Debate sobre transportes marítimos hoje no Parlamento açoriano

Estudo ‘LEME Zoom Açores’ defende uma “refundação da Marinha Mercante adequada ao potencial marítimo português…”

 A edição de Janeiro do ‘LEME – Barómetro da Economia do Mar’, a empresa PwC  publica o estudo ‘LEME Zoom Açores – Ilhas Arco-íris’, onde se considera um dos desafios açorianos a “refundação” da Marinha Mercante que opera nos Açores “adequada ao potencial marítimo português”.
Sublinha que se deve “desenvolver, ao nível dos transportes marítimos, todas as oportunidades de cabotagem” entre os diversos portos açorianos.
Considera, a propósito, que num arquipélago de nove ilhas, o transporte marítimo de mercadorias “é um sector vital para a sustentabilidade económica da Região”. 
A vocação marítima dos Açores “continua a ser um dos melhores activos da região e, se apoiada e incentivada, poderá resultar num novo caminho de crescimento e de desenvolvimento sustentável”, lê-se no estudo.
Ainda na edição de ontem, o ‘Correio dos Açores’ releva em editorial que qualquer modelo de transportes “é inacabado e tem de ser dinâmico para acompanhar o dinamismo da sociedade da economia e não se pode ficar refém de uma eventual indiferença dos políticos, que tem como consequência apodrecer um problema que pode ser evitado”.
É sugerido que se junte os privados que operam no transporte marítimo e os dirigentes empresariais para debaterem “as vicissitudes e os defeitos” do modelo existente e do proposto para, depois, se apresentar ao Governo dos Açores uma eventual proposta de alteração que seja antes concertada.
Este tema dos transportes marítimos de mercadorias vai abrir hoje os debates da Assembleia Legislativa Regional dos Açores a pedido do CDS/PP.

“Reduzir fiscalidade
e burocracia nos portos”

Outro dos desafios que se coloca aos Açores, segundo o Barómetro ‘Leme’, é a concepção dos portos marítimos “como autênticas plataformas logísticas integradas em cadeias logísticas nacionais e internacionais, maximizando o interface entre auto-estradas do mar, rodovia e aeroportos”.
São também desafios, neste domínio, “melhorar as condições técnicas dos portos: profundidade, condições de operação nos portos, serviço ao cliente e comunicação” e “reduzir a fiscalidade e a burocracia associada às transacções portuárias”.
 Considera o estudo que a investigação científica do mar profundo, o turismo ancorado em actividades marítimas e o desenvolvimento da fileira alimentar do mar “são pilares estruturais da economia do mar nos Açores”. 
Turismo costeiro, cruzeiros, marinas, observação de cetáceos e desportos náuticos “são pontos fortes da oferta turística nos Açores”, lê-se no estudo que acrescenta que a pesca e a transformação do pescado são indústrias “relevantes na economia do arquipélago e têm tido a capacidade de absorver recursos humanos que, com a instabilidade económica dos últimos anos, têm perdido os seus empregos”.
O LEME Zoom Açores é um projecto de longo prazo, que funcionará como uma compilação de dados que permita acompanhar, ao longo do tempo, a evolução da economia do mar nos Açores e que, simultaneamente, possibilite realizar uma análise das tendências e das escolhas que estão a ser efectuadas pelos diversos agentes económicos.
 
“Acrescentar valor
ao peixe e marisco”
 
O estudo aponta como um dos principais desafios, ao nível do sector piscatório açoriano, “acrescentar valor ao produto base primário (peixe e marisco) através da sua conservação, transformação e diversificação”.
É também apontado o desafio de “reforço” de práticas de captura sustentáveis, certificando os processos e comunicando adequadamente ao consumidor final”.
Releva que s Açores se deveriam empenhar na “substituição de importações por produção nacional” no sector pesqueiro e aquacultura “para fazer face à procura existente no mercado português”.
Considera como outro desafio a investigação de tecnologias e processos que “minimizem o custo associado à energia necessária à propulsão das embarcações de pesca, para fazer face à subida do preço do petróleo e/ou descidas do preço do pescado no mercado”.
O estudo é apologista de que os Açores devem “reforçar a marca dos produtos transformados”, “aproveitar as potencialidades da aquacultura”, “desenvolver a cadeia de abastecimento dos mercados” e “continuar a desenvolver as condições de segurança no mar”.

Dinamizar a náutica de recreio

No entender do ‘LEME Zoom Açores’, feito pelo ‘LEME – Barómetro da Economia do Mar’,  a Região deve proceder a uma “dinamização da náutica de recreio, através de desportos como o surf, windsurf, kitesurf, ski aquático, triatlo, charter de cruzeiro, mergulho, caça submarina, motonáutica, vela, remo e canoagem, entre outros”.
Defende que se deve criar condições para os Açores “reforçarem a sua posição nas rotas de Cruzeiros”, preconizando que a Região ofereça uma proposta “única e distintiva”.
Outro dos desafios que se colocam aos Açores, neste domínio, é a “continuação do desenvolvimento do whale watching e outras actividades marítimo-turísticas”, além do “desenvolvimento do branding Açores (em boa posição mundial em termos de qualidade do mar, da água, qualidade ambiental, fauna e flora subaquática e biodiversidade)”.
Constituem também desafios da Região, refere o ‘LEME Zoom Açores’, o “aproveitamento de todo o potencial económico relacionado com o desenvolvimento vertical deste sector (consumidores finais, prestadores de serviços, produtores de todo o tipo de equipamentos necessários ao lazer e desporto”.
Deverá pretender-se “desenvolver uma visão de indústria dinamizadora da economia local, regional e nacional”, utilizando “todas as suas capacidades deste quanto ao apoio ao desenvolvimento de uma cultura marítima”.
Realça que os Açores devem “desenvolver a náutica de recreio, marinas e marítimo-turísticas para patamares de escala internacional”.
Preconiza a “coordenação e interligação das políticas de ambiente com as necessidades de sustentabilidade ambiental e de reforço da economia do mar”.

Beneficiar o posicionamento
estratégico marítimo

Uma das vertentes do ‘LEME – Barómetro da Economia do Mar’ a especialistas nacionais é pedir sugestões “para que Portugal beneficie mais do seu posicionamento geoestratégico marítimo”
As respostas têm uma dimensão que envolvem os Açores: “Investir no conhecimento sobre o oceano e suas oportunidades; internacionalizar a economia do mar de Portugal; ter uma agenda de compromisso a longo prazo nas diversas políticas relacionadas com o mar; realizar parcerias internacionais que acrescentem valor”; e  “acelerar o processo de transferência de tecnologia entre centros de investigação e empresas”. 
Outras sugestões são: “reforçar o plano de promoção internacional do país, sublinhando a sua centralidade marítima; reforço da cooperação e de políticas integradas que alavanquem a posição geoestratégica favorável; reforçar o alinhamento e articulação entre todas as entidades do estado, a nível central, regional e local; investir em equipamentos e meios civis e militares para operar no mar” e “fomentar programas internacionais de aceleração de novos negócios relacionados com a economia do mar”.

Os Açores a crescer 
mais do que o país

O ‘LEME’, datado de Janeiro deste ano,  foi apresentado este fim-de-semana na Horta por Miguel Marques, um dos responsável pelo estudo da empresa PwC. Como referiu, citado pela ‘Antena 1 Açores’, a Região “está a crescer”, ao nível das actividades da economia do mar, “mais do que o resto do país”, um crescimento que se estima que se mantenha nos próximos anos”.
 Em termos estatísticos, o número de navios de mercadorias que fez escala na Região aumentou o número de contentores e de mercadorias.
Como constata o estudo, os navios de turismo também “têm aumento, bem como o número de turistas desembarcados”.
Miguel Marques, da PwC, empresa responsável pelo estudo, disse à ‘Antena 1 Açores’ que os Açores “têm ainda um potencial de crescimento, no que se refere às actividades ligadas à economia do mar”.
No caso das pescas, o valor do pescado desembarcado nos portos dos Açores também cresceu, assim como o número de pescadores.
Mas “há ainda muita informação que não é devidamente partilhada”, realçou.
 
                                    João Paz

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Autor: CA

Categorias: Regional

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