6 de março de 2020

Outubro perfila-se


As eleições regionais de outubro sentem-se com cada vez maior intensidade. As candidaturas alinham-se, os partidos movimentam-se, as forças da sociedade tornam-se mais atentas aos debates, às propostas, aos programas e à eloquência dos proponentes. 
Caminhamos com normal ansiedade para mais um ato eleitoral que elegerá cinquenta e sete parlamentares no hemiciclo regional. E cada partido político – porque é essa a razão de ser da democracia representativa – tentará ocupar o maior número de lugares no parlamento dos Açores, com vista a, tendo maioria, poder governar esta região ultraperiférica composta por nove territórios, dispersos entre si.
As várias forças políticas encontram-se em momentos diferentes de afirmação da sua capacidade eleitoral e intervenção na comunidade. Algumas, perante a existência de guerras internas, têm adiado as reuniões magnas, ou, por falta de candidatos, encontram-se sem líder eleito.
 Outras há que, perante novos líderes, trazem consigo as mesmas caras, os mesmos intervenientes e alguma política que soa a passado. E no fim de contas, como sempre, o povo terá na mão a possibilidade de escolher. O voto assim o determina. 
O CDS continua à espera de congresso. O partido tem passado por algumas vicissitudes, desde que o presidente da câmara municipal das Velas, e antigo deputado, tentou disputar a liderança com Artur Lima. Pelo meio, Graça Silveira perdeu a confiança política da direção centrista e passou a deputada não-inscrita. 
Esta situação foi, talvez, a mais visível das fraturas que a liderança centrista criou, para além de acusações de irregularidades com vista a estender, no tempo, a marcação do congresso que poderia apear o líder. 
Até ao momento em que escrevo, os democratas-cristãos continuam sem «os recursos» para a realização da reunião maior do partido. Ainda assim, o facto de Artur Lima ter assumido uma das vice-presidências nacionais centristas, acaba por lhe garantir algum reforço interno. 
O PCP terá congresso no início de abril e, segundo o que é publicamente conhecido, não existe, ainda, disponibilidade de um qualquer militante para assumir a coordenação do partido na região. 
O atual coordenador, que substituiu Vítor Silva que saiu por razões pessoais, não deverá manter-se, a não ser que não se encontre, no arquipélago, alguém que possa assumir essas funções. Em relação ao Bloco de Esquerda, a atual liderança irá a votos nessa qualidade, já sem a presença e as qualidades de Zuraida Soares, o que levará a um resultado que é pouco mais do que uma incógnita. 
O deputado do PPM, eleito pelo Corvo, tentará um último mandato, agora mais fragilizado. As inúmeras peripécias nas quais se envolveu ao longo do tempo, algumas com repercussões nacionais, acabaram por fragilizá-lo politicamente. O PAN corre para se estrear no hemiciclo, e apesar de só agora voltarem a ter alguma intervenção política pública, os resultados das últimas regionais abrem boas perspetivas. 
Por fim, os dois partidos que têm exercido o poder na região. O PSD, agora com um líder recentemente eleito, irá tentar apossar-se da maioria que lhe conferirá o poder de governar. 
O PS, dirigido por Vasco Cordeiro, trabalhará para o manter. E se será difícil a Bolieiro fazer mais do que os seus antecessores, a realidade é que não se vislumbra cansaço ou soberba aos dirigentes socialistas, o que dificulta a vida ao desafiador. E, ouvindo a entrevista de Vasco Cordeiro, percebe-se precisamente isso.
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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