1 de março de 2020

Do meu olhar

Voltamos aos tempos antigos !

  1. A Saúde está em primeiro lugar para qualquer governo, seja ele de direita ou de esquerda, do centro ou de qualquer extremidade ! Não se brinca com a saúde de ninguém, seja rico ou pobre, novo ou velho, com ou sem segurança ou seguro ! Nem que o Orçamento tenha de ser revisto vezes sem conta , tenha até que apresentar défice por esse motivo, que as receitas não são dos governantes mas sim dos impostos dos cidadãos , que pagam e não refilam, apesar de protestarem pelo peso da máquina do Estado. 
  Há dias passei por uma senhora de meia idade que estava debruçada à janela, coisa já rara de se ver na cidade , que me disse que há muito se queixa de uma perna e que até às vezes custa a andar. E que, em Janeiro passado, recebeu uma carta do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada a informá-la que a sua consulta de Ortopedia ou coisa que o valha , estava marcada para 2021!  A senhora custou a acreditar e eu respondi-lhe que a consulta era daqui a um ano! 
Também custei a acreditar! Então pensei no que poderia, aquela utente do Serviço Regional de Saúde,  fazer para resolver a sua situação. Reclamar de nada lhe vai valer , indignar-se de pouco lhe vai servir , falar mal do Governo não vai alterar a sua consulta e ir para o privado o seu orçamento não o  permite ! Então só lhe resta esperar , de preferência sentada por causa das dores, cruzando os braços ou rezando que agora é Quaresma e pode que haja algum milagre ! E ainda há quem tenha o descaramento de dizer que a saúde está boa, que tudo corre às mil maravilhas, que ninguém morre à espera de nada , que as estatísticas mostram que a realidade é bem diferente ,incluindo  gráficos e mapas ! Uma tristeza!

  2. Li e reli com toda a atenção o artigo do nosso estimado amigo, jornalista Tomás Quental Mota Vieira,  intitulado “ Bem hajam romeiros da ilha de São Miguel”,  e desde logo,   apetecia-me  subscrever por baixo, como se costuma dizer!
 Naquele bem elaborado trabalho estão todos os ingredientes, toda a realidade, todos os sentimentos e toda a verdade sobre uma manifestação de fé  única no mundo e que foi herdada dos nossos antepassados,  com todos os pergaminhos evangélicos passados de boca em boca  com o coração e com a memória,  cujo limite era apenas a força da fé que brotou  nos momentos de aflição, quando as entranhas desta terra de lava roncaram tremendamente e escorreram pela exuberante natureza da ilha.
Passado este longo tempo é consolador verificar que a fé deste povo se mantém forte e genuína e que os romeiros continuam a  espalhar pela ilha odores de graça e de  santidade e que o eco da oração cantada por veredas e caminhos se espalha por aldeias e cidades , como sinal da sublime riqueza  que o nosso povo herdou de pais e avós.
 Basta respeitar a tradição e não tentar regulamentá-la de tal forma que ela possa perder o sabor e a  graça brotadas do coração de cada um ,  que carrega no seu íntimo as agruras e a cruz da vida , as aflições , os desejos mais profundos e os agradecimentos mais emotivos,  que só o coração de cada um pode decifrar  com verdade e autenticidade. Basta respeitar e não obrigar como tentam fazer alguns clérigos , que até não são grandes apologistas de romarias!  
Não se queira,  com tantos formalismos e exigências , resfriar este acontecimento de fé quaresmal que a todos entusiasma e acalenta , mesmos os que não são religiosos. 
O que é necessário é que exista  sempre um bom acolhimento na preparação, na saída , nos dias de caminhada sofrida e na entrada na Paróquia e um indispensável acompanhamento por parte dos párocos e da comunidade . E, acima de tudo, que haja respeito por esta rica tradição de fé e de esperança e pela força que brota de cada rosto que participa,   com sacrifício,  na romaria quaresmal. 

                         

 

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Categorias: Opinião

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