18 de fevereiro de 2020

Temas ao Acaso

Será desta vez?

Como estamos em ano de eleições regionais não é de admirar o rodopio governamental em fazer inaugurações; em prometer que agora é que vai ser; em anunciar melhorias em várias áreas da governação colocando no quadro quem trabalha a contrato há mais de 10 anos; etc, etc, etc.
No passado fim-de-semana, na Vila da Povoação, aquando da “inauguração” da nova ponte sobre a ribeira que atravessa aquela Vila, tive a dita de ouvir o nosso Presidente anunciar o que o seu governo planeia fazer para aqueles lados, nomeadamente a ligação do lugar do Agrião (Ribeira Quente) àquela Vila, e ainda, o arranjo dos taludes na estrada Furnas/Ribeira Quente.
Este anúncio fez-me retroceder aos anos 90 do século passado e aos tristes acontecimentos havidos na freguesia da Ribeira Quente com o soterramento de, salvo erro, de 29 pessoas. A chuva prolongada, que é comum haver nesta ilha, e o consequente deslocamento de terras sobre uma área residencial daquela freguesia, foram a causa de tão grande desastre.
Na altura, (em 1997 se não me falha a memória) Carlos César, dando ainda os primeiros passos como Presidente do Governo Regional e mostrando uma solidariedade digna de realce, anunciou que o seu governo iria proceder à construção de uma estrada alternativa para Ribeira Quente porque, em caso de haver nova catástrofe, aquela gente não poderia ficar isolada. Pelas minhas contas, já lá vão 23 anos, mais coisa menos coisa.
Assim, não sei quantos anos depois, e inspirados no trabalho dos helicópteros na ocasião do nefasto acontecimento, acabou por ser construída uma pista (ao que me consta sem iluminação) para pouso e descolagem daqueles aparelhos, sempre que as circunstâncias o exigissem.
Valha a verdade que aquela infraestrutura tem servido o povo da Ribeira Quente. Só que, não para o fim para o qual foi construída, mas sim para palco da Festa do Chicharro. De mal o menos!
Agora, 23 anos depois da promessa de César, vem o Dr. Vasco Cordeiro, pessoa que muito prezo, anunciar que é agora que vai ser.  
Que me desculpe o meu simpatiquérrimo Presidente do Governo, mas não acredito e penso que é mais um acto de campanha eleitoral.
Porém, no que toca à estrada Furnas/Ribeira Quente, se, na verdade, for avante o arranjo dos taludes, que não se esqueçam de contratar um arquitecto paisagístico para orientar a empresa que lá irá trabalhar, de modo a não estragar o que a natureza lá colocou gratuitamente e que os homens, no seu continuado desrespeito por ela, têm-na mutilado, sem dó nem piedade.
É que eu, bem como imensas pessoas que conhecem aquela estrada, são da opinião de que se ela não é a mais bonita estrada de S. Miguel é pelo menos das mais bonitas.
Por alma de quem lá têm, para “segurar a terra dos taludes” não façam a barbaridade que fizeram ali para os lados das Feteiras, emplastando cimento contra o talude, num verdadeiro acto de poluição visual, numa ilha apelidada de verde e que se quer manter como tal.
Aconselho, vivamente, que sejam consultados os responsáveis pela manutenção do Parque Terra Nostra, que tão bem têm trabalhado aquele Parque, de tal modo que é considerado, em vários aspectos, um dos melhores do mundo.
Penso que a execução de socalcos nos taludes, com vegetação a condizer com a área de implantação e tipo de terreno, talvez não fosse uma ideia a pôr de lado.
Mas, como não sou, nem botânico nem arquitecto paisagista, deixo a palavra a quem sabe.
Todavia, não desresponsabilizo o Governo Regional daquilo que lá for feito.
Para mim, bem como para muitos que pensam como eu, só queremos que aquilo que temos de belo não seja danificado, mas sim melhorado.
Depois, não digam que não avisei e que não apresentei alternativas.
Se Deus quiser, cá estarei para apreciar o resultado dos trabalhos e emitir a minha opinião.
Aguardo, com vivo interesse.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

                    16 de Fevereiro de 2020

 

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Categorias: Opinião

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