16 de fevereiro de 2020

“Abordagens regionais são mais eficazes na gestão dos oceanos”, diz Gui Menezes

 O Secretário do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou, em Lisboa, que os oceanos e os serviços dos seus ecossistemas para a humanidade são “demasiado importantes para os ignorarmos”.
 “Infelizmente, os oceanos estão sobre grande pressão e estão a mudar, e as consequências só podem ser dramáticas”, frisou Gui Menezes, salientando que é preciso “mais cooperação, mais ciência e mais conhecimento”. O governante falava num painel dedicado à ‘Economia do Mar, Desenvolvimento Sustentável e Governança dos Oceanos’, no âmbito do evento ‘A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável da ONU’, que decorreu na Academia das Ciências de Lisboa. 
“Se pensarmos nas alterações climáticas e nas suas consequências ao nível da acidificação dos oceanos, do aumento das temperaturas e da diminuição do oxigénio, na poluição e no lixo marinho, na sobre-exploração de recursos, na pesca ilegal não reportada e não regulada, na diminuição da biodiversidade e na degradação dos habitats e ecossistemas, erosão costeira e nas ameaças às populações ribeirinhas, facilmente nos apercebemos que são necessárias abordagens a diferentes escalas, nomeadamente a nível local, regional e global”, afirmou Gui Menezes.
 Neste sentido, considerou “fundamentais” as organizações regionais de gestão das pescas, “muitas delas fruto de iniciativas das Nações Unidas, que são organizações na interface ciência/política que reúnem um conjunto de países interessados numa determinada área do oceano”.
Segundo o Secretário Regional, “as abordagens regionais são mais eficazes” no que respeita à “gestão eficiente dos oceanos e dos seus recursos, e dos interesses económicos numa determinada área”.
 “Estas organizações serão fundamentais na gestão dos mares situados para além das zonas jurisdicionais”, sublinhou, lembrando que “cerca de 60% dos oceanos corresponde a alto mar fora das jurisdições nacionais, o que coloca muitos desafios”.
 Na sua intervenção, Gui Menezes sublinhou que os Açores, “enquanto região insular, com uma das maiores ZEE da Europa, têm um contributo a dar e têm de tomar medidas responsáveis, à sua escala”. Neste sentido, referiu que a Região “reconhece importância” a iniciativas como a Década dos Oceanos ou como a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que vai decorrer, em Junho, também em Lisboa.  “Especialmente marcante é a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, lançada em 2015, e, em particular, o Objetivo 14, referente aos Oceanos”, disse, frisando que “os Açores estão comprometidos a fazerem a sua parte”.  Gui Menezes realçou “a importância” da ciência e do conhecimento para “uma boa governação” dos oceanos e deu alguns exemplos das políticas de governação para o mar que estão em curso nos Açores.
  Na sua intervenção, o Secretário Regional referiu ainda a decisão do Governo dos Açores de proteger 15% do mar açoriano nos próximos anos, com o apoio das fundações Oceano Azul e Waitt.
 “Este é um projeto ambicioso que será suportado na melhor ciência possível...”, disse.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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