PAN/A contra realização da Batalha das Limas enquanto não houver alternativa ao plástico

O PAN/Açores lamentou ontem, em comunicado, a continuação do uso de plástico na já tradicional Batalha das Limas, que ocorre todos os anos no Carnaval na Avenida Marginal de Ponta Delgada, e opõe-se à sua realização por falta de soluções devidamente estanques e que determinem a real protecção do ambiente.
A apresentação feita pelo vereador Pedro Furtado, responsável pelo pelouro do ambiente e gestão de resíduos urbanos, deu novas directrizes para este ano de 2020, nomeadamente a instalação de vedações num perímetro de 250 metros para proteger a zona litoral dos plásticos usados na manifestação carnavalesca, a vigilância policial mais apertada e a limpeza da zona após o evento. Todavia, estas medidas não são suficientes para o partido e não reduzem a pegada ambiental como quer fazer passar a Câmara Municipal de Ponta Delgada.
A Batalha das Limas é um evento com vários séculos de história no Carnaval, já foi usada fruta, ovos, flores e, posteriormente como o nome indica, limas, feitas de cera e parafina. Segundo alguns estudiosos do tema, existem referências a este episódio com mais de um século num jornal em 1919 onde consta o uso de flores e a participação de “gentis lutadores” e é criticado o uso de bisnagas de água. Chegou-se a tentar implementar o ornamento de carros alegóricos e o uso de flores nestas “batalhas” em várias cidades da Região, mas essa alternativa não vingou. Esta festa foi alvo de variadas mutações ao longo do tempo alterando a sua génese identitária e o PAN/Açores recusa-se a usar a palavra e denominação de tradição para a justificar nos moldes em que é realizada.
Pedro Neves, porta-voz do PAN/Açores acrescenta: “A Câmara Municipal de Ponta Delgada não teve, passados todos estes Carnavais, imaginação suficiente nem sensibilidade e coragem política para apresentar uma solução sustentável contra o desperdício e que salvaguarde os nossos mares, para onde vai grande parte do plástico usado, nem o nosso património ambiental e a própria zona marginal da cidade que fica sobrecarregada de lixo. 
Para o partido, as vedações não reduzem a pegada ambiental, o plástico acumula-se pelas ruas e o arremesso de sacos desta matéria não deixa de ter latente uma componente de confronto. Existem, ademais, mais batalhas particulares que não vão usufruir da mesma vigilância que a Marginal, a cabo da Polícia Municipal. O PAN/Açores relembra também que o arquipélago dos Açores recebeu o certificado de destino turístico sustentável, entregue pelo Global Sustainable Tourism Council (GSTC) em 2019, que tem como um dos parceiros Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
 “Numa época em que o saco de plástico é taxado em supermercados, deixar que se use em eventos desta natureza, junto ao mar, não deixa de ser um crime ambiental, apesar das medidas supostamente proteccionistas criadas pela autarquia, curiosamente, em ano de eleições legislativas regionais. Por mais solidariedade que possamos ter pela folia em geral, não podemos ser cúmplices e fechar os olhos a este atentado que não harmoniza com a sustentabilidade ambiental que a região se esforça em promover“, conclui Pedro Neves.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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