A partir do Instagram, Brigite Silva assume-se agora uma youtuber

“O Youtube tem sido uma ferramenta de entretenimento, de informação e de partilha para tantos que estão fechados em casa”

Correio dos Açores: Como estás a viver este momento de crise?
Brigite Silva: Esta situação que estamos a viver neste momento nos Açores, em Portugal e no mundo, é verdadeiramente um corte total com a realidade que nós conhecemos. Não sei o que pode vir depois disto, mas tenho a convicção que muita coisa vai mudar. Preocupa-me, olhando para a nossa realidade, o facto de sermos uma Região já consolidada com o turismo e de um momento para o outro ficarmos sem o principal factor da economia: o turista. Julgo que o youtube, no meio disto tudo, tem sido uma ferramenta de entretenimento, de informação e de partilha para tantos que estão fechados em casa e que têm de se entreter com alguma coisa. Tenho estado a consumir muito youtube, assim como a criar conteúdos para quem está do outro lado poder replicar e entreter-se.

Como surgiu a ideia de fazer vídeos para o youtube?
Começou quando vim estudar para são Miguel, sentia-me sozinha e consumia muito youtube. Entretanto acabei por fazer vídeos e partilhá-los e de certo modo acabei por me sentir acompanhada pelos meus seguidores.

Conte como criou uma corrente de divulgação congregando tantos subscritores para o teu Canal?
Muitos dos meus seguidores veem de uma outra plataforma que tenho online, o Intagram, A qual já utilizo há muitos anos com muita regularidade. Ao crescer nessa plataforma achei por bem tentar “levá-los” também para o youtube.

Pode-se considerar os YouTubers como uma profissão actualmente?
Sim! Cada vez mais o youtube é considerado como uma profissão. Além da pessoa ser remunerada pelo trabalho que faz, leva a que tenham contratos com diversas marcas. É daquelas profissões onde há 10 anos ninguém pensava existir e que hoje é um trabalho consolidado. Ainda se pensa que quem leva vida disto só tem vantagens, mas a verdade é que a única vantagem é fazermos e partilharmos o que gostamos, porque é muito exigente dar conteúdos com qualidade para o publico exigente de hoje.

Nos seus subscritores tem algumas pessoas menos jovens? Qual a faixa etária dos seguidores?
Os meus subscritores rondam por norma as faixas etárias mais jovens, nomeadamente dos 16 aos 35 anos, apesar de saber que sou vista por pessoas dos 8 aos 80. Varia muito do tipo de conteúdo de vídeo para vídeo.

Qual é a sensação de ter a liberdade para criar conteúdos próprios?
De certo modo bastante divertido e apelativo, mas por outro lado com certa preocupação para que englobe um gosto “comum” e geral com os meus seguidores, além da pressão e exigência da qualidade, como já referi.

Que impactos têm tido os seus vídeos?
Até agora posso dizer que positivos, já recebi diversas mensagens de jovens femininas, a dizerem-me que as tinha ajudado a nível de autoestima, confiança e a seguirem os sonhos. Fico satisfeita ao receber esses feedbacks, pois só com eles e com as dicas que vou recebendo é que poderei continuar a desenvolver este trabalho. O youtube hoje é uma ferramenta muito democrática onde todos podem ter palavra: ou a criar ou a comentar. As novas gerações vêem menos tv e mais youtube. Pesquisam muitas vezes dúvidas no youtube do que no Google. É a companhia de muitos jovens.

Como lida com as opiniões alheias?
Não me posso queixar, não é um mal com o qual tenho lidado, por enquanto tem corrido tudo bem, e assim espero. De qualquer maneira tenho noção que haverá sempre quem goste menos daquilo que posso fazer ou apresentar, mas é como em tudo na vida: É complicado agradar a gregos e a troianos. Julgo que é bom receber criticas construtivas para melhorar.

Qual o contudo dos vídeos?
Tento englobar um pouco de tudo para chegar a todo o tipo de publico, é realmente uma coisa na qual penso bastante, nomeadamente, vídeos de moda, comida, viagens, música, beleza e em breve farei diversos vídeos relativos a São Miguel.

Quais são as referências no mundo digital?
Tenho como referencia as brasileiras Taciele Alcolea, Natalia Cardoso, as portuguesas Helena Coelho, Adriana Silva, Barbara Corby, Madalena Mateus... 

Onde vai buscar inspiração para os vídeos?
Por norma penso em vídeos que gostaria de ver e aplico. Outros vejo que estão a fazer sucesso pela internet e refaço, mas à minha maneira.

Como mede o impacto dos conteúdos junto do público?
Costumo ver as estatísticas, o número de visualizações, gostos, comentários...
Para além de assistirem aos vídeos, as pessoas interagem com os YouTubers?
Sim, como já referi, a plataforma Instagram, é uma ferramenta que os jovens utilizam bastante, e é a plataforma em que as pessoas se “sentem” mais próximas umas das outras, pelo facto de se poder partilhar o exacto momento a partir dos stories. 

Considera que os YouTubers contribuem de forma positiva para a vida das pessoas ou é apenas uma influência efémera?
O youtube tem crescido cada vez mais, na minha geração costumo ouvir que já não assistem televisão em casa, apenas “consomem” youtube. Portanto sim, contribui de certo modo, até porque há conteúdos que não são permitidos no youtube, portanto há vídeos seguros e para qualquer idade.

Preocupa-se na divulgação da cultura açoriana no mundo digital?
Preocupo-me, como já referi, tenho um projeto em mãos (que não posso falar já, mas posso desvendar que tem ligação directa com os Açores para o mundo.)

 

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