Ricardo Medeiros, Director do Apoio ao Investimento e Competitividade

36 empresas açorianas lançam novos negócios no SISAB 2020

 O Director Regional do Apoio ao Investimento e à Competitividade, Ricardo Sousa Medeiros, foi o rosto visível do Governo Regional na cerimónia de inauguração do SISAB PORTUGAL 2000 e foi também ele, acompanhado de Marisa Toste, Administradora da SDEA, que recebeu, no espaço dos Açores, a visita do Presidente da República e sua comitiva.
Foi igualmente ele que, ao fim da tarde do primeiro dia da SISAB, falou à comunicação social que cobre o evento no decurso de um breefing em que fez um balanço do esforço do Governo dos Açores, em termos de regulamentação e de apoio à modernização e à promoção das estruturas produtivas regionais, em toda a cadeia de produção do sector agro-alimentar da Região.
A preceder aquela intervenção pública, o Correio dos Açores entrevistou Ricardo Medeiros que, em conversa corrida, nos foi dando conta de todo o processo.
Começou por confessar que “a visita do Presidente da República ao nosso Pavilhão e a forma como ele experienciou e exprimiu esta visita foi muito importante para nós porque, sendo uma pessoa amplamente conhecedora dos Açores, também é uma pessoa que adora a Região e os produtos açorianos”. 
“Como tive oportunidade de percorrer com ele todos os stands, apercebi-me do conhecimento que ele tem da realidade açoriana, conhece os seus produtos, conhece já muitas empresas e os seus responsáveis – isso foi perfeitamente evidente durante a visita – e isso mais nos leva a acreditar, até pela expressão de órgãos de comunicação social que arrastou consigo, que esta sua presença no seio dos empresários açorianos presentes na SISAB, foi uma óptima montra promocional, perante todos os portugueses, do que se faz na nossa Região”, disse.
“E isto, admitiu, tem muita importância para os empresários aqui presentes, até porque eles acalentam fortes expectativas relativamente a esta sua participação no certame com vista a darem continuidade ao trabalho que aqui desenvolvem, resultante do contacto com outras realidades diferentes, e também graças aos apoios que encontram na Região para evoluírem e consolidarem as suas empresas”, concretizou Ricardo Sousa Medeiros ao Correio dos Açores.

“Este é um caminho para continuar”

O Director Regional, falando em concreto do evento, referiu que “a Região participa neste evento desde a primeira edição e, das 25 edições realizadas, falhámos apenas a três, o que reflecte a aposta muito forte que o Governo Regional, através da SDEA e em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores, faz neste salão empresarial. Embora os nossos produtos já tenham qualidade, é sempre necessário dar-lhes visibilidade, o que pode ser feito de várias formas, nomeadamente cada um agir por si próprio, desenvolver as suas campanhas promocionais dirigindo-se directamente aos órgãos de Informação e às empresas de marketing, dando-se a conhecer a elas próprias e aos seus negócios”.
“No entanto, consideramos importante trazer as empresas aqui, a um evento com esta dimensão – e não nos podemos esquecer de que este é o maior certame nacional da especialidade, a nível da exposição de produtos nacionais e da presença de compradores estrangeiros, segundo a organização com uma expressão de 1.700 visitantes oriundos de mais de 130 países de diversos continentes –o que se traduz numa oportunidade de negócios e numa divulgação muito para além das nossas fronteiras”.
“E, em concreto, o mais importante é que nós consideramos que o que se passa aqui é a primeira fase do processo, ou seja, os contactos que essas pessoas estabelecem com os nossos produtores e com as nossas empresas, contactos que, depois, tanto por elas como pelos nossos empresários, têm que ser trabalhados ao longo do ano – que é o que, de resto, tem vindo a ser feito”.
Questionado o Director Regional sobre se os resultados já conhecidos face à relação custo/benefício do investimento aponta na continuidade ou se esta aposta já está esgotada, Ricardo Medeiros defendeu que “este é um caminho há pouco tempo iniciado e que tem de ser continuado para poder dar os frutos desejados”, avançando ser “necessariamente, uma aposta para continuar, até porque os números não deixam mentir. Em 2018, face a 2017, os produtos Marca Açores cresceram 27 por cento e, ainda hoje, vamos divulgar os dados de 2019, que continuam a ser muito interessantes - porquanto os produtos desta marca tiveram um volumoso crescimento, precisamente 28 por cento, em 2019, relativamente a de 2018,ao passo que também o Programa ‘Competir +’ já ultrapassou as 1.300 candidaturas, estando acima dos 635 milhões de euros de investimento, por parte das empresas, sendo a previsão do crescimento na criação de novos postos de trabalho para números superiores a 3.200 trabalhadores.”

A adesão dos empresários
foi fundamental...

O nosso interlocutor considera que, nos vários projectos adoptados, nomeadamente em torno da adopção e implementação da Marca Açores, reside a chave do sucesso, pois aqueles números “significam a decisão estratégica da Região em lançar a Marca em 2015, com números expressivos como os que agora divulgamos, resultam precisamente disso. Temos mais de 200 empresas já certificadas e mais de 3.800 selos de produtos já atribuídos, o que demonstra que a nossa estratégia está a ter bons resultados, se justifica e merece ser continuada”.
Abordando ainda esta questão, prosseguiu, reconhecendo que “dos instrumentos que criámos, quem mais proveito deles retirou foram precisamente os destinatários nós pretendíamos atingir – as nossas empresas e os nossos empresários. Se não tivessem aderido a esta estratégia, as nossas medidas poderiam não ter resultado. A Região pôs ao dispor do tecido empresarial vários instrumentos de apoio e benefícios revestidos das mais diversas formas – apoio ao investimento privado, criação de empregos, promoção dos produtos, apoio à exportação, etc. – mas se as empresas não tivessem sido receptivas e disponíveis para apanharem o comboio que passava e disponíveis para colaborarem e avançarem connosco, então nada disto teria resultado”.
“O facto é que o se deveria fazer está a ser feito e, na verdade, com óptimos resultados, como se deduz do principal indicador, que é o significativo aumento de vendas do produto Marca Açores, o que nos incentiva a prosseguir o trajecto desenhado, imprimindo-lhe naturais ajustamentos de percurso que as circunstâncias recomendarem”, realçou.

Turistas impulsionam hotéis
a vender produtos regionais

Quisemos saber se a todas as ilhas foram dadas condições de acesso aos instrumentos de apoio  criados e, também, se o rácio custo/benefício foi idêntico em todas as ilhas ou se existem assimetrias que o impedem.
Sobre estas questões, respondeu o nosso interlocutor dever esclarecer que a Marca Açores “é uma estratégia não só do Governo mas também das empresas. E nós temos, em cada uma das nove ilhas, diferentes dinâmicas porque também são diferentes as suas empresas e as condições em que se movimentam”. 
“E pode ver-se, aqui na SISAB, em que temos 36 empresas, oriundas de várias ilhas, que cada uma está a fazer as apostas que a cada uma delas interessa no tocante à promoção e escoamento dos seus produtos”. 
“Também não nos podemos esquecer de um facto muito importante: o tecido produtivo açoriano, sobretudo nas ilhas de menor dimensão, é maioritariamente constituído por microempresas e, estas, poderão não sentir a necessidade de vir a certames desta dimensão para fazer a sua promoção, porquanto toda a sua produção é canalizada para o mercado interno. E, isto, tem a ver com outro aspecto, que se prende com a liberalização do espaço aéreo – as empresas deixaram de estar pressionadas a terem de vir vender os seus produtos aqui para o continente. Agora são os turistas que vão aos Açores consumi-los. De resto, quem visita os Açores vai também pela sua gastronomia, pelos seus produtos e, nos hotéis, tal como nos restaurantes, a primeira questão que colocam é a de se os produtos utilizados nas confecções são açorianos: se a carne, o peixe, os ingredientes tradicionais são realmente oriundos da Região. Já são os próprios turistas a colocar estas questões, a fazer estas exigências e, isso, tem uma importante para as microempresas do agroalimentar, que assim se desobrigam de sair dos Açores para desenvolver a sua actividade”.
Por isso mesmo, acrescenta Ricardo Sousa Medeiros, “as empresas que aqui estão no SISAB já têm alguma dimensão e, para além do abastecimento do mercado regional, têm ainda de procurar no exterior mercado para o escoamento dos seus excedentes. Não é por acaso que as exportações aumentaram 25 por cento o ano passado, ao passo que as importações diminuíram igualmente 25 por cento. Este é um indicador muito importante, pois quando estou a dizer que as importações diminuíram, isso não quer dizer que o consumo diminuiu. Se se consultarem as estatísticas do consumo nos Açores, eles dizem-nos precisamente o contrário, que ele vem aumentando de mês para mês. Com isto quero dizer que, hoje, já não temos de trazer de fora os bens alimentares que importávamos – a produção local está praticamente a satisfazer a procura”.
“Isto acontece, sobretudo, na área agro-alimentar, porquanto já existem várias organizações agrícolas e clubes de produtores que praticamente estão a suprir a anterior insuficiência de produtos. Esta mudança consegue-se, concretamente, com o diálogo que mantemos com as empresas, no decurso dos quais nos vamos apercebendo das suas necessidades, na sequência do que lhes propomos as formas como as podemos ajudar a evoluir, ao ritmo das exigências do mercado e da sua própria capacidade produtiva”.
“Isto significa ainda que as nossas empresas, porque estão a produzir e a abastecer os mercados locais, justificam plenamente os apoios que o Governo lhes concede. Mas significa também que, apoiando as nossas empresas, estamos a dinamizar o mercado de trabalho local, com a criação de novos empregos, contrabalançando que não estamos a fazer esforços financeiros com importações.”

Diminuir custos de produção
para ser mais competitivo

Nesta linha de pensamento, o Director Regional admitiu que, “para o Governo dos Açores, há ainda um outro facto importante a considerar: o de que as empresas que produzirem mais não tem exclusivamente a ver com a mera quantidade ou a qualidade produzidas mas, sim, com a própria competitividade. A Região tem colocado ao dispor das empresas bons incentivos, com taxas muito apelativas ao nível do desenvolvimento estratégico, como seja o aumento da capacidade de produção instalada, com a modernização das instalações, com o aumento da frota de viaturas para a distribuição, tendo ainda incentivos virados para a produção de bens transaccionáveis, para o aumento da capacidade da oferta ao serviço do turismo. Isto significa que uma empresa, porque se moderniza, consegue também diminuir os seus custos de produção e, quando isso acontece, está a tornar-se mais competitiva”.
“Se têm clientes exigentes, não só quanto à qualidade, mas também ao nível dos preços, os importadores exteriores também começam a adquirir mais os nossos produtos… Deve acrescentar-se que as melhorias conseguidas não são devidas exclusivamente ao Governo Regional. O mérito tem de ser repartido com as nossas empresas, com os nossos empresários, que souberam aproveitar e tirar partido dos mecanismos postos ao seu dispor, pois sentiram-se desafiados e motivados, inspirando a que a confiança que se vive no seio da nossa economia seja preponderante e fulcral – se não mesmo decisiva – para o crescimento ao longo dos últimos anos registado no PIB regional, pois até o índice da actividade económica que mede uma série de factores dinâmicos da economia diz-nos que esta também está a viver em crescimento constante”.
“Não obstante tudo isto, há ainda muito trabalho a fazer”, reconheceu o Director Regional de Apoio ao Investimento e à competitividade. “Há muitas empresas que têm de continuar a perseverar, na sua adequação às exigências dos mercados, à concorrência, à consolidação da Marca Açores para os seus produtos, em suma, a prosseguir o bom trabalho em curso, sendo a expectativa gerada a de que, num futuro não muito distante, ainda possamos ter novos e bons produtos a aparecer. Com esta nossa convicção queremos transmitir a confiança em que o nosso tecido empresarial está plenamente consciente de que, só trabalhando e com o auxílio das medidas implementas pelo Governo Regional, é que poderemos chegar todos onde queremos, que é atingir um desenvolvimento maior e melhor para todos – quer residentes quer visitantes – até porque os fluxos turismos não mentem: têm sido bastante expressivos ao longo dos últimos anos.

José Nunes, em Lisboa
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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