Já há 160 restaurantes que vão aderir

Câmara de Ponta Delgada avança em Março com recolha de ‘restos dos pratos’ na restauração e cantinas das escolas

O projecto é inédito na Região e vem no seguimento do “Urban Waste”, um projecto internacional que contava com a participação de 12 cidades piloto europeias, em que as duas únicas cidades nacionais são Lisboa e Ponta Delgada. Este “Urban Waste” integra-se nas medidas de redução do impacto do turismo nas cidades europeias de grande vocação turística e que, em Ponta Delgada, permitiram aos restaurantes aderentes ostentar um “selo verde” em como cumpriam a separação de resíduos. 
Agora vai haver uma nova fase deste projecto que prevê a separação e recolha dos resíduos orgânicos, ou seja, os restos de comida inutilizados pelos consumidores que até agora iam parar aos contentores normais. Para isso foi usado o contacto inicial tido com os restaurantes e já há 160 aderentes a este projecto de recolha de resíduos orgânicos que vai arrancar já em Março no centro da cidade e periferia. 
“Vamos ter um circuito específico de recolha, com contentores específicos e assim os resíduos orgânicos, vulgo restos de comida, não serão colocados nos contentores públicos ou eco-ilhas que é o que tem acontecido neste momento”, explica o vereador da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Furtado.
O responsável pelo pelouro da gestão dos resíduos urbanos explica que há dados que dão conta que cerca de 30% dos resíduos colocados em aterro são orgânicos “e queremos reduzir uma boa fracção do lixo indiferenciado para o orgânico, que é material passível de reciclagem e não de deposição em aterro”, já que os resíduos orgânicos são recolhidos actualmente juntamente com os resíduos indiferenciados. 
Pedro Furtado explica que “é necessário criar alguma confiança” entre as equipas que vão depois fazer esta recolha e os próprios restaurantes, já que “algumas vezes terão de entrar no interior dos estabelecimentos” onde vão ficar os contentores específicos para o efeito. “São contentores que têm tampas diferentes, que não deixam passar cheiro, e os funcionários entram para ir buscar os contentores ou os restaurantes deixam cá fora”, explica ao acrescentar que depois os resíduos, recolhidos em horários específicos, “serão colocados numa viatura especial sem compactação e selada para não permitir fuga de líquidos e depois depositados numa empresa privada que fará o tratamento biológico dos resíduos”. 
A autarquia prevê que este circuito especial para recolha dos resíduos orgânicos seja diário, incluindo ao Domingo, e provavelmente possa ser feito várias vezes ao dia. 

Restaurantes e cantinas

Além dos 160 restaurantes que já aderiram a esta iniciativa e vão receber os respectivos contentores especiais, também as cantinas das escolas vão integrar este projecto. “Aproveitando também um projecto anterior que é o “Agir para Prevenir”, que teve muito sucesso e que quase todas as escolas básicas e secundárias aderiram, vamos aproveitar esse relacionamento para adicionar à recolha do plástico, papel e vidro a recolha dos orgânicos nas cantinas”, explica o vereador. 
Restaurantes e cantinas vão ser privilegiados nesta primeira fase do projecto, “porque são grandes produtores de resíduos orgânicos”, que depois a autarquia de Ponta Delgada espera alargar a todo o concelho. 
“Mas isso tem a ver com alteração do sistema de recolha actual para o porta-a-porta, que é mais exigente, tem mais custos mas é mais eficaz do ponto de vista da percentagem de separação”, diz Pedro Furtado. 
Para este projecto de recolha de resíduos orgânicos nos restaurantes e cantinas, a Câmara Municipal de Ponta Delgada investiu menos de 100 mil euros para a aquisição de duas viaturas para fazer esta recolha, aquisição de 300 contentores de resíduos orgânicos e a reconversão de quatro funcionários da autarquia que foram integrados para este circuito especial. 
“O investimento não foi muito elevado para os resultados que pretendemos”, avança Pedro Furtado, que recorda que “todas as directivas comunitárias e preocupações emanadas das várias orientações a nível comunitário vão no sentido da valorização da recolha do orgânico, acompanhada de toda a outra recolha de outros resíduos passíveis de reutilização”.

Expectativas

Neste sentido, o vereador diz ter expectativas que o próximo Quadro Comunitário de Apoio possa trazer “grandes apoios” nessas áreas, nomeadamente para a reconversão de frotas e aquisição de equipamentos “para que tudo se faça de forma correcta”.
Além desta expectativa, a Câmara Municipal de Ponta Delgada espera que a MUSAMI possa ter também uma central de tratamento de orgânicos que “a expectativa” e que seja construída nos próximos dois anos. Até lá, “temos de deixar estes resíduos numa empresa privada para que faça o tratamento”. 
A autarquia fala ainda em tecnologia inerente a esta recolha mas que ainda não existe, nomeadamente uma alternativa aos sacos plásticos. “Há recolhas a nível internacional que são feitas com recurso a sacos biodegradáveis e compostáveis, que vão juntamente com a comida para aceleração biológica”. Na Região reconhece que há algumas limitações na aquisição de sacos e acredita que no futuro seja mesmo proibida qualquer venda de sacos de plástico. Para isso é preciso ter alternativas, de sacos orgânicos e biodegradáveis que não contaminem a recolha dos resíduos orgânicos. “Temos esperança que no futuro seja possível só adquirir sacos orgânicos e biocompostáveis e aí seria facilitador”, afirma ao acrescentar que “isso ainda não existe mas não pode ser um factor que impossibilite que avancemos”.
Com este projecto que vai arrancar já em Março em 160 restaurantes e cantinas das escolas, a Câmara Municipal de Ponta Delgada espera reduzir a quantidade de resíduos orgânicos que chegam a aterro e aumentar a quantidade destes resíduos que contam como resíduos passíveis de reciclagem. Mas apesar de ser um projecto inédito na Região, Pedro Furtado diz não encarar a questão dos resíduos “como uma competição”. No entanto, reconhece que a população fixa de Ponta Delgada é a maior da Região e há uma população flutuante que “mais nenhum concelho tem”, não só proveniente do fluxo turístico mas também de quem trabalha na cidade. “Mas não queremos ir por aí porque não queremos fazer disto uma competição e a verdade é que todos os municípios estão preocupados com o aumento de taxas de reciclagem, em ter circuitos de recolha porta-a-porta”, embora reforce que grande parte deste caminho depende do comportamento das pessoas. 
               

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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