Vitivinicultura é um “sector pujante” com impacto económico, social e ambiental

Experts de toda a Europa debatem, no Auditório da Madalena, a cultura da vinha e do vinho, num profícuo encontro entre diferentes regiões do Atlântico e do Mediterrâneo, unidas pela sua incontornável tradição vitivinícola.
O Auditório da Madalena é, ao longo desta semana, palco do Congresso Internacional Vinum Vita Est – Culturas da Vinha e do Vinho: Entre o Mediterrâneo e o Atlântico, coorganizado pela Universidade Nova de Lisboa e pela Universidade Aberta, em estreita parceria com o Município.
Reunindo na Madalena académicos de Portugal, Espanha e França, entre outros experts neste domínio de diferentes instituições e empresas, o colóquio irá promover  uma reflexão sobre este tema de forma multidimensional, salientando a importância e a presença desta cultura na literatura, na etnografia, na paisagem e até mesmo do ponto de vista sensorial. O Director Regional do Desenvolvimento Rural afirmou ontem, no Pico, que a vitivinicultura é um “sector pujante e dinâmico”, cujo crescimento tem tido um impacto muito positivo do ponto de vista económico, social e ambiental nos Açores.
“Está em causa um sector cujo impacto económico local e regional é inegável, ao nível da criação de riqueza, de emprego e de novas oportunidades de negócio. Por outro lado, é um sector que tem contribuído para a preservação ambiental, a recuperação da paisagem, a ocupação do solo e para ampliar a diversificação agrícola na Região”, referiu Valter Braga, acrescentando que a vinha e o vinho também marcam a literatura e a gastronomia açoriana.
O Director Regional falava na sessão de abertura do Congresso Internacional ‘Vinum vitae est – Culturas da Vinha e do Vinho: Entre o Mediterrâneo e o Atlântico’, no Auditório da Madalena, um evento que conta com a presença de oradores convidados de Portugal, Espanha, França e Itália para refletir sobre o presente e os desafios do futuro deste sector.
 Valter Braga destacou que tanto o crescimento do número de produtores de vinho nos Açores, que passou de 246 em 2012, para os atuais 517, bem como dos hectares de produção, que passaram dos 197 hectares em 2012, para os atuais mais de 1.000 hectares em produção de vinha certificada, são exemplos concretos do desenvolvimento que este sector tem registado.
Para o Diretor Regional, este crescimento deve-se, em larga medida, aos apoios concedidos ao abrigo do programa VITIS, que já permitiu realizar investimentos de cerca de 21 milhões de euros, sendo que grande parte deste investimento foi concretizado na ilha do Pico, onde já foram reconvertidos e recuperados mais de 700 hectares de vinha.
“Apesar deste trajecto positivo, o Governo dos Açores ambiciona mais, porque reconhece valor e potencial à vitivinicultura, daí que, no final do ano passado, voltamos a abrir um aviso do VITIS, no valor de quatro milhões de euros, para permitir aos produtores regionais continuarem a investir na recuperação das vinhas”, salientou.
Valter Braga considerou ainda que a aposta na notoriedade dos vinhos é outro grande desafio que é necessário vencer e no qual o Executivo tem trabalhado, apontando como exemplos a realização da sessão plenária da Assembleia das Regiões Europeias Vitícolas (AREV), no ano passado, no Pico e no Faial, e a concretização de uma APP e Guia, em versão bilingue, para dar a conhecer os vinhos certificados, bem como a decisão do Governo Regional, tomada em 2019, de realizar este ano, no Pico, o Fórum da Vinha e do Vinho.
 Outro desafio que importa vencer, segundo Valter Braga, é a necessidade de encontrar novos investidores e novos mercados capazes de valorizar ainda mais os vinhos únicos e genuínos dos Açores, garantindo, simultaneamente, a sustentabilidade ambiental, um dos maiores activos da Região.
 “Esperamos que estas jornadas permitam, efectivamente, um proveitoso debate sobre as culturas da vinha e do vinho, no contexto do crescente dinamismo que a Ilha do Pico tem adquirido, enfatizando ainda o encontro entre territórios culturais distintos, onde a vitivinicultura detém grande importância”, salientou José António Soares, Presidente da Câmara Municipal da Madalena.
 “Colocando à luz da ciência esta temática, acredito que este congresso irá alavancar a difusão do conhecimento fundamental na construção de sociedades mais resilientes”, mencionou ainda o edil.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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