Homem suspeito de vários furtos na Ribeira Grande e sujeito a prisão domiciliária desrespeitou medida do juiz por diversas vezes

No tribunal de Ponta Delgada iniciou-se ontem o julgamento de um homem, natural da Ribeira Grande, pela prática do crime de furto qualificado na forma tentada e pelo crime de evasão, uma vez que depois de detido enquanto suspeito de crimes de furto, ao ser presente ao juiz foi-lhe atribuída a medida de coacção de prisão domiciliária sem permissão para deixar a habitação.
Apesar de negar o seu envolvimento em qualquer um dos crimes de furto, a acusação indica que estes terão ocorrido entre os meses de Setembro e Outubro de 2019, no centro do concelho da Ribeira Grande.
Na primeira tentativa de furto, e de acordo com o testemunho do proprietário da residência na qual se introduziu, o arguido foi surpreendido pela sua chegada depois de accionado o alarme, dando-lhe apenas tempo para separar alguns bens que depositou no chão da casa de banho, nomeadamente uma máquina fotográfica, um fato de treino da Nike e três pares de peúgas.
Nessa ocasião, e tendo em conta o aparente nervosismo, o arguido ter-se-á fechado no escritório e arrombado as janelas para sair, sendo momentos mais tarde observado pelo dono da casa a fugir do local pelas traseiras.
Noutra situação, também na Ribeira Grande, o arguido terá surpreendido um idoso que apenas pretendia fechar o portão de casa, pelas 22h00, perguntando-lhe se este teria um copo de água para lhe dar.
Uma hora mais tarde, quando o homem entrou no quarto de dormir afirma ter avistado um vulto na divisão que rapidamente procurou sair pela janela. Apesar de não ter visto a cara do ladrão, reconheceu-lhe o penteado, suspeita que confirmou no dia seguinte, num café local, em que foi capaz de reconhecer o mesmo penteado no rapaz que lhe havia pedido o copo de água na noite anterior.
Apesar da rápida acção da Polícia de Segurança Pública, que rapidamente conseguiu deter o homem para ser presente aos rituais de identificação por parte dos ofendidos, e apesar de lhe ter sido aplicada a medida de coacção de prisão domiciliária, a realidade é que o arguido afirmou ter – por várias vezes – saído de casa, algo que é corroborado por várias testemunhas.
No entanto, o arguido adianta que nunca terá andado de táxi ou tentado vender roupa a vizinhos – conforme diz a acusação – acusando as referidas testemunhas de “maldade”, uma vez que apenas saía de casa para comprar mantimentos ou para visitar familiares vizinhos que lhe poderiam oferecer algum prato de comida.
Contudo, apesar de não saber que o vizinho não deveria circular na rua, uma das testemunhas relembra que numa Sexta-feira à noite, por volta das 22h30, o arguido lhe terá batido à porta com o intuito de vender um fato de treino de homem, negócio este que a mulher terá negado por várias vezes até que o arguido desistisse.
Pouco tempo depois o arguido foi avistado pelas 04h10, depois de a mãe desta testemunha ter também sido alvo de uma alegada tentativa de furto que, no entanto, não faz parte deste processo. 
A idosa em causa acordou em sobressalto com a presença de um vulto no quarto e por esse motivo gritou, assustando o ladrão. Em seguida ligou para a filha que prontamente foi a sua casa, o que permitiu o avistamento do arguido que tem “um andar característico” e que o permite ser, de acordo com a testemunha, reconhecido mesmo no escuro.
Por outro lado, também um taxista testemunhou ontem no Tribunal de Ponta Delgada, corroborando a tese que propõe a evasão do arguido, explicando que durante o frete realizado foram feitas várias paragens entre o centro da Ribeira Grande e a freguesia da Ribeirinha, terminando à porta de casa arguido.
Também a PSP confirmou que por várias vezes o arguido foi apanhado a percorrer várias ruas da Ribeira Grande, explicando que apesar de apanhado em flagrante o arguido foi por várias ocasiões devolvido à sua residência em vez de ser detido.
 

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