Julgamento decorre no Tribunal de Ponta Delgada

Homem furtou dinheiro de apartamento e diz que só queria comer

Um homem natural da ilha Terceira começou ontem a ser julgado pelo Tribunal de Ponta Delgada, por ser suspeito de cometer dois crimes de furto em dois apartamentos localizados no centro da Ribeira Grande, dos quais se acredita que terá subtraído uma pequena quantia de dinheiro (cerca de 35 euros), uma mala de senhora e uma torradeira avaliada em 15 euros.
Entretanto, o arguido encontra-se já a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo pela prática de outros outros crimes, aos quais poderão acrescer os dois furtos caso sejam dados como provados, tendo ontem comparecido perante o colectivo de juízes sob o efeito de medicação, factor que dificultou – pelo menos inicialmente – a sua capacidade de expressão.
Ultrapassada a dificuldade em se exprimir ou em recordar pequenos aspectos da sua vida, o homem confessou parcialmente os crimes, nomeadamente o facto de ter entrado no primeiro apartamento de onde a acusação diz ter sido furtada uma mala de senhora e algum dinheiro.
Contudo, o homem não apresentou qualquer explicação que indicasse de que forma conseguiu entrar no referido local, alegando não ter qualquer memória relativamente ao que se passou.
Afirmou perante o colectivo de juízes que na altura dos factos não era consumidor de material estupefaciente, no entanto, acabou por contar que um dos motivos para a sua “falta de memória” poderia estar relacionado com o facto de ter “fumado droga com os amigos” na noite dos factos.
Perante as questões colocadas pelos juízes, o arguido – um homem com 40 anos de idade – adiantou não saber por que motivo entrou dentro do apartamento em questão, afirmando ainda não ter o objectivo de roubar dinheiro ou uma mala de senhora, uma vez que entre os bens de que mais necessita não se encontram acessórios de mulher.
No entanto, dado o seu historial, o homem afirmou que depois de entrar na residência, o seu principal objectivo passava apenas por encontrar comida com que se pudesse alimentar, algo que de acordo com o seu relato encontrou logo na primeira casa.
Posto isto, adiantou ainda não ter qualquer lembrança relativamente à forma como saiu do único apartamento onde afirma ter estado, afirmando ainda não ter qualquer tipo de memória em relação à torradeira que terá sido entretanto furtada na segunda casa.
De acordo com o relatório social elaborado em relação ao arguido, este foi apontado como tendo dificuldades cognitivas acentuadas, uma forte resistência à toma da medicação prescrita, fraca autonomia, vulnerabilidade face ao seu contexto social acrescido de problemas detectados no foro da saúde mental.
Assim, como forma de ultrapassar alguns dos problemas, o homem que diz já ter vivido nas ruas, afirmou ter deixado a ilha de onde é natural para se integrar nos Manaias, em Ponta Delgada, uma vez que ali é possível usufruir de refeições diárias e de melhores condições para garantir a reintegração na sociedade.
Contudo, em Setembro de 2017, dada dos furtos listados pelo Ministério Público, o homem estaria na Ribeira Grande com o objectivo de assistir a um filme na casa de um amigo juntamente com outras pessoas que viriam também a participar nos furtos, diz.
Admitiu ainda que depois dos furtos o objectivo do pequeno grupo passaria por “dar banhada” a um taxista de modo a poderem regressar a Ponta Delgada.

Um dia aparentemente normal

De forma a dar continuidade ao julgamento, foi ontem ouvida a primeira testemunha, nomeadamente o proprietário do apartamento onde o arguido afirma ter estado apenas com o objectivo de se alimentar, deixando assim para trás quaisquer outros bens.
Esta testemunha, agente da PSP de profissão, explicou que no dia em que ocorreram os factos tudo parecia estar normal, salientando que durante o período da manhã ele e a esposa procuraram pela casa a referida mala de senhora que havia sido furtada, mas que pensaram estar apenas perdida pela casa, fazendo com que o casal não levantasse falsos alarmismos em relação ao assunto.
Mais tarde, quando se preparava para fazer um pagamento em dinheiro, o proprietário do apartamento notou ainda que lhe faltavam cerca de 35 euros em dinheiro na carteira, adensando o mistério.
Na cozinha – e desmentindo o argumento que feito pelo suposto ladrão –, o agente da PSP salientou que os bens alimentares não foram mexidos, quer dentro do frigorífico quer fora dele.
No entanto, o casal só viria a entender o que de facto se teria passado mais tarde, quando horas depois receberam um telefonema de uma vizinha a informá-los de que a mala de senhora estava na sua casa, muito longe do lugar onde deveria estar inicialmente.
Ao colectivo de juízes adiantou ainda que a porta principal se encontrava intacta, sem sinais de arrombamento, despistando assim a hipótese de o arguido ter entrado no apartamento por ali.
Por outro lado, numa das janelas, foi encontrada a marca de uma palma da mão, que foi posteriormente analisada e que correspondeu às impressões do arguido, resultando assim na referida acusação.
Questionada pela defesa se, devido às pequenas quantias de dinheiro em causa, pretende continuar com a queixa, a testemunha adiantou que sim, continuando o julgamento na próxima Quinta-feira.
 

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