Gilberto Pavão, sócio gerente da Habimax

“As imobiliárias que apareceram recentemente são as que estarão menos preparadas para enfrentar uma crise”

Como está a Habimax a lidar com esta pandemia e com as medidas impostas pelo estado de emergência no país? Têm trabalhadores em teletrabalho? Houve cancelamento de visitas a imóveis?
A Habimax está desde o início, e de uma forma responsável a respeitar a quarentena imposta pelo Estado. O serviço de atendimento ao público está encerrado, mas trabalhamos on-line satisfazendo os pedidos de informação, ou resolvendo os muitos processos que temos por escriturar.

Em termos de compra e venda dos imóveis, como está actualmente o mercado? Parado?
A compra e venda está suspensa. O mercado abrandou muito e está praticamente parado, o que é compreensível, pois os clientes estão apreensivos e não se atrevem a sair de casa muito menos fazer visitas em outras moradias. Os processos que estão nos bancos para aprovação dos créditos decorrem de forma muito mais lenta, mas estão avançando.

Se nesta altura vos aparecer alguém que queira comprar um imóvel, quais os procedimentos que tomam?
Neste momento não fazemos visitas, quanto muito se se tratar de um terreno indicamos a localização e o cliente poderá fazer a visita por carro. Todas as outras visitas estão suspensas.

Quando em 2019 o preço das transacções na Região aumentou 6%, agora com o mercado parado, que consequências para as empresas imobiliárias?
Como nem os especialistas (economistas e virologistas) conseguem prever o que se irá passar dentro de 30 dias, nós imobiliárias só poderemos afirmar que tudo dependerá da duração desta quarentena e a mossa que irá fazer na economia do mundo e de Portugal em especial. Todas as crises têm um reflexo no mercado imobiliário. Esta também terá certamente. Agora, ninguém consegue prever se os preços irão baixar e em quanto será a desvalorização.

Haverá o risco de algumas imobiliárias desaparecerem no mercado? Quem estará mais susceptível a não se conseguir aguentar?
Se a crise for demasiado profunda, as imobiliárias que apareceram recentemente, são as que certamente estarão menos preparadas para enfrentar uma crise, o que não invalida que todas as outras também não passem por um mau bocado. Tudo depende da solidez de cada empresa.

As medidas que têm sido anunciadas pelo Governo, da República e regional, de apoio às empresas será suficiente para as imobiliárias? Deveriam ser necessárias medidas específicas para este sector de actividade?
As principais medidas tomadas pelo governo vão no sentido de preservar os postos de trabalho. A nossa actividade depende destes postos de trabalho. Quem compra um imóvel tem de ter rendimentos, logo tem de estar a trabalhar. Se houver emprego e logicamente vencimentos, logo temos negócios e a nossa actividade prospera. Acima de tudo, esta medida é a principal medida para as imobiliárias e para todos os outros sectores de actividade.

Num tempo de incertezas, já se poderá pensar num prazo para que se volte a querer comprar/vender casas?
Acredito que assim que as pessoas retomem a normalidade das suas rotinas, a vontade e/ou necessidade de compra casa voltará a surgir. Esperemos que esta normalidade seja reposta o quanto antes.

Quando voltar a haver transacções de imóveis, poderá voltar tudo “ao mesmo” de como estávamos antes desta pandemia? Ou seja, as pessoas irão em força comprar ou trocar de casa ou este será um sector a sofrer mais consequências como aconteceu com a crise que acabámos de atravessar?
A economia é feita de ciclos, ascendentes e descendentes. Ora vejamos a crise de 2008/2012. Antes desta crise, o mercado estava em alta, com imensas transacções e o mercado a atingir bolhas imobiliárias em alguns países. Depois veio a crise, e os preços caíram a pique, e as transacções foram para quase zero. Passado a crise 2008/2012, o mercado voltou a subir, e falou-se em euforias e preços elevadíssimos. O mercado recuperou de uma crise como não havia desde os anos 30. Por isso, acredito que tudo voltará ao mesmo, é uma questão de tempo. Tudo é cíclico!.
            
          

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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