Carlos Ávila presidente da ASDERP

“Eu creio que os Açores e Cabo Verde podem aproximar-se mais”

O presidente da ASDERP, Carlos Ávila, realçou que este projecto de cooperação agrícola entre os Açores e Cabo Verde é “muito importante” para os cabo-verdianos  “na medida em que estamos a trabalhar com eles na formação de técnicos e na formação de agricultores”.
“São várias as formações que vamos ter ao longo de dois anos no sentido de os pôr a produzir mais e melhor produtos agrícolas, frutícolas e florícolas. Temos, neste sentido, um vídeo que fizemos na cooperativa de fruta de Vila Franca do Campo. Isto porque, em Vila Franca, se apanha a banana, trata-se da banana, embala-se e exporta-se. Ora, Cabo Verde tem muita banana. Ela produz-se ao longo das estradas e é preciso rentabilizar este produto. Mas falta-lhes o tratamento da banana e o seu embalamento para exportação... “
Do ponto de vista açoriano, prosseguiu Carlos Ávila, “eu apercebi-me que temos leite dos Açores em Cabo Verde, nomeadamente nos hotéis. E note-se que Cabo Verde já tem um milhão de turistas por ano. Há um mercado para os nossos produtos locais e penso que as nossas pequenas e médias empresas podiam começar a exportar, nomeadamente, para estes hotéis em Cabo Verde, alguns deles que conhecemos como os do grupo madeirense ‘Pestana’.
“Portanto”, realçou, “nós temos mercado. Não é um grande mercado, apesar do nosso leite já estar lá. Mas temos um mercado para os nossos produtos locais poderem ser exportados para Cabo Verde”.
“O projecto é basicamente este e estamos a desenvolvê-lo. Os empresários que levamos à feira internacional de Cabo Verde no ano passado já estabeleceram contactos, designadamente o Chá Gorreana e a Yoçor. E espero que se venham a traduzir em trocas comerciais. E vamos novamente à feira internacional de Cabo Verde que este ano se vai realizar na cidade da Praia e levaremos novamente empresários connosco para dizer-lhes que há ali um mercado que eles podem bem aproveitar”.
“Tudo isto também, devo relevar”, concluiu, está muito beneficiado a partir do momento que a Azores Airlines começou a fazer viagens directas para Cabo Verde. Esta operação estabelece uma relação ainda mais estreita entre os Açores e Cabo Verde”.
“Eu recordo-me que a primeira vez que fui a Cabo Verde em 2000, tive que ir para Lisboa e de Lisboa para a ilha do Sal onde cheguei às cinco da manhã. Agora, chegámos lá às 11h30 numa viagem directa feita pela Azores Airlines. E quando os transportes são facilitados, é claro que as duas partes também se aproximam”.
“E eu creio bem que os Açores e Cabo Verde podem aproximar-se ainda mais e nós podemos, de facto, porque temos mais meios, apoiar o desenvolvimento de Cabo Verde. Há uma frase que me tem tocado muito que é: ‘O pouco, para quem não tem nada, é muito’. E, de facto, o nosso pouco que podemos levar é muito em Cabo Verde. E eu entendo que é por aí que devemos seguir”, concluiu.

 

“Acredito no projecto de cooperação com Cabo Verde”

 

 O empresário açoriano, Oliveira Melo, proprietário da Granja, tem acompanhado este projecto de cooperação dos Açores com Cabo Verde desde o seu início. Ele, como afirma, “pagou do seu bolso”, para estar nos primeiros contactos práticos que levaram ao projecto.
 
Qual a importância deste projecto para os Açores e Cabo Verde’
Este relacionamento é extremamente importante. Até porque Cabo Verde tem algumas carências  na horticultura e o mais importante é sair da ilha e ver em outras regiões  como as coisas se fazem e o que se pode fazer diferente no seu espaço. É por isso que estamos aqui a mostrar-lhes algumas estruturas  de estufas, como se monta e como ficam a produzir.

Acredita numa cooperação comercial futura entre os Açores e Cabo Verde em resultado deste projecto?
Acredito. Julgo que, numa primeira fase, é importante que eles produzam para consumo local.  A ilha de Santiago é grande, tem muita gente e muito turismo. Se eles conseguirem atingir este objectivo, já é meio caminho andado. Se conseguirem ser auto-suficientes, já estamos satisfeitos.

 

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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