Fábrica de Tabaco Micaelense investe um milhão de euros em alojamento local e avança com outros projectos turísticos

Vão ser inauguradas hoje as “Casas Amarelas”, um projecto de alojamento local liderado pela Fábrica de Tabaco Micaelense, que representa um investimento que ronda um milhão de euros. As cinco casas vão disponibilizar 17 quartos em regime de alojamento local, aproveitando o património da Fábrica de Tabaco Micaelense “que estava sem uso” e que foi agora reabilitado para integrar a estratégia de diversificação da empresa. 
De acordo com o administrador da Fábrica de Tabaco Micaelense (FTM), Mário Fortuna, as casas são “um aproveitamento de uma zona imobiliária da Fábrica. Pertencem ao património da Fábrica de Tabaco Micaelense, eram casas adstritas aos administradores e a alguns funcionários e que tiveram a função complementar de alojamento de trabalhadores ou administradores da Fábrica”.
Mário Fortuna explica que as casas estavam “naturalmente sem uso” e até “degradadas e que, neste momento, estão com uma qualidade superior, entre as 4 e as 5 estrelas em termos absolutos”, assumindo-se como um empreendimento de elevada qualidade no seu segmento. 
Trata-se, no entender do responsável da empresa, do aproveitamento deste património que vem trazer “contributos importantes” quer para a empresa quer para a própria cidade já que além de contribuírem para a estratégia de diversificação para o turismo, “com a vertente adicional de aproveitamento de património que era da empresa e que no nosso entender vem trazer um contributo importante, não só à oferta turística, porque as casas têm uma qualidade superior, como ajuda a cidade já que é uma iniciativa de regeneração urbana”.
As “Casas Amarelas” foram assim integradas na estratégia de diversificação da FTM para o turismo e que complementam a unidade hoteleira que há dois anos foi adquirida pela Fábrica de Tabaco Micaelense, o Hotel Comfort Inn, em Ponta Delgada.
As duas unidades passam assim a complementar-se em termos de recursos humanos já que “recorremos a uma complementaridade de serviços com o hotel. Temos serviços que já existiam e vai rentabilizar as infra-estruturas que já tínhamos no hotel. Vamos subcontratar alguns serviços”, criando assim cerca de três a quatro novos postos de trabalho. 
Uma vez que a FTM tem vindo a diversificar as suas actividades para a área turística, as “casas Amarelas” foram “uma oportunidade”, garante Mário Fortuna que entende ser aquele “um bom aproveitamento na área do turismo”. 

Outros projectos

Além das “Casas Amarelas” a Fábrica de Tabaco Micaelense tem vindo a apostar cada vez mais no turismo e a prova disso é que tem outros projectos para breve. 
Mário Fortuna explica que na mesma rua do Hotel Comfort Inn, na rua Dr. Bruno Tavares Carreiro, foi adquirido um edifício onde vai ser desenvolvido o projecto de um hostel que deverá gerar 30 camas nesta modalidade.
Além disso, o Hotel Comfort Inn também deverá sofrer obras de ampliação, aproveitando para se estender para a zona onde actualmente se situa o estacionamento do hotel. “É uma diversificação de oportunidade. Houve uma estratégia de diversificação que tem sido desenvolvida com base nas oportunidades”, explica Mário Fortuna. 
O responsável pela Fábrica de Tabaco Micaelense admite que depois de inauguradas as “Casas Amarelas” “imediatamente vamos avançar para o hostel, depois consideraremos também a ampliação do hotel e em simultâneo vamos continuar a trabalhar numa nova perspectiva para a Quinta do Botelho”, situada no Livramento.
Esta foi a primeira aposta da FTM no turismo, mas com a chegada da crise que se instalou no arquipélago e no país “e a incerteza que havia relativamente ao turismo”, foi um projecto que ficou parado mas que Mário Fortuna avança que poderá ter agora “uma nova perspectiva”. E que poderá passar “pela continuada associação” à parceria internacional com a cadeia Choice International, que já existe com o Hotel Comfort Inn. 
“Vamos seguir esta via para explorar a hipótese de um projecto diferente na Quinta do Botelho”, explica Mário Fortuna que acrescenta que a propriedade, onde funcionou o Bom Pastor no Livramento, tinha um projecto que começou a ser desenvolvido ainda antes da crise. “A crise fez-nos parar e reavaliar este projecto e estamos a reequacionar o posicionamento daquele projecto para o futuro. Foi a nossa primeira iniciativa que acabou por ser ultrapassada quando adquirimos o Hotel Comfort Inn, que foi uma oportunidade de negócio. Foi num momento específico, uma oportunidade que agarrámos porque estava em linha com aquilo que pretendíamos fazer. E o hotel acabou por assumir a liderança das iniciativas na área do turismo”, avança Mário Fortuna.

Bom momento do turismo

A aposta da FTM no turismo “evidencia confiança no sector do turismo nos Açores”, revela Mário Fortuna que destaca que o sector tem crescido “de forma muito positiva e significativa” e a perspectiva é que este crescimento irá continuar. “Os Açores têm uma oferta interessante a fazer e a tendência mundial no turismo é para o crescimento”, afirma e  acrescenta que “é importante que os Açores se posicionem também para tirar partido deste crescimento”. Neste âmbito, o Presidente do Conselho de Administração da FTM entende que a Região está “a posicionar-se para este efeito” acreditando que nos próximos 5 a 7 anos irá registar-se uma duplicação de número de turistas actuais no arquipélago. 
“Temos capacidade de crescimento e recursos para crescer. São Miguel assume a vanguarda neste crescimento, mas também é preciso olhar para as outras ilhas, que estão a crescer e a crescer bastante. No todo, nos Açores, o turismo deverá assumir a relativamente curto prazo, um papel ainda maior na geração de riqueza e na geração de empregos”, conclui Mário Fortuna.
                  

Carla Dias/João Paz
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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