Antigo bombeiro voluntário da Povoação recorda como três crianças morreram no incêndio de uma casa no Faial da Terra

  Foi precisamente há 23 anos que três crianças morreram no incêndio de uma habitação no Faial da Terra. O trágico acontecimento, que enlutou a freguesia, ocorreu pelas 23 horas do dia 20 de Fevereiro de 1997. Se as três crianças fossem hoje vivas eram jovens com 25, 29 e 30 anos.
Esta “história triste”, como a qualificou Pedro Damião Ponte no jornal online Olhar Povoacense, vem demonstrar que “a historia do nosso concelho”, a Povoação, “não é feita apenas de bons acontecimentos”.
Uma história que foi partilhada por 21 pessoas e alcançou quase 300 gostos na página do Olhar Povoacense no Facebook.
 Com este artigo, o Olhar Povoacense recorda “estes nossos três irmãos povoacenses que partiram prematuramente ao encontro do Senhor, membros da nossa comunidade, família do Faial da Terra, o José Humberto, Luís Filipe e a Ana Cristina”, escreve Pedro Damião Ponte.
Eram cerca das 23h00 do dia 20 de Fevereiro de 1997 quando os populares da freguesia se aperceberam das chamas, “pouco podendo já fazer para salvar as três crianças que deviam estar a dormir”.
“A mãe tinha-se ausentado à procura de comida para os seus filhos, pois no dia seguinte tinha de lhes dar de comer. O pai tinha-se ausentado de casa nesse mesmo dia”.

Vizinhos nada puderam fazer

“Os vizinhos só se aperceberam do incêndio quando a casa já ardia, tendo-se registado depois uma explosão provocada pelo rebentamento de uma garrafa de gás”.
“Lembro-me particularmente muito bem”, conta Pedro Damião Ponte, “deste terrível incêndio, porque fazia parte do corpo activo dos Bombeiros Voluntários da Povoação e participei nesta missão de socorro. Foi realmente um enorme desastre numa missão inglória contra o tempo. Estávamos a descer a sinuosa e declivosa estrada do Faial da Terra e a ouvir o enorme estrondo da explosão da botija de gás, já aí imaginávamos o pior cenário, o que nunca imaginamos foi que haveria seres humanos envolvidos. Foi desesperante ao chegarmos à rua do Burguete e ouvir os gritos dos populares que indicavam que haveria crianças dentro da casa, as chamas eram enormes, o fumo denso, com a explosão de gás o tecto abateu e pouco havia a fazer para salvar estes três nossos irmãos.

Tinham 2, 4 e 5 anos

José Humberto contava 2 anos de idade, Luís Filipe 4 anos de idade e Ana Cristina 5 anos de idade. “Partiram, assim, prematuramente ao encontro de Deus Pai, diante de uma pequena comunidade destroçada com esta enorme tragédia, consternação, extensiva a todo o concelho da Povoação”.
O Olhar Povoacense recordou, assim, “estes nossos três irmãos. Devemos relembra-los, foram membros integrantes da nossa comunidade, embora curtíssima a sua passagem por este mundo são povoacenses que de alguma forma marcaram quem de perto conviveu com eles, acompanhando-os desde o seu nascimento até ao fatídico dia do seu desaparecimento do mundo dos vivos”, completa o antigo bombeiro voluntário Pedro Damião Ponte”.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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