15 de março de 2020

“Uma pedrada no charco”

 1- Temos vindo a tratar a matéria noticiosa relativa à pandemia, desde que ela apareceu na China a 1 de Dezembro de 2019, com a razão e não com a emoção.
2- Para fundamentar a nossa posição comparamos os números da Organização Mundial de Saúde, reportados às pandemias que ocorreram no século XX, muitas das quais causando milhões de mortes em vários países do mundo, sem esquecer no presente, os óbitos resultantes do vírus da gripe que anualmente se repete.
3- Esta é a primeira pandemia a acontecer depois da globalização que alterou profundamente a vida das pessoas para o bem e para o mal.
4- O bem é quando não há regras que limitem a mobilidade das pessoas, dos mercados, e da economia. O mal é o impacto que os efeitos da globalização têm no ambiente devido à pegada do carbono que cresce em função do desenvolvimento mundial
5- Há dias, o Presidente da Associação Ecologista Zero, comentando o impacto causado pelo Covid 19, dizia que esta epidemia deixou a sociedade doente, mas restitui saúde ao meio ambiente, e acrescentava que se as fábricas na China se mantivessem sem laborar como estavam, e se os aviões que deixaram de voar continuassem em terra, poderíamos cumprir as metas ambientais do Acordo de Paris já no próximo ano, devido à redução do Co2, consequência do encerramento de grande parte da indústria da China.
6- O perigo do contágio do Covid 19 tornou-se um monstro assustador como assustador é o número de passageiros que correm de um lado para o outro. Em 2016, as companhias aéreas registaram 3,7 mil milhões de passageiros, e em 2019, segundo números da IATA passou para 4,4 mil milhões de passageiros movimentados.
7- As pessoas trocaram a casa pelo avião e andam aceleradamente num movimento constante em busca de algo que lhes preencha o vazio que sentem ou que perderam. Falta-lhes tempo para darem ao tempo, e o sinal que esta pandemia deixa, além da dor causada pelos que partem, aponta para a necessidade de repensar o modelo de sociedade moldada nas duas primeiras décadas do segundo milénio da nossa era.
8- Só a doença foi capaz de fazer os governos pararem e pensarem medidas para conter uma catástrofe humana, e vão ter de parar para pensar nas medidas a tomar depois para suprir a catástrofe financeira que vai resultar desta paragem abrupta das instituições, serviços públicos e privados e esperamos que não chegue a uma hecatombe da economia.
9-  A Comissão Europeia fala em disponibilizar quase quarenta mil milhões de euros para acudir aos primeiros socorros, mas é imperioso pensar na desburocratização necessária para que tal apoio chegue aos destinos em tempo útil.
10-    As medidas de contenção são indispensáveis mas não podem ser alarmistas e criar o pânico tornando o remédio mais grave do que a doença.
11- Não se pode acender o rastilho do alarme, anunciando medidas que passadas vinte e quatro horas não passaram disso mesmo. Depois de tomadas têm que ser assumidas com prontidão e firmeza.
12- É caso para poucas palavras e mais acção e para um compromisso de cidadania consistente para podermos ultrapassar, com êxito, esta fase e poder ganhar forças para criar os alicerces de uma nova postura perante a vida e perante a natureza que nos sustenta.
13- Sejamos tão imaginativos quanto aos meios necessários para cuidar do nosso futuro, quanto somos, no que fazemos para superar sempre o que vamos conquistando com os meios que a tecnologia nos vai confiando.
14- Esta pandemia veio trazer ensinamentos que estavam esquecidos. É o que se chama “uma pedrada no charco”. Que dela se retirem as lições necessárias para enfrentar a nova década que começou há dois meses e meio.

Print

Categorias: Editorial

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima