Carlos Augusto Furtado vai deixar lugar de vereador na Câmara da Lagoa e abandonar PSD para fazer parte do “CHEGA!” nos Açores

O actual vereador da Câmara Municipal da Lagoa eleito pelo PSD, Carlos Augusto Furtado, adiantou ao Correio dos Açores que, face à sua presença no jantar para militantes e simpatizantes do partido CHEGA!, que decorreu no passado fim-de-semana em Ponta Delgada, irá em breve dar por terminada a sua ligação ao Partido Social Democrata e às funções que exerce actualmente no município.
Questionado pelo nosso jornal, o ainda vereador explicou que participou na iniciativa do partido liderado por André Ventura por “ser uma pessoa que se identifica com o projecto do CHEGA!, e que se identifica com o posicionamento político e ideológico do partido”, esclarecendo que já nos dias anteriores à chegada do líder partidário se encontrava a estabelecer alguns contactos com o mesmo.
“Não organizei a chegada de André Ventura a São Miguel mas estive presente desde a primeira hora. Quando foi anunciada a sua chegada foi já com alguma proximidade em relação aos eventos, daí que a minha participação não tivesse sido aquela que eu até queria”, indica ainda, explicando que nos eventos em que se envolve “não gosta de ser um mero espectador ou de apenas apreciar o trabalho dos outros”.
No que diz respeito à estranheza com que muitos viram a sua participação neste primeiro encontro realizado nos Açores por um dos mais recentes partidos com representação na Assembleia da República, Carlos Augusto Furtado indica que esta “será esclarecida em breve”.
Por outro lado, diz que aqueles que estão próximos do PSD/Lagoa e que o conhecem a si e à sua personalidade “certamente não estranharão esta decisão”, sendo este um momento decisivo na sua vida política, significando que irá a seu tempo deixar o PSD, por ser impossível “estar com os dois pés em plataformas diferentes”.
Neste sentido, também o seu lugar enquanto vereador na Câmara Municipal da Lagoa é colocado em causa, garantindo que as satisfações que considera por adequadas serão dadas no seu devido momento.
“Obviamente que – na minha maneira de ver as coisas – o meu lugar na câmara fica em causa. Mas há opções de vida que têm que ser tomadas e o assunto da Câmara Municipal da Lagoa terá o seu tratamento, no meu entender, adequado nos próximos tempos.
Obviamente que tenho responsabilidades enquanto vereador na Câmara Municipal da Lagoa porque o eleitorado confiou no PSD e confiou em mim. Tenho que dar satisfações a essas pessoas e terei que ter o comportamento adequado”, explica.
No que diz respeito ao seu futuro na política, o lagoense adianta que irá “fazer parte daquilo que será o início do CHEGA! nos Açores”, não adiantando para já em que moldes, mas acreditando que este recente partido “irá mostrar nos próximos tempos aquilo de que é capaz se o eleitorado confiar nele”, referindo que este – embora recente – “teve a audácia de denunciar o poder instalado”.
Este não foi, no entanto, um acto pensado a longa data, adianta o ainda vereador municipal, esclarecendo, por outro lado que aquela que é a ideologia política ou modelo de sociedade transmitidos pelo Partido Social Democrata não vai ao encontro daquilo que acredita ser o ideal, sendo esta mudança fruto de um “grande descontentamento” para com a acção e ideologias do PSD.
“Tenho a minha ideologia política e o meu modelo de sociedade que não se comparece com o modelo de sociedade que o actual presidente do nosso partido, Rui Rio, que segue uma matriz mais de centro-esquerda do partido. Não pactuo dessa ideia e acho que já existem partidos suficientes na esquerda, não é preciso juntar a esses o PSD.
Admito que o erro pode ter sido meu, porque talvez o PSD possa sempre ter sido um partido de centro ou de centro-esquerda, mas não vi o CHEGA! neste posicionamento e, como tal, achei que era a hora de sair, independentemente de ser para o CHEGA!, ou não. Mas foi o partido que, no fundo, defende valores que estão mais de acordo comigo”, conclui.
O Correio dos Açores tentou obter também uma reacção do PSD/Lagoa, por intermédio do seu presidente António Vasco Viveiros, no entanto não foram prestados quaisquer comentários em relação a este assunto.

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