Director de Saúde questiona estudo que conclui que existe quase 40% de probabilidade do coronavírus chegar aos Açores

 Perante o estudo, o Director Regional da Saúde, Tiago Lopes, refere que se “desconhece a metodologia e o rigor científico das probabilidades calculadas pelos referidos investigadores”, acrescentando que os mesmos “não remeteram qualquer informação para a Secretaria Regional da Saúde que possibilitasse a sua apreciação”.   
Em relação aos espaços disponibilizados, caso o vírus atinja o arquipélago, o Hospital Santo Espírito da ilha Terceira “dispõe de uma unidade de tratamento com capacidade de internamento em 6 quartos de isolamento com pressão negativa e acesso pelo exterior, quer através de escadas, quer através de elevador”. Havendo necessidade de aumentar o número de quartos com isolamento e pressão negativa, a unidade hospitalar da ilha Terceira dispõe de capacidade para tal. “Acresce que as unidades de saúde têm os seus planos de contingência preparados, com procedimentos e circuitos bem definidos e sinalizados. Os profissionais conhecem os procedimentos a levar a efeito aquando da presença de um caso suspeito”, refere o Director Regional da Saúde.
Relativamente a um assunto que foi debatido nas últimas, sobre o jacto privado que aterrou em São Miguel após ter sido rejeitado o seu pedido em vários países, Tiago Lopes explica que “a referida situação não demonstrou que as medidas adoptadas fossem insuficientes. Foi detectada e rastreada uma situação que se verificou não possuir critérios para a existência de casos suspeitos de infecção.” Actualmente, o arquipélago dos Açores encontra-se em fase de contenção e a Direcção Regional da Saúde “continua a adaptar e a divulgar as orientações da Direcção Geral da Saúde: estamos a trabalhar, em conjunto, na preparação de respostas de 2.ª linha em todas as regiões, nas quais se incluem os Açores”. Para além dos Açores, o arquipélago da Madeira, Coimbra e a zona sul de Portugal continuem também têm as suas unidades classificadas como hospitais de segunda linha. “Consoante a evolução do vírus, iremos trabalhar, no plano nacional e regional, na adopção das medidas mais adequadas e validadas pela Organização Mundial da Saúde”, concluí o Director Regional da Saúde.

O estudo

De acordo com o documento, existe 37% de probabilidade de o vírus chegar aos Açores, “sendo que a Região tem apenas 1% de hipóteses de conter a doença se surgirem vários casos”. Os dados foram calculados “com base nos dados da Organização Mundial de Saúde. Não há espaços circunscritos nos estabelecimentos hospitalares para isolar pelo menos algumas dezenas de infectados, nem creio que existam equipas preparadas” segundo Félix Rodrigues. Para além disso, o Hospital de Santo Espírito na ilha Terceira é o único do arquipélago com quarto de pressão negativo (isolado).
O estudo realizado demonstra, “teoricamente, todas as situações previsíveis que possam falhar no controlo de uma hipotética entrada do vírus. Numa primeira fase, o controlo das fronteiras das zonas afectadas: como é que a epidemia tem estado a evoluir noutros países? Usando o conhecimento que tínhamos daquilo que era a Gripe A nos Açores e a forma como se espalhou, percebemos que o padrão que está a ocorrer nos vários países é muito semelhante com o padrão da Gripe A que tivemos em várias ilhas dos Açores”, explicar o investigador. A probabilidade de o Coronavírus entrar não é muito baixa,, o que implica haver uma preocupação especialmente com situações que possam produzir mais de um caso em simultâneo. “No caso de haver mais de um infectado, a situação pode ficar descontrolada, daí que se concluí que por este raciocínio lógico que há necessidade de começar a equacionar espaços que possam ser utilizados em caso de termos vários infectados”. Para Félix Rodrigues, esta é uma grande falha, nomeadamente a inexistência de espaços alternativos ao quarto de pressão negativa nos estabelecimentos hospitalares e de saúde na Região “para tratar dezenas de caso, caso a situação se torne descontrolada. Têm de haver outras soluções que não apenas o quarto de pressão negativa”.
Para o investigador, para além desta preocupação referida, dar uma noção de quais são os métodos eficazes a nível de controlo “porque a maioria das pessoas pensa que usando máscara e lavando as mãos que pode resolver o problema. Controla, mas continua a haver probabilidade, embora reduzida”. A par disso, refere que existe um problema que relacionado com as máscaras, verificando-se de que não há um stock adequado para fazer face a uma epidemia na região. “Não vejo tentativa de estabelecer relações para articular às acções para entidades públicas, técnicos de saúde e entidades privadas. Isto não é nada fácil porque há pessoas que estão contagiadas e não manifestam qualquer sintoma.
A maior ilha dos Açores é que possui a maior probabilidade de vir a registar o primeiro caso do surto. No entanto, a ilha mais exposta “será a Terceira. Para avaliar, por ilha, a probabilidade de gestão caso o vírus chegue, tem-se em conta os dados do vírus da Gripe A. As maiores probabilidade de infecção seria muito maior em São Miguel e que a entrada do vírus no arquipélago seja feita a partir desta, mas como os casos serão encaminhados para a Terceira, esta fica mais exposta a uma possibilidade de infecção e o transporte de um doente que tenha Coronavírus, será feito por transporte aéreo, havendo procedimentos de transporte entre o hospital e o aeroporto e que exige uma equipa técnica que saiba gerir este caso. Depende não só dos transportes aéreos, mas também  marítimos. Há uma consciência de problema a nível dos cruzeiros e havendo a deteção de casos em cruzeiros, que haja um procedimento semelhante àquele que a OMS aconselha porque se houver um grande descontrolo nisso, a probabilidade poderia aumentar. Quem fala de cruzeiros, fala num conjunto de embarcações que param nos Açores e sem controlo”, refere Félix Rodrigues.
Desconhecendo o plano por parte da Secretaria Regional da Saúde relativamente ao caso do Coronavírus, Félix Rodrigues refere que tendo em conta o que aconteceu com a Gripe A, esta não teve qualquer controlo: “teve um plano muito frágil e incapaz de resolver o problema. Acho importante que todas as pessoas da área da saúde, biologia, entre outras, devem contribuir para um plano robusto. E este não se compatibiliza com burocracia porque a burocracia não é eficaz no controlo de uma epidemia.

As medidas no arquipélago dos Açores

A Secretária Regional da Saúde, Teresa Luciano, garante que a Região está preparada para dar resposta a uma eventual situação de contágio. Refere que as 9 unidades de saúde de ilha têm planos de actuação que são actualizados consoantes as directrizes da Organização Mundial de Saúde. O Hospital Santo Espírito da Ilha Terceira é um dos 4 hospitais do país que tem um quarto de pressão negativa que impede a transmissão do vírus. Segundo Teresa Luciano, o arquipélago está preparado: “temos um grupo de trabalho que todos os dias acompanha toda esta situação e os hospitais, dependendo da fase em que encontraremos, também irão entrar na sua acção”. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira vão poder “realizar testes para identificarem o novo vírus sem dependerem do Instituto Ricardo Jorge em Lisboa”. As regiões autónomas, segundo Graça Freitas, Directora Geral da Saúde, são as grandes prioridades: “a grande prioridade é a preparação das duas regiões autónomas que se estão a preparar para fazer o teste laboritorial sem depender de que as amostras biológicas tenham de vir para o continente.”

 

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Autor: Rita Frias

Categorias: Regional

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