25 de março de 2020

Negócio da China

   1. Esta epidemia da china está a ser um cabo de trabalhos e de preocupações e não é apenas porque é um vírus esquisito que se implantou não se sabe bem como e que na altura não foi confiscado apenas ao território onde ele surgiu, mas sobretudo pelo tipo de contágio que é , em princípio desconhecido, a desenvolver-se rapidamente  num mundo global como é o nosso e de acessibilidades fáceis e diárias , o que obriga a que o mundo praticamente fique de quarentena à espera de melhores dias . Vale-nos a competência e dedicação dos profissionais de saúde , que agora até correm sérios riscos, mas, na verdade, está a criar-se uma sociedade desconfiada de tudo e de todos,  essencialmente porque estão em cena não apenas os profissionais   da área mas porque entraram nela os políticos,  que normalmente estragam tudo , porque têm sempre em mente os interesses  eleitorais. É raro não ser assim.
   As medidas que têm sido tomadas são razoáveis, retirando-se uma ou outra exagerada , mas o pior é a falta de material imprescindível para acudir às urgências ou aos casos mais graves em termos de sobrevivência e ao descontrole nas saídas e entradas de cidadãos , sejam eles das nossas ilhas, sejam eles de fora delas ! Dizem os entendidos que há medidas que foram tardias e outras foram bloqueadas por sermos uma Região Autónoma e parece haver falhas na deteção do vírus que , no mínimo , deveria estender-se a todo o Arquipélago, nos centros e serviços considerados cruciais e competentes . É preciso não brincar  às quarentenas e muito menos esvaziar as cidades e aldeias criando-se medos e receios que dificilmente vão ser esquecidos ! É claro que é sempre melhor prevenir do que remediar ! Famílias inteiras fechadas em casa , com filhos pequenos e com idosos à sua conta , durante quinze dias , não é pêra doce e só quem vive esses ambientes pode avaliar com seriedade e com verdade essa difícil tarefa. Aos  abusadores deve-se aplicar a medida grossa para que aprendam a ter respeito pelos outros e pela sociedade ! O que , na realidade, tem vindo a acontecer !
   2. Debelada a crise , daqui a meses ou anos, surge de imediato outra crise de ordem económica e financeira , com o desemprego e o encerramento de pequenas empresas, com famílias depauperadas e com Instituições em sérias dificuldades. A Europa já se prontificou a abrir o bolso e o governo português disponibiliza-se a alargar o Orçamento de Estado , mas é evidente que os cofres são limitados e vão  aparecer muitas franjas da sociedade com sérias e comprovadas necessidades que urge atender . É o tempo certo para se avaliar,  com ponderação e com independência de espírito e de razão,  as prioridades do Estado e da Região Autónoma, no nosso caso . 
   3. Com esta crise do Coronavírus  estalou novamente a questão da Autonomia dos Açores, resultante do quadro dos poderes do Estado ,  reacendendo-se a velha luta separatista ou independentista . Quase sempre são os centralistas de Lisboa , à volta do Terreiro do Paço, que suscitam este fenómeno,  quase sempre por razões que se prendem com a definição de poderes , porque há sempre desconfianças em relação à Autonomia Constitucional, às prerrogativas das competências próprias do Governo democrático dos Açores ( e da Madeira ), à liderança destes projetos inovadores , às legítimas aspirações do povo açoriano  e ao enquadramento constitucional da Autonomia que normalmente cria clivagens em momentos decisivos de clarificação de poderes , como agora aconteceu no caso do encerramento dos aeroportos dos Açores para defesa da saúde da população açoriana, decisão que foi barrada pelo Governo Central de Lisboa ! As reações mais frontais e contundentes, destemidas e de repulsa clara e inequívoca partiram , de responsáveis do Partido que suporta o governo açoriano , cujo Presidente Dr. Vasco Cordeiro teve o mérito de colocar os legítimos interesses do povo açoriano à frente de outros similares, porque estava em causa a prevenção e a saúde e segurança dos cidadãos que vivem nestas nove ilhas. E agora vem novamente  à baila as funções e os poderes do Representante da República nos Açores, devido à Declaração do estado de Emergência , como se os Açores não possuíssem Órgãos Próprios de Governo. Agora começa a nova novela ! Aguardemos. 
Espigão, Nordestinho, 
Março de 2020

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Categorias: Opinião

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