25 de fevereiro de 2020

Pretensão antiga que se cumpre

Vasco Cordeiro esteve recentemente em Rabo de Peixe e segundo o ditado popular, “de uma cajadada caçou três coelhos”. Foi a Rabo de Peixe inaugurar uma central de produção de distribuição de gelo do Porto e distribuir diplomas de vários cursos ligados à pesca e, no final, não estava na agenda, quis dar uma prenda aos pescadores com a construção de um espaço fechado para os pescadores “fazerem o troley”.
Só tenho de aplaudir a decisão do Presidente do Governo Regional que, contra algum establishment, dado que foi sensível às pretensões dos pescadores e comprometeu-se a avançar com a construção de um pavilhão no Porto de Rabo de Peixe, um investimento destinado a garantir melhores condições de trabalho na preparação das artes de pesca.
Trata-se de uma pretensão muito antiga, mesmo antes da construção das últimas versões do respetivo porto de pesca, pois os homens do mar sempre pediram para que se lhes dessem melhores condições de trabalho, tal como acontece em outros portos dos Açores, mas que toda a gente foi fazendo, ao longo dos anos orelhas moucas.
O pedido feito diretamente pelos pescadores ao Presidente do Governo, em resposta à pergunta clássica, após a inauguração da central de produção do gelo, se eles tinham mais alguma reivindicação a fazer. Não se fizeram rogados e os marítimos de Rabo de Peixe desafiaram Vasco Cordeiro, colocando-lhe nas mãos duas pretensões, ou seja: um espaço coberto para trabalharem, visto durante o inverno rigoroso têm de fazer o seu troley quer haja chuva ou vento ou mesmo no verão, debaixo do sol aterrador, trabalham sem se poderem abrigar das intempéries; a outra foi a necessidade de se disponibilizar na vasta área do porto um espaço para fazerem a manutenção dos seus barcos.
Todos os pescadores foram unânimes em responder que, falando em termos de prioridades, seria a primeira pretensão na opinião deles a ser concretizada, mesmo que se tenha registado discordância por parte de responsáveis oficiais, que continuavam a entender que não se deveria dar ouvidos às reivindicações ali expostas.
A garantia de Vasco Cordeiro foi inusitada e publicamente manifestada aos pescadores desta vila, durante uma visita ao local onde será construída a infraestrutura, após ter inaugurado a nova central de produção de distribuição de gelo. Esta matéria foi por diversas vezes tratada em Assembleia de Freguesia e levada ao conhecimento das diversas instâncias do governo e autárquico, no sentido de ser concretizada esta velha aspiração da classe piscatória, pelo que na altura deu os parabéns ao Presidente do Governo pela coragem em se demarcar do establisement, não fosse ele o Presidente.
A construção deste pavilhão que visa assegurar aos pescadores melhores condições de trabalho, é mais do que uma justiça e vem promover a dignificação da profissão, uma vez que a preparação das artes de pesca, feita ao ar livre, está dependente das condições climatéricas, o que se poderá considerar um avanço em termos de condições de trabalho e possibilitando a rentabilização dos meios e das alfaias piscatórias, evitando-se também atrasos na saída para o mar das embarcações de pesca. De facto será um grande salto qualitativo com uma obra relativamente barata e que tanto ansiaram os pescadores. Eu tive a dita de assistir ao compromisso de Vasco Cordeiro, porquanto sempre me debati por esta aspiração.
A visita de Vasco Cordeiro a Rabo de Peixe teve ainda um momento alto, para além da estrutura da inauguração da estrutura de produção de gelo que foi a entrega de 50 diplomas a pescadores desta vila que frequentaram cursos para as categorias de Mestrança, Arrais de Pesca Local e Arrais de Pesca, assim como de GMDSS – Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima. A formação em Rabo de Peixe constitui uma necessidade imperiosa, como o pão para a boca, na capacitação de tantos jovens que muitos deles não possuem a escolaridade obrigatória, pelo que é uma grande satisfação assistir a uma cerimónia de encerramento de cursos que são verdadeiras ferramentas para os pescadores, pois sem elas terão muito mais dificuldades em progredir na vida profissional.
No dizer do Presidente do Governo, quanto mais se reforçar a qualificação e a formação neste setor, como em todos os outros sectores, mais a atividade piscatória terá melhores condições para ser mais competitiva e, sobretudo, gerar mais rendimento e complementando, direi que melhor promoção pessoal e profissional advirá desta mesma formação.
Como tal, toda a formação dirigida aos jovens pescadores de Rabo de Peixe, como também a outros de outros portos açorianos, é sempre bem-vinda, dado que as ações de formação profissional, como Cursos de Aquisição Básica de Competências (ABC) e por outras áreas formativas como os Primeiros Socorros e a Proteção e Combate a Incêndios, permitem melhorar e habilitar os profissionais da pesca para rentabilizem o seu trabalho no mar ou em terra. 

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Categorias: Opinião

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