Investigador do CIVISA da Uaç alerta para a instabilidade no vulcão do Pico

 Investigadores do IVAR e do CIVISA publicaram recentemente um artigo científico na revista internacional LITHOS onde realçam a importância do cruzamento de dados geoquímicos e geofísicos para melhor compreender a dinâmica eruptiva do Vulcão do Pico e os impactos em termos de avaliação do risco. 
Segundo Vittorio Zanon, autor principal do estudo e investigador responsável pelo projecto nacional que o financiou, a perigosidade deste jovem vulcão não deve ser subestimada.
O trabalho realizado ao longo de três anos demonstrou que as erupções laterais do Vulcão do Pico dos últimos 10.000 anos emitiram lavas basálticas fluidas, ricas em cristais máficos (piroxena e olivina), que ascenderam rapidamente de 17,8 km de profundidade, através de três sistemas tectónicos diferentes, que se intersectam na proximidade da cratera do vulcão. Nesta área observam-se vários sinais de instabilidade, nomeadamente fracturas localizadas a cerca de 2.000 m de altitude, no lado sudoeste da montanha.
 Por outro lado, as lavas emitidas pela cratera do vulcão foram mais viscosas e evoluídas, com poucos cristais máficos e muitos cristais de plagioclase, e terão ascendido de uma zona bem localizada, a uma profundidade entre os 5,6 e os 6,8 quilómetros. 
As informações obtidas a partir dos dados registados pelas estações sísmicas do CIVISA nos últimos anos, cruzadas com a informação geoquímica, sugerem que este sistema magmático mais superficial está a evoluir, podendo ser a causa da instabilidade observada no vulcão.
 De acordo com o mesmo investigador, este tipo de estudos multidisciplinares é “fundamental para o melhor conhecimento dos vulcões dos Açores e constitui um complemento aos sistemas de monitorização”. 
Esta conjugação de esforço é considera “essencial para uma eficaz detecção de futura reactivação dos sistemas tectónicos e da eventual movimentação de magma no reservatório mais superficial”.
 Este trabalho foi realizado no âmbito do projecto MARES (Reservatórios magmáticos nas ilhas oceânicas), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, que tinha como objectivo o conhecimento da estrutura profunda dos vulcões da Macaronésia (ilhas Canárias, Cabo Verde e Açores) onde ocorreram erupções frequentes nos últimos 10.000 anos.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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