COMÉRCIO com tradição!.... 3 - Tiago Sá, gestor da Londrina

“Acredito que os dias piores já passaram para o comércio tradicional”

 Correio dos Açores -  O Tiago é da nova geração de empresários do comércio tradicional. Que futuro vê neste negócio?
Tiago Sá (gestor da Londrina) - Eu gosto de acreditar que o futuro pode ser risonho. É preciso trabalhar bastante, mas acredito que o comércio tradicional não vai acabar. É preciso arregaçar as mangas e continuar a trabalhar. Se não acreditasse no negócio mais valia procurar outra coisa para fazer.

O comércio tradicional, para si, vem de família? Pode descrever a história familiar ligada ao comércio tradicional?
O meu pai começou a trabalhar aqui na loja desde os 13 anos até a data, enquanto eu comecei um bocadinho mais tarde. A partir dos 15 anos, passei a vir ajudar nos fins-de-semana, nas férias de Verão e no Natal, porque o Natal é sempre uma época com muito mais movimento do que o resto do ano e, naquela altura, toda ajuda era bem-vinda. Comecei por lavar as montras, arrumar o armazém, e fazer as voltas que eram preciso, até acabar o curso profissional e então ai dedicar-me a 100% à Londrina. 

Quando almoça ou janta fora de casa em negócios ou com a família, que tipo de restaurante prefere?
Eu gosto muito de ir comer fora. Quem me conhece sabe que só preciso de um pretexto, mas prefiro um restaurante onde me sinta bem, onde seja bem recebido. Se for eu a escolher, normalmente, inclino me mais para um restaurante em que o forte seja a carne.

Quando tem necessidade de comprar mobiliário, onde o compra?
Até agora nunca tive que comprar muito mobiliário, mas quando tiver que comprar irá ser, quase de certeza, numa empresa da Região.

Compensa tomar o avião em Ponta Delgada e ir comprar roupa em Lisboa ou Porto?  
Se compensa ir de propósito ao continente para comprar roupa, acho que não porque, actualmente, o que existe no continente nós temos igual mas numa proporção mais pequena. Os nossos preços são iguais aos praticados no continente porque as marcas com que trabalhamos já vem com os preços tabelados. No Continente acaba-se, sim, por ter uma oferta maior.

Como se encontra o comércio tradicional em Ponta Delgada? Há um regresso dos locais das grandes superfícies ao comércio tradicional? 
Actualmente acho que o comércio tradicional se encontra saudável. Quero acreditar que os dias piores já passaram, mas é preciso continuar a trabalhar muito e não dar passos maiores que as pernas.
Em relação aos clientes, já se nota mais o regresso das pessoas ao comércio tradicional. Na altura em que abriu, o centro comercial era novidade e é normal que o comércio tradicional quebrasse as vendas, até porque eles têm outros argumentos que na baixa não temos como o estacionamento gratuito. Mas, também, num dia bom, acredito que as pessoas prefiram fazer as suas compras na baixa em vez de estarem num sítio fechado.

Qual a sua opinião sobre as medidas que a Câmara de Ponta Delgada pretende adoptar, no âmbito do Programa de Reabilitação Urbana, de condicionar o trânsito no centro histórico e de investir em iniciativas que levem à preservação e dinamização do comércio tradicional citadino?
Isso é um tema complicado, porque se formos condicionar ainda mais o trânsito no centro histórico ai é que as pessoas deixam de vir para cidade porque, por exemplo, quando o transito fica interrompido ou pelo rali ou pela corrida São Silvestre, nota se um decréscimo muito grande no movimento da cidade e, por consequência, também na loja.

Ainda se pode falar em clientes fiéis ao comércio tradicional?
Já tivemos mais, mas ainda temos muitos clientes fiéis. Temos situações em que os pais sempre compraram a sua roupa aqui e os filhos também estão no mesmo caminho.

A relação preço/qualidade de que forma pode determinar a opção do cliente pelo comércio tradicional?
Nessa situação não há milagres. Nós tentamos ter as duas (bom preço e boa qualidade). Existe o cliente que quer o preço e existe o que quer a qualidade. Se o cliente quer qualidade tem que estar também preparado para pagar por ela. Isso serve tanto para o comércio tradicional como para o comércio de grandes superfícies.
Numa escala de tempo a 10 anos, em que dimensão foram esmagadas as margens de comercialização do comércio tradicional?
As margens, agora , são cada vez mais pequenas, principalmente porque as grandes superfícies andam o ano todo em promoções. Por exemplo, antes, os saldos eram só no fim da estação. Só quando o Verão ou a Primavera estavam a acabar é que o produto entrava em saldos. Agora parece que é ao contrário: a estação está a começar e as grandes superfícies já estão com promoções ou saldos.

Qual o impacto do crescimento do turismo nos negócios do comércio tradicional? Há a noção de que o turismo calou o comércio tradicional pelo grau de satisfação que criou?
O aumento do turismo veio ajudar a toda a gente. No nosso caso não sentimos o impacto directamente. Quando o turista vem para São Miguel a prioridade dele não é comprar roupa, mas indirectamente veio criar mais postos de trabalho e nota-se que as pessoas têm mais poder de compra e que circula mais dinheiro na Região.

O turismo obriga o comércio tradicional a redirecionar as suas vendas?
No meu caso não, porque o grosso dos nossos clientes são as pessoas de cá. É esse o nosso público-alvo, porque são eles que estão cá o ano todo. O turismo, para nós, acaba por ser um bónus.

Acredita que há soluções para um aumento de negócios do comércio tradicional? Em sua opinião, um plano de promoção do comércio tradicional passa porque domínios?
Eu acredito que existe sempre espaço para melhorar. É de louvar as iniciativas que a Câmara do Comércio tem pelo Natal para promover o comércio tradicional. Mas, as iniciativas têm que partir mais de nós, comerciantes, para chamar mais pessoas para baixa da cidade.

Veria com bons olhos um programa na RTP/Açores que promovesse o comércio tradicional?
Sim, claro. Todas a iniciativas são bem-vindas. Desde que sejam para promover e ajudar o comércio tradicional, são sempre de saudar.

Os próprios empresários do comércio tradicional não deveriam ser mais competitivos na promoção do que vendem?
Não acredito que os empresários do comércio tradicional consigam ser mais competitivos porque, simplesmente, não temos a mesma capacidade nem dimensão para competir com as grandes superfícies.
                
                                       

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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