Em conferência ontem no Colégio da Europa na Bélgica

Rui Bettencourt diz que a Região “não se pode deixar condicionar” por quem não aceita as medidas de coesão na Europa

Os Açores trazem mais-valias à União Europeia e têm grandes potenciais em termos geo-económicos, que seguem as intenções da Europa sobre a economia azul e das potencialidades do espaço. É por isso que numa altura em que “se colocam travões às medidas de coesão e à construção de um todo europeu”, a Região tem vindo a agir junto do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.
“A nossa posição é que não nos devemos deixar condicionar por aqueles que não entendem a União Europeia no seu todo, e que não entendem que a União Europeia deve ter um tipo de coesão forte, ou seja, deve fazer com que haja uma articulação entre as regiões mais fragilizadas e as regiões mais desenvolvidas e mais fortes”, explica o Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, Rui Bettencourt, antes da intervenção que fez ontem no Colégio da Europa sobre “Açores, uma Região Ultraperiférica profundamente europeia”, no âmbito da conferência sobre “o papel dos Estados do Sul da Europa: perspectiva europeia, nacional e regional”.
A estratégia dos Açores tem sido “contrapor alguma tentação que possa haver de não perceber o que está em causa nesta Europa forte”, e Rui Bettencourt reconhece que “não será fácil” já que a política de coesão tem vindo a receber vários “travões”. Quando falta essa “compreensão” entre as regiões mais desenvolvidas e as mais fragilizadas, é preciso “recolocar com insistência, com pedagogia, com diplomacia, em cima da mesa a importância que a Europa no seu todo, e a Europa coesa, tem de ter”. 

Ganhar aliados na coesão
Nisso os Açores têm vindo a trabalhar, garante Rui Bettencourt, que garante que em todos os fóruns e reuniões “temos explicado que os Açores estão presentes, e que representam muito mais do que aquela pequena percentagem de população que os açorianos representam no todo europeu. É o que temos feito, em todas as Regiões, junto da Comissão Europeia, junto de parlamentares europeus e temos tido cada vez mais aliados e quem nos compreenda”.
Já houve “tempos mais fáceis”, para defender a política de coesão em que assenta a União Europeia, já que “algumas dessas questões estão a ser postas em causa” e a estratégia tem sido “agir com mais intensidade”. A “Cimeira dos Amigos da Coesão”, que decorreu no início de Fevereiro em Beja promovida pelo Primeiro-Ministro Português António Costa, “fez avançar muito a compreensão do que são os Açores e as ultraperiferias. No momento em que se pensa que a Europa deve ter uma dimensão mundial cá estão os Açores, quando se pensa que a União Europeia deve assentar a sua economia na economia do mar, cá estamos nós, quando se fala que a economia europeia deve assentar no espaço, cá estamos nós”, refere Rui Bettencourt que transmitiu tudo isso aos alunos do Colégio da Europa que é “uma escola de preparação para a vida europeia” e de futuros líderes europeus. 
O Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas entende que “tomar a dianteira junto dos mais jovens, dos futuros líderes europeus, é que deve ser a atitude correcta para contrapor aqueles que não estão a entender que a União Europeia tem uma dimensão muito maior, se tiver em conta as regiões mais fracas que estão longe de Bruxelas”. Rui Bettencourt acredita que além do trabalho que está a ser feito no imediato para transmitir todas as mais-valias dos Açores enquanto Região Ultraperiférica, levar essa informação aos jovens líderes europeus torna-se uma acção a pensar no futuro. Serão estes jovens, hoje no Colégio da Europa e amanhã a trabalhar em Bruxelas para os respectivos Estados-Membros, que levarão esta mensagem. “Principalmente aos que estão mais perto: Espanha, França, Portugal, mas também a Estados que possam estar mais longe. E não desistimos dessa pedagogia, da nossa importância, e que isso seja compreendido por todos”, argumenta Rui Bettencourt.

Mais-valias e potencial
Rui Bettencourt foi por isso explicar aos alunos do Colégio da Europa o contexto em que se inserem os Açores e a realidade regional. 
Os Açores “são uma região ultraperiférica, que é profundamente europeia, pela sua história e pelo seu presente e futuro. Esta Região traz mais-valias para a União Europeia e é isso que vamos transmitir aos alunos do Colégio da Europa”, afirma Rui Bettencourt que acrescenta que apesar do estatuto de ultraperiferia, reconhecido pela União Europeia, conferir outras realidades e fragilidades ao arquipélago, podem daqui advir mais-valias para todo o território Europeu e para toda a política europeia. Nomeadamente, afirma Rui Bettencourt, porque com os Açores a União Europeia “tem desde logo uma dimensão oceânica extraordinária. É preciso ver que os Açores, com um milhão de metros quadrados de mar, trazem mais de um quarto do mar da Europa”.
Além disso, a posição geoestratégica “extraordinária” do arquipélago é também uma vantagem para toda a Europa. “Porque estamos na fronteira entre vários mundos, sobretudo o mundo americano e o mundo europeu e estamos na fronteira do posicionamento do Atlântico Norte que é um posicionamento geoestratégico fora do comum”, afirma.
Essa posição geoestratégica dos Açores oferece uma projecção mundial da União Europeia, que é consolidada através da Diáspora Açoriana “onde temos mais de um milhão de açorianos, ou seja, mais de um milhão de europeus, no mundo inteiro. E esses europeus são embaixadores dos Açores e da Europa”.
Além das mais-valias, os Açores apresentam também dois grandes potenciais ao nível geoeconómico. Nomeadamente no mar, no contexto da economia azul, principalmente “no momento em que a União Europeia deseja desenvolver a sua economia azul, não só da pesca, mas de outras riquezas que o mar traz, os Açores estão presentes porque os Açores têm mais de um quarto do mar da União Europeia”, afirma Rui Bettencourt.
Outro desafio importante na geoeconomia dos Açores, e da União Europeia, tem a ver com o potencial do espaço. “Há um sítio espacial da União Europeia, na Guiana Francesa, mas os Açores estão posicionados também com este potencial, através do porto espacial de Santa Maria que está em preparação, com várias instituições europeias”, explica.
São estas “enormes mais-valias” e todo o potencial do arquipélago ao nível geoeconómico “que têm de ser percebida por aqueles que são os futuros quadros da União Europeia. Por aqueles que vão dirigir a União Europeia e vários departamentos em vários Estados Membros. No fundo explicar isso a esta nova geração”. No fundo explicar a “dimensão profundamente europeia” do arquipélago pela sua história nas também “pelo desejo de dizermos “presente” naturalmente fortes nesta Europa que está em construção. Uma Europa que tem dúvidas em relação aos caminhos que deve tomar, muitos desses caminhos podem ser esclarecidos pelo caminho que os Açores têm percorrido, e por tudo o que podem fazer no todo europeu”, conclui Rui Bettencourt.                                          

Carla Dias

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Autor: CA

Categorias: Regional

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