o meu desabafo à referida reportagem!