Dezasseis toneladas de atum patudo descarregadas ontem e hoje em Ponta Delgada e Vila Franca

Duas embarcações de boca aberta de Rabo de Peixe, cada qual com mais de 10 pescadores a bordo, chegaram cerca das 14h00 de ontem ao cais de pesca do porto de Ponta Delgada, com aproximadamente seis toneladas de atum patudo (à volta de três toneladas por embarcação) e não havia gelo disponível para conservar o peixe.
Rúben Farias, administrador executivo da Lotaçor, confirmou ao Correio dos Açores que a máquina de fazer gelo que a empresa pública tem disponível no cais do porto de Ponta Delgada tem uma avaria complicada e que carrinhas frigoríficas têm ido buscar gelo ao entreposto frigorífico em Santa Clara e à lota de Vila Franca do Campo.
O facto é que, quando as duas embarcações chegaram ao cais do porto de Ponta Delgada, tiveram que esperar cerca de duas horas até que o gelo chegasse para ser colocado sobre o atum patudo, de tamanho médio, que foi capturado a 5 a 6 milhas da ilha de São Miguel.
Como explicaram os mestres das duas embarcações, capturaram o atum de salto e vara, utilizando apenas três canas de cada vez até um limite de três toneladas para que o peixe não ficasse machucado e perdesse qualidade.
As cerca de seis toneladas de atum foram descarregadas em lota, com o peixe já devidamente conservado, atingindo em leilão o preço médio de 3.30 euros o quilo.
Entretanto, soube o Correio dos Açores que um dos comerciantes de pescado de São Miguel já fez um contrato de compra de todo o atum pescado pelos barcos de boca aberta e que, durante o dia de hoje, vão ser descarregadas 14 toneladas de atum no porto de Vila Franca do Campo, que é o mais próximo onde existe gelo para conservação do pescado capturado.
A preocupação dos dois mestres, que pediram o anonimato, é que as mais de 20 traineiras da frota atuneira, muitas das quais propriedade de madeirenses, se aproximem dos cardumes junto à costa e os puxem para fora utilizando o sistema de ‘pesca em mancha’ que permite uma vigilância de perto e constante do cardume.
Com este sistema de ‘pesca em mancha’, em que uma traineira funciona como ‘achado’ sempre em cima do cardume, o que tem acontecido é que o atum não se aproxima da costa e, assim, não seja pescado nos últimos anos por barcos de boca aberta.
Um dos mestres recorda, por exemplo, que o ano passado, quando terminou a quota do atum voador, as embarcações da Madeira navegaram para o mar dos Açores para pescarem patudo.
Outra preocupação dos dois mestres de pesca tem a ver com o estado das caixas disponibilizadas pela Lotaçor para colocar o pescado para que seja pesado. Disse um dos mestres que cerca de 60% das caixas não estão nas devidas condições e muitas estão mesmo partidas. Ora, havendo um peso fixo para a caixa, se forem adicionados abraçadeiras de plástico nas caixas partidas, como dizem, a embarcação perde no volume de pescado descarregado.
Rúben Farias, da ‘Lotaçor’, não nega esta realidade mas explica que se está a falar de “milésimas” . Anunciou, a propósito, que a empresa pública já adquiriu à volta de 10 mil caixas novas que deverão chegar aos Açores no final deste mês, princípio do mês de Março.
Não há memória de, por esta altura do ano (início de Fevereiro), barcos de boca aberta terem descarregado atum patudo em portos açorianos, causando surpresa que as águas já estejam nas temperaturas ideais para que o atum venha à superfície.
Num ano normal, as traineiras da frota atuneira registada nos Açores começam a pescar atum no mês de Março. O facto de os cardumes de atum patudo já estarem junto à costa de São Miguel é um bom indício de que este será um bom ano de captura de atum. Mas, a qualquer momento, a situação pode alterar-se com a evolução do estado do tempo e as temperaturas de águas do mar à superfície.                                                  

J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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