Primeira queijaria de Santa Maria entra em Abril na fase de testes para iniciar laboração de um queijo de ovelha distinto

Depois de terem importado de França cerca de 100 ovelhas da raça Lacaune, que foram divididas por quatro produtores da ilha de Santa Maria, já foram feitas as primeiras experiências na produção de queijo que em algumas provas tem sido descrito como “espectacular”. Esta é a indicação de Aníbal Moura, Presidente da ARCOA - Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos de Santa Maria, que explicou recentemente ao Correio dos Açores que o objectivo daquela importação de ovelhas de leite em 2017 era a construção de uma queijaria ainda no ano passado para que se dinamizasse a economia da ilha e se desse uma lufada de ar fresco aos produtores da ilha. Isso agora vai ser possível. 

Governo comprometido 
com a queijaria

No âmbito da visita estatutária à ilha de Santa Maria, o Secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou que o Governo dos Açores está comprometido com o investimento da primeira queijaria na ilha de Santa Maria, fruto do carácter inovador, qualificador e valorizador da produção agrícola mariense que representa este projecto da ARCOA - Associação de Criadores de Ovinos e Caprinos.
“A produção de leite de ovelha para transformação em queijo constitui-se como mais um factor de dinamização e inovação na agricultura, potenciando o desenvolvimento económico deste sector em Santa Maria”, referiu João Ponte, salientando que o Governo Regional tem apoiado este projeto, que irá permitir colocar no mercado um queijo diferente e distinto.
O governante, que falava à margem da visita às obras da queijaria da ARCOA adiantou que os apoios públicos já atribuídos, bem como outros que se seguirão, vão possibilitar concluir a realização de obras de requalificação do edifício onde funcionará a queijaria, bem como a aquisição de equipamentos para a laboração do leite.
“Esta nova queijaria, que entrará em Abril em fase de testes, ficará habilitada a transformar tanto leite de ovelha como de vaca, possibilitando uma laboração mais abrangente, o que reforça a sua sustentabilidade e rentabilidade”, frisou João Ponte. 
A intenção é que a queijaria consiga laborar uma média de 200 litros de leite de ovelha por dia, criando assim um queijo de forma artesanal e também queijo fresco “que é uma maneira de dar rentabilidade à queijaria porque só leite de ovelha é pouco e temos de ter alguma rentabilidade”, explica. Em Santa Maria actualmente não há nenhuma queijaria e esta da ARCOA, que conta com o apoio da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, “vai ser uma mais-valia porque estamos a mandar vir queijo fresco de São Miguel e vai poder ser feito aqui”, destaca o Presidente da Associação que também foi um dos quatro produtores a apostar nas ovelhas de raça Lacaune.
Reconhecendo que a produção de leite em Santa Maria será “sempre pequena” já que a ilha é mais vocacionada para a produção de carne, Aníbal Moura destaca que “a nossa intenção não é estar a criar uma coisa que depois não sabemos como vai ser. 
Vamos devagar, com os pés bem assentes na terra, sem querer embarcar em coisas grandes. Não vamos fazer uma fábrica nem uma queijaria grande”. Mas entretanto já começaram a ser feitas algumas experiências na produção do queijo de ovelha. “Tiramos o leite, fazemos o queijo em nossas casas, fazemos algumas provas e o queijo é espectacular”, reforça Aníbal Moura que acrescenta que sem grandes técnicas e sem grandes conhecimentos sobre o queijo “fazemos o queijo e ele é bom, quando houver a queijaria vai ser muito bom”, conforme disse ao nosso jornal.
Confirmando que a ARCOA está a criar todas as condições para ajudar os produtores e a economia da ilha, Aníbal Moura dá conta do empenho da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas neste projecto e acredita que em breve outros produtores se queiram juntar e apostar na raça francesa de ovelhas. 
“Acredito que no futuro sejam mais dois ou três produtores. No princípio estão à espera de ver o que vai dar, porque há sempre aquele receio do futuro”, explicou ao Correio dos Açores.

ARCOA apoiada em 52 mil euros
 e cedência de terrenos

O Conselho do Governo decidiu apoiar a ARCOA  com um montante global de cerca de 52 mil euros, designadamente no acompanhamento técnico especializado à criação de ovinos, na vertente da preservação e melhoramento genético, mas também na promoção do bem-estar animal, das boas práticas agrícolas e da protecção ambiental, bem como para a realização de iniciativas como a Festa da Tosquia, que se realiza de 30 de Maio a 30 de Junho.
Estes apoios, segundo a nota do GaCS,  inserem-se na estratégia de diversificação da produção agrícola na Região, contribuindo para o desenvolvimento da pecuária ovina em Santa Maria, ilha onde esta atividade tem um historial importante e reconhecido; Autorizar a cedência de utilização, a título gratuito, pelo prazo de 20 anos, à ARCOA de terrenos situados no perímetro do Aeroporto de Santa Maria, tendo em vista a produção de leite de ovelha e a sua transformação em queijo, com uma área global de cerca de 370 mil metros quadrados.
Através de uma resolução, o Executivo açoriano autorizou a referida cedência pelo prazo de 10 anos, no entanto, considerando a dimensão financeira dos projectos previstos para aqueles terrenos e a sua sustentabilidade, nomeadamente a instalação de um ovil e sala de ordenha, a ARCOA solicitou a alteração do período de cedência, solicitando que o mesmo passe de 10 para 20 anos, pretensão que foi aceite pelo Executivo açoriano.
            

N.C./C.D./GaCS
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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