Carlos Oliveira: “Fotografa-se o presente para documentar o futuro”

Em traços gerais, a diferença entre ambos é, essencialmente, a forma como um ou outro equipamento captura a imagem. Ou seja, independentemente da marca ou modelo, as versões digitais utilizam um sensor fotossensível para obter o registo, enquanto as analógicas necessitam de um filme fotográfico.
Carlos Oliveira recorda que “a sua primeira câmara foi comprada em Lisboa, numa loja que ainda hoje existe em Alvalade, a Colorfoto, em Lisboa. Era então com uma Nikon F2, que até aos 26 anos de idade fotografava regularmente”.
“Depois de um período em que parou, regressou à fotografia há cerca de 20 anos”, precisou.
Questionado se o digital veio transformar a fotografia, Carlos Oliveira responde positivamente. “Veio transformar no bom e no mau sentido, por assim dizer. Ou seja, veio facilitar o modo como obtemos a imagem, de forma mais rápida, como também na parte monetária, porque deixamos de ter de comprar os rolos e nem necessitamos de um filme negativo, já que as fotos passaram a ser editadas no computador”. 
De qualquer forma, o nosso interlocutor continua a dizer que “a fotografia é em papel, porque hoje em dia, o que se vê depende do meio físico, ou seja, papel à frente. Portanto, se o monitor estiver calibrado é uma coisa, mas se não estiver é outra coisa, mas no papel é diferente.”
“É fácil divulgar uma boa imagem, mas é sempre necessário fazer uma distinção entre bons trabalhos e outros menos bons. Ainda me lembro, que no analógico só revelava-se aquelas imagens que estivessem boas”.

A preto e branco ou a cores

Para a comunicação social, Carlos Oliveira só trabalhou para um pequeno jornal que havia em Lisboa, “mas não foi nada de especial”.
No entretanto, expõe os seus trabalhos na rede social Facebook, no Instagram e na plataforma Online “Olhares”.
No Facebook, surgem fotos a preto a branco em Carlos Oliveira P&B Fotografia (Preto e Branco) e outras a cores em Carlos Olyveira Fotografia – Cor.
Fora da esfera da Internet, digamos assim, Carlos Oliveira já expôs em “locais mais chegados ao público”, como faz questão de frisar, para fugir um bocado das galerias. Assim, já expôs trabalhos no 3/4 Café, no Atelier Pele e Osso, estando agora a alinhavar uma outra exposição na Ribeira Grande.
Carreira na Forças Aérea

Natural de Lisboa, Carlos Oliveira cresceu no bairro de Alvalade, mas depois, em 1980 ingressou na Força Aérea, onde fez o serviço militar obrigatório, optando por seguir a profissão.
No prosseguimento da sua profissão, em 1996 foi para a Base das Lajes e foi na ilha Terceira que recomeçou a fotografar. Concorreu a vários concursos, tendo inclusive ganho um segundo lugar, na Força Aérea Portuguesa.
Mais tarde começa a fazer serviço no Aeroporto de Ponta Delgada, onde esteve cerca de 12 anos, antes de ser colocado na reserva, perspectivando-se que daqui a pouco mais de um ano passe para a situação de aposentando.
Inquirido se foi fácil apaixonar-se pelos Açores, a resposta foi a seguinte: “Foi e coisa mais fácil não há, não é?” (Risos).

Adepto da fotografia

Por outro lado, desenganam-se aqueles que julgam, que lá por Carlos Oliveira ter nascido em Alvalade, não significa que seja adepto do Sporting, bem antes pelo contrário. “Nasci no Hospital de Santa Maria, o meu pai era do Benfica e então segui as pisadas do meu pai. O meu irmão, como era do contra é do Sporting”.
Carlos Oliveira sempre gostou de fotografar pessoas e motivos que possam retratar a vida urbana. “Sempre imaginei uma cidade e a parte urbana, que tem quinhentas estradas, onde de repente surgem pessoas. Agora, imagine-se esta ou qualquer outra cidade sem ninguém, pode significar que a natureza tomou automaticamente conta disto tudo. Sempre gostei da fotografia com a componente humana e deste modo gosto de fotografias onde o factor humano esteja presente. Fotografando o dia-a-dia, documenta-se o presente para que ele possa ser visto com outros olhos, daqui a uns anos”.
“Embora goste de fotografar pessoas, por precaução só tiro agora fotografias a partir de casa, da minha varanda. Custa-me um pouco, mas devido à situação actual da pandemia do Covid-19, resguardo-me a favor da comunidade. Temos que nos preservar, aos nossos e todos os que nos rodeiam. Isso é como aquele provérbio que diz que «o seguro morreu de velho» e «mais vale prevenir do que remediar».”
     

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima