Alunos da Antero de Quental elaboram montra temática e interactiva na sede da Associação para o Planeamento da Família

 Numa primeira fase, os alunos receberam formação por parte das técnicas da Associação sobre vários temas na área da sexualidade, tendo depois numa segunda fase, desenvolvido tais propostas. Após votação, são escolhidas as propostas a integrar a montra. Duas turmas do 12.º ano da Escola Secundária Antero de Quental desenvolveram várias propostas na área da multimédia (fotografia, vídeo e animação), no âmbito da disciplina de Oficina Multimédia B, sob a coordenação técnica e artística de Paula Mota, docente da disciplina.
Segundo a Associação para o Planeamento Familiar e Saúde Sexual e Reprodutiva, o projecto tem vários objectivos nomeadamente: a disponibilização de informação para os jovens e esclarecimento de dúvidas; levar os jovens até à sede, de modo a que possam observar a obra criada pelos colegas, e “assim começarem a familiarizar-se com o espaço, sentido que o mesmo é seguro para futuras marcações de atendimento”; através da arte e da criatividade, “dar a possibilidade aos jovens de explorarem a temática abordada” segundo os seus pontos de vista; a criação de laços de confiança entre a Associação e os estudantes, continuando assim a assegurar “a sua presença para esclarecer mais dúvidas que possam surgir”; e a promoção de uma acção artística, focada nos problemas actuais e controversos, intitulada “A arte como ferramenta do pensamento”. A primeira e a segunda fase do projecto ocorrem simultaneamente: “durante mês e meio aproximadamente, as técnicas da APF deslocam-se à escola, dão a sessão sobre uma temática escolhida pelos jovens e no mês seguinte, as turmas desenvolvem o projecto entre eles e sob a orientação da professora Paula Mota, escolhem qual a que irá para a montra”, conforme foi explicado em comunicado. Após em exposição na montra da sede da APF, o projecto irá depois para a escola durante o ano todo para que todos os alunos e alunas usufruam e aprendam”. Perante a iniciativa proposta pela IPSS, a receptividade dos alunos foi positiva: “mostraram-se entusiasmados pelos temas apresentados e com a possibilidade de terem um papel activo na sociedade através dos trabalhos expostos na montra”.
Numa entrevista dada ao Correio dos Açores, pouco tempo após a Direcção ter assumido funções, Natalia Bautista, Presidente da Associação, explicou como iria ser feito este trabalho conjunto com a escola: “O que ganhamos com isto? Primeiro, vamos lá e damos informação. E depois, eles vão pensar sobre a informação e criar uma coisa que sairá da cabeça deles, que nós não vamos controlar, e assim eles veem cá, já nos conhecem. Os amigos deles também poderão vir cá. Ou seja, no fundo é atraí-los para o nosso espaço, algo que antigamente não era feito. Dar-lhes “uma casa”, de alguma maneira, que saibam que este é um espaço seguro, que podem vir cá colocar as suas dúvidas” explicou a presidente da Associação.
Em pleno século XXI, o tema da sexualidade continua a ser um tema tabu no arquipélago. Segundo a Associação, “ainda associam muito a temática ao sexo”, sendo necessário desmistificar não só esta mesma, como o facto de “quanto mais se fala, mais se promove ou se incentiva a uma vida sexual precoce”, algo oposto dos principais objectivos da IPSS.

Associação para o Planeamento da 
Família e Saúde Sexual Reprodutiva

A Associação para o Planeamento da Família e Saúde Sexual Reprodutiva é uma organização autónoma, tendo um protocolo estabelecido com a APF Nacional. Localizada na Rua d’Água, no centro histórico de Ponta Delgada, a Associação conta com uma nova Direcção desde há 6 meses. O trabalho consiste em dar continuidade àquilo que se tem realizado: “o nosso foco é a adolescência e queremos que no país falem da Associação para o Planeamento da Família dos Açores”, referiu Natalia Bautista.
Apresenta como principais objectivos: “ajudar as pessoas a fazerem escolhas livres e conscientes a nível da sua vida sexual e reprodutiva, bem como promover a educação, o aconselhamento sobre sexualidade, sempre na base da aceitação voluntária e escolha informada sem qualquer coerção”.
Dar formações, apoiar as famílias e também saber como está a ser tratado a temática da sexualidade no resto do arquipélago. Na óptica da Presidente da Associação, através da prevenção, “poupa-se noutras áreas, como por exemplo, em tratamentos devido às doenças sexualmente transmissíveis. A educação sexual é muito importante a nível social. Não se dá tanto valor em termos económicos e de apoio para que nós, instituições, possamos fazer o nosso trabalho devido ao tal mito de que estamos a incentivar. Pelo contrário, nós vamos poupar em outras partes do sistema”.

 

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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