Novas instalações inauguradas hoje junto ao Centro de Saúde

Farmácia da Santa Casa da Ribeira Grande é o principal pilar dos 300 mil euros anuais que a instituição disponibiliza à assistência social

 A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande inaugura hoje as instalações totalmente remodeladas da sua farmácia, junto ao Centro de Saúde da cidade do Norte de São Miguel. Trata-se de, praticamente, “uma revolução a 100% nos espaços para utilização do público e na prestação de serviço pelos funcionários”, afirmou Nelson Correia, Presidente da Mesa da Santa Casa.
A farmácia tem o dobro de espaço para o atendimento público, incluindo um ‘open space’, com quase todos os produtos de dermatologia, perfumes, cosméticos, brinquedos, sapatos especiais, entre outros.
 A área de exposição para o público “é ampla e proporciona uma grande gama de vários produtos aos nossos clientes”, refere Nelson Correia.
Todos os espaços interiores foram remodelados e, como realça Nelson Correia, “não há parede igual à outra numa disposição que permite uma alteração futura de imagem sem grandes custos”.
 Esta remodelação integral e ampliação da farmácia foi um dos compromissos eleitorais da actual Mesa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, que é presidida por Nelson Correia.
A farmácia da Santa Casa é a mais antiga do concelho da Ribeira Grande e, antes das obras de remodelação hoje inauguradas, era “das mais desactualizadas” da ilha de São Miguel.
“As obras eram extremamente necessárias até porque, hoje em dia, os clientes dão muito valor à apresentação dos estabelecimentos comerciais. É verdade que se trata de uma farmácia. Mas não deixa de haver alguma apetência pelas farmácias que têm um outro tipo de atendimento, mais personalizado, e com espaços mais de acordo com as exigências dos utentes”, palavras de Nelson Correia.
Até agora, a farmácia da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande “tinha balcões corridos em que os utentes, praticamente, estavam uns em cima uns dos outros e agora, a farmácia passa a ter seis balcões de atendimento individualizados”. 
Com a remodelação da farmácia, a Misericórdia da Ribeira Grande possibilita a todos os seus trabalhadores uma maior funcionalidade no stock dos equipamentos, proporcionando “mais rapidez e maior eficiência” no atendimento aos clientes. Os medicamentos ficam mesmo na retaguarda de todos os balcões. “Torna-se mais fácil dar resposta às receitas médicas”.
A farmácia passa a ter um monitor que determina as listas de espera de acordo com a chegada dos clientes. Neste monitor são estabelecidas prioridades para os idosos, grávidas e pessoas com crianças. “Haverá três chamadas diferentes em que vamos respeitar, ao máximo, a ordem de prioridades”, disse Nelson Correia. 
A farmácia passa a ter dois gabinetes que, num futuro próximo, um poderá ser utilizado por uma dietista e outro por profissionais para medir a tensão arterial e a diabetes. 
“Todo o ‘lay out’ da farmácia foi alterado. Não há uma parede que seja igual à outra. Tudo é completamente diferente. Podemos alterar a imagem quando entendermos necessário com menos custos do que agora em que se teve de fazer uma remodelação de fundo”, palavras de Nelson Correia. 

300 mil euros anuais para
complementar o apoio
à assistência social

A farmácia é a base de sustentação da área social da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande. Praticamente 80% do défice da Santa Casa, na área social, é suportado pelos dividendos obtidos pelas vendas de produtos, entre os quais medicamentos, na farmácia, o que a torna um pilar importante no apoio aos mais carenciados.
É conhecido que os apoios do Governo dos Açores não são suficientes para abranger toda a actividade social das Santas Casas da Misericórdia e a da Ribeira Grande não é excepção. “Nos contratos valor/clientes, as comparticipações governamentais “estão sempre muito aquém do que investimos na área social. E todas as instituições têm que se socorrer de alguma das suas valências. A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande como é maior, a dimensão é outra e o seu esforço financeiro, a partir dos seus recursos próprios, acaba por ser na ordem de quase 300 mil euros por ano. São recursos próprios que resultam, designadamente, da actividade da farmácia, arrendamento de terrenos e de edifícios. Tudo isso é canalizado para a área social”, palavras de Nelson Correia.
É, principalmente por isso, que a Santa Casa da Ribeira Grande entendeu dar uma maior atenção à farmácia, fazendo um investimento significativo na remodelação que é hoje inaugurada, como forma de fidelizar mais os clientes na expectativa que surgem outros que se sintam bem nas novas instalações.
 A Mesa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande chegou a perspectivar a realização de um investimento na aquisição de um robô que, de forma electrónica, pudesse ir às prateleiras buscar o medicamento que lhe fosse solicitado. Contudo, à partida, a farmácia não tinha espaço para a sua instalação e, por outro lado, o robô implicava, no imediato, o despedimento de alguns funcionários, “o que pesou na nossa decisão de não o instalar. É que ficávamos com postos de trabalho a mais. E, por estas razões, “ficou afastada, por enquanto, a possibilidade de adquirirmos o robô. Isso não quer dizer que não o venhamos a adquirir num futuro próximo, utilizando o espaço de um quintal exterior da farmácia”, explicou Nelson Correia.
O Presidente da mesa da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada está moderadamente optimista com a evolução da política do medicamento em Portugal e nos Açores. 
Recorda a situação de alguns anos atrás em que “muitas farmácias faliram” para, depois, explicar que a farmácia “não vive só do medicamento. Vive também de outras áreas como a dermocosmética. E, no global, o negócio tem vindo a crescer ligeiramente. Mas muito devagarinho”, disse.
Completou que “a nossa rentabilidade na farmácia passa um bocadinho também pelas condições de negociação com os nossos fornecedores que têm sido fortes e isto liberta-nos mais alguma margem”, concluiu.

Santa Casa com
trinta valências

A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande dá assistência a 30 valências e a mais relevante é o Serviço de Apoio ao Domicílio que presta assistência a cerca de 150 utentes com serviço de higiene, alimentação e cuidados pessoais.  
O CAO – Centro de Actividades Ocupacionais é também um dos serviços mais relevantes da Santa Casa, com o auxílio a cerca de 45 jovens entre os 15 aos 50 anos com alguns problemas de deficiência. “Esta é uma área a que dedicamos também muita atenção”, afirma Nelson Correia.
O Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande é considerado “o melhor” do arquipélago. “Fizemos obras em 2018 em que investimentos 400 mil euros no Centro de Dia para dar mais conforto aos cerca de 50 utentes com mini -ginásio, novas tecnologias para poderem fazer chamadas para os seus familiares, nomeadamente nos Estados Unidos da América, através de uma aplicação informática diferente. Os utentes têm ainda uma biblioteca e o refeitório também foi todo renovado. Além disso, podem ainda usufruir de uma estufa exterior e de um jardim”.
Trata-se, afinal, de um Centro de Dia que, no entender de Nelson Correia, “está completamente virado para o século XXI porque entendemos que temos de valorizar as pessoas, dar-lhes mais conforto e trazer um outro tipo de utente. Há muitos utentes que, à partida, julgam que vão para o Centro de Dia jogar às cartas ou dominó todo o dia. Não é assim. Temos uma gerontóloga que se mostra sempre preocupada com os nossos utentes”.
“Infelizmente”, prossegue Nelson Correia, “tínhamos no Centro de Dia cerca de 40% de utentes com mobilidade reduzida, o que nos preocupava bastante. E, neste momento, há utentes que já estão com outras atitudes que não tinham antes de o Centro de Dia ser remodelado. 
A remodelação do centro teve uma comparticipação de 50% do Fundo Rainha Dona Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “Foram eles que nos deram força para que fizéssemos estas obras de remodelação”, confessou o presidente da mesa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande.
Em termos mais globais, a  Santa Casa da Misericórdia de Ribeira Grande tem cerca de 550 jovens a quem presta serviços deste ATL’s, creches e jardins-de-infância, para além do centro de actividades ocupacionais e ainda o centro ambiental onde se faz a reciclagem e muita sensibilização para o ambiente. Esta valência do Ambiente está localizada num terreno cedido à Santa Casa da Misericórdia no espaço da feira pela Associação Agrícola de São Miguel. Neste espaço existem aquários que são visitados pelas crianças dos ATL’s e escolas públicas.
Além das 550 jovens e crianças, a Santa Casa tem cerca de 272 utentes idosos nos dois centros de Dia, um dos quais nas Calhetas e no Serviço de Apoio ao Domicílio. Com os seus actuais 215 funcionários, presta auxílio, ao todo, a 770 utentes.
A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande não tem Lar de Idosos que, no entender de Nelson Correia, “é o calcanhar de Aquiles das Instituições de Solidariedade Social neste momento” . 

Espaço museológico  
da farmácia

Num espaço contíguo à farmácia, a Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande tem um espaço museológico onde tem em exposição equipamentos antigos que são um traço entre o passado e o presente.
A conclusão rápida das obras das instalações renovadas da Farmácia foi possível pela “sorte em encontrar” um espaço a 50 metros, propriedade de Luís Batista e esposa, a quem a Mesa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande agradece publicamente.
  É também “realçado o esforço” dos funcionários da Farmácia na sua transferência bem como na adaptação que fizeram às condições do espaço provisório de “uma forma Misericordiosa”.
 A mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande que tomou posso em 2014 é composta por Nelson de Jesus Tavares Correia, António Pedro Costa, José Maria Teixeira, Fernando Maré e Urânia Pereira .
O projecto de remodelação da farmácia foi, assim, executado, no segundo mandato desta equipa.
                             
                                      

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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