Lula rendeu meio milhão de euros em mês e meio aos armadores e pescadores na lota do porto de Rabo de Peixe

 Em praticamente um mês e meio, os pescadores descarregaram no porto de Rabo de Peixe 113,1 toneladas de lula no valor de 585,3 mil euros, o correspondente a um preço médio por quilo de 5.17 euros.
Embora o preço médio dor quilo tenha baixado muito em relação ao do ano passado, que era acima dos 8 euros, é constatável que a lula está a ser o ganha-pão de armadores e pescadores de Rabo de Peixe. De tal forma que, se houvesse uma distribuição mais equitativa do pescado a bordo e os pescadores percebessem que, em determinadas alturas do ano, podem viver do rendimento da pesca sem necessidade de rendimento de inserção social, a lula poderia ser como que uma ‘mina de ouro’ para todos.
Só que, com os armadores a ficarem com a ‘parte de leão’ dos quinhões da embarcação e, por sua vez, os pescadores a não quererem atingir determinados rendimentos da pesca para manterem o rendimento de inserção social, o que continua a acontecer é que apenas os armadores das embarcações da pesca à lula estão a enriquecer enquanto as tripulações continuam a viver em precárias condições. E isso vai continuar a acontecer , segundo as fontes de informação do Correio dos Açores, se o Governo dos Açores não impuser medidas para obrigar os armadores a não poderem ganhar mais do que uma percentagem das capturas da embarcação, sob pena de perderem apoios durante um determinado número de anos; e a terem apenas pescadores com contracto de trabalho a bordo.
Acrescentam as mesmas fontes de informação que, se até agora não resultaram os esforços desenvolvidos para os armadores só terem a bordo pescadores com contratos de trabalho, o Executivo açoriano deveria adoptar medidas que obrigassem aos contratos, sob pena da embarcação perder a licença de pesca. Ou seja, “se não tiver os pescadores com contrato de trabalho a bordo, a embarcação não pesca”, completou a mesma fonte de informação. É que, completou, “tem de haver ‘mão de ferro’ para acabar com um ciclo em que apenas alguns ganham quase tudo do rendimento da embarcação e os pescadores – que são a esmagadora maioria - ganham tão pouco”.
No total da ilha de São Miguel foram descarregadas em lota, no primeiro mês e meio deste ano, 145,5 toneladas de lula no valor de 744,1 mil euros, o que corresponde a um preço médio de 5.11 euros o quilo.
Em todas as lotas dos Açores foram descarregadas 209,1 toneladas de lula no valor de cerca de 995 mil euros, o correspondente a um preço médio de 4.76 euros o quilo.
Por estas estatísticas depreende-se que, para o mesmo período de tempo, no porto de Rabo de Peixe (113,1 toneladas), descarregou-se mais do dobro de lula em comparação com as restantes lotas da Região (209,1 toneladas) e o preço médio da espécie por quilo é mais elevado na lota de Rabo de Peixe (5.17 euros) do que nos restantes portos de São Miguel (5.17 euros o quilo) e do total dos Açores (5.11 euros o quilo).

Entre o preço de lota,
o preço do mercado
e o peixe que nem aparece

Praticamente toda a lula descarregada no porto de Rabo de Peixe é exportada para Espanha e uma parte ínfima é que é colocada apenas no mercado local a preços muito mais elevados do que o preço médio de lota, até porque os preços ao consumidor estão liberalizados.
O mesmo acontece com o chicharro. Em mês e meio foram descarregadas na lota do porto de Rabo de Peixe 68,4 toneladas de chicharro, no valor de 91,5 mil euros a um preço médio de 1.34 euros o quilo. É raro o dia em que o chicharro está à venda no mercado micaelense a menos de 2.5 euros o quilo.
Em toda a Região foram descarregadas em lota, no primeiro mês e meio, 105,7 toneladas de chicharro no valor de 134,8 mil euros, o correspondente a um preço médio de 1.3 euros por quilo.
Entretanto, tal como acontece com a lula, - praticamente toda exportada, também é muito raro ver espécies como o imperador e o goraz no mercado de São Miguel.
Por exemplo, no primeiro mês e meio do ano foram capturadas 2,6 toneladas de imperador nas lotas de São Miguel no valor de 65,9 mil euros, o equivalente a 25,6 euros por quilo, um preço proibitivo para a algibeira da esmagadora maioria dos açorianos. Mas, na verdade, todo o imperador capturado no mar dos Açores está, à partida, colocado na exportação.

34 toneladas de atum
descarregadas em São Miguel
até dia 15 de Fevereiro

No total dos Açores foram capturados nos primeiros cerca de 45 dias do ano 5,6 toneladas de Imperador (mais do dobro do capturado em São Miguel), atingindo o preço médio regional de 23.61 euros por quilo.
No mesmo período de tempo foram descarregadas nas lotas dos Açores 31,4 toneladas de goraz no valor de 516,4 mil euros, o correspondente ao preço médio de lota de 16.41 euros o quilo; e 32,8 toneladas de peixão, no valor de 258 mil euros, o equivalente ao preço médio de 8.98 euros o quilo.
É também significativo que, até ao dia 15 de Fevereiro, tinham sido descarregadas nas lotas da ilha de São Miguel 34 toneladas de atum patudo no valor de 110,6 mil euros, o correspondente ao preço médio de 3.26 euros o quilo. 
O aparecimento, logo no início do ano, deste atum patudo a Sul de São Miguel, quase todo capturado por embarcações de boca aberta, levou a que o preço médio por quilo fosse mais elevado do que o preço médio verificado o ano passado, mas mais baixo do que em 2018.
Ora, num exercício feito com base nas estatísticas da Lotaçor, em 2018 – que foi um ano de captura de grandes quantidades de atum –, até ao dia 15 de Fevereiro, tinha-se capturado 1,3 toneladas de atum patudo vendido em lota a um preço médio de 6,71 euros o quilo; e 7 toneladas de atum voador, vendido em lota a um preço médio de 4.11 euros o quilo. 
À partida, as indicações são as melhores para que 2020 seja um bom ano para a captura de atum nos mares da Região. Contudo, as condiçõs podem alterar-se de um momento para o outro e um cenário de boa expectativa poderá transformar-se num ano de ‘dores de cabeça’ para os armadores e pescadores de atum da Região.
                                                

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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