Há 66 casos positivos e um recuperado nos Açores

“É contra-producente neste contexto actual fazer rastreios em massa porque não nos permite ir ao encontro das cadeias de transmissão”

Sem novos casos positivos registados ontem, os Açores continuam com 66 casos positivos e um recuperado da infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 que causa a doença Covid-19. Destes casos, 32 localizam-se em São Miguel (20 de Ponta Delgada, 9 da Povoação, 1 da Ribeira Grande, 1 do Nordeste e 1 da Lagoa); 10 na ilha Terceira (4 em Angra do Heroísmo e 6 na Praia da Vitória); 9 no Pico (4 na Madalena e 5 em São Roque); 7 em São Jorge (5 nas Velas e 2 na Calheta); 5 no Faial e 3 na Graciosa.
Apesar de não se registarem novos casos de infecção, e terem sido detectadas sete cadeias de transmissão, a Autoridade Regional de Saúde diz que é bom sinal haver tantos contactos próximos com resultado negativo, reforçando não querer “criar falsas expectativas” perante o facto de não se terem registado novos casos positivos. Isto quando foram identificados contactos próximos identificados por via dos casos positivos detectados em São Miguel na cadeia de transmissão secundária que envolvia profissionais de saúde do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), que depois de testados a maioria deu negativo, embora ainda haja recolhas de material biológico a fazer. 
“Mas demonstra que dentro do Hospital, os profissionais de saúde souberam acautelar e tomaram as devidas recomendações para a prevenção da infecção. Infelizmente houve alguns casos de transmissão local. No entanto, poderia ter sido bastante mais significativo o impacto na instituição, se não tivessem sido tomadas essas medidas”, explicou Tiago Lopes que acrescentou que muitos destes bons resultados se devem aos profissionais de saúde no que diz respeito à prevenção e controlo da infecção. 
Isso não evitou que uma das enfermarias do HDES fosse encerrada, embora a Autoridade de Saúde Regional reconheça que pudesse ter sido pior, realçando Tiago Lopes que ainda falta diagnosticar alguns profissionais de saúde e alguns doentes, nomeadamente aqueles que poderão ter estado internados e eventualmente já terão tido alta clínica. Quando esses resultados se souberem “pode haver alguma alteração, em termos de reorganização interna” do hospital mas devido aos casos positivos até ao momento “não nos faz prever que teremos de fazer uma reorganização tão intensa como a que teria de ser feita”. 

Centro de Saúde da Povoação 
encerrado
Tal como aconteceu na ilha do Pico, em que houve necessidade de reorganizar a Unidade de Saúde de Ilha depois de vários profissionais de saúde terem de ficar em quarentena depois de contacto com um caso positivo, também na Povoação o Centro de Saúde teve de ser encerrado. 
Tiago Lopes explicou que ainda se aguardam resultados de análises laboratoriais feitas a contactos próximos de casos positivos que resultam da cadeia de transmissão secundária que envolveu profissionais de saúde do HDES, alguns deles que até são doentes que se encontravam na instituição de saúde e já tiveram alta clínica. “Fazendo essa ligação epidemiológica, detectámos alguns em contexto domiciliário ou em contexto de estrutura residencial de idosos ou unidade de cuidados continuados. Apesar de ser um doente que foi um contacto próximo com um caso positivo dentro da instituição, neste caso na unidade hospitalar e estando agora numa outra estrutura, todos os que contactaram com ele são identificados como contactos próximos de segunda ou terceira linha. Até esclarecimento cabal de toda a situação e termos resultados laboratoriais, estas pessoas devem ficar de quarentena até aos resultados”, explicou. 
Neste sentido, Tiago Lopes afirmou que uma vez que “o serviço de urgência do Centro de Saúde da Povoação se encontra encerrada, devem dirigir-se à unidade básica de urgência mais próxima”, evitando dirigir-se àquele Centro de Saúde.
Sobre as sete cadeias de transmissão identificadas, Tiago Lopes diz não haver ainda mais informação sobre o foco dessas cadeias de transmissão. Mas admitiu que o facto de se identificarem mais cadeias de transmissão “vai ao encontro do que tem sido a nossa prática na Região”, de realizar testes para além do que é preconizado. Ou seja, de acordo com a Organização Mundial de Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças devem ser testados os casos suspeitos e também aqueles que têm sinais ou sintomas de infecção respiratória. “É o que estamos a fazer na Região, precisamente para diagnosticar, testar, para podermos quebrar as cadeias de transmissão. É isso que estamos a fazer ao longo dos últimos dias. Quando tentamos testar cada vez mais e identificar positivos e negativos, acabamos por descobrir mais cadeias de transmissão”, explicou. O que não significa que a evolução do surto está a crescer de forma significativa. Significa sim “que estamos no terreno a testar cada vez mais e para lá do que é recomendável. Por essa via conseguimos perceber melhor o panorama das diferentes ilhas e aprofundar melhor o conhecimento das cadeias de transmissão”. A Autoridade Regional de Saúde reconhece que “é normal que continuando a testar cada vez mais, possamos identificar mais cadeias de transmissão desde que sejam primárias. É preciso que sejam muito circunscritas e não passem a secundárias, terciárias e eventualmente a cadeia de transmissão comunitária”, salientou.
Testar toda a população?
Entretanto o CDS/PP Açores enviou ontem um projecto de resolução à Assembleia Regional que pretende a realização de testes de despiste da Covid-19 a toda a população, com prioridade para os recursos humanos da saúde, forças de segurança e funcionários da Administração Pública. 
A Autoridade Regional de Saúde considera ser inviável esta solução e nem tanto pela falta de recursos humanos e materiais. “É inviável pela ineficácia da medida”, explicou ao acrescentar um cenário hipotético em que todos os profissionais de saúde ou forças de segurança fossem testadas num dia e tivessem resultado negativo, mas ao ir para casa ou no contexto laboral contactavam com alguém positivo e ficavam infectados. “Voltavam ao trabalho porque tinham o resultado da véspera e estava tudo sereno e calmo como se nada se tivesse passado”, explicando que “é contra-producente neste contexto actual, quer rastreios em massa, quer diagnósticos ou testes laboratoriais a todos, porque não nos permite ir ao encontro das cadeias de transmissão”. Ou seja, ir ao encontro do que preconiza a Organização Mundial de Saúde de quebrar cadeias de transmissão. “Quando começamos a testar sem critério, não estamos a aferir as cadeias de transmissão. Não conseguimos saber a ligação para descobrir o foco numa eventual cadeia de transmissão. Poderá ser viável numa fase posterior, de transmissão comunitária e quase em acto de desespero, mas nesta fase não faz sentido”, explicou. 

Cuidados intensivos
Actualmente há cinco casos de infectados pelo novo coronavírus internados nos cuidados intensivos, na ilha Terceira e em São Miguel. A Autoridade de Saúde Regional diz que há na Região 26 camas de cuidados intensivos. Sendo oito no Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira, 14 no HDES e quatro no Hospital da Horta. 
Vagas em cuidados intensivos que Tiago Lopes considera que “são capaz de dar resposta” aos doentes críticos actuais. Mas não descartou a possibilidade de, ao abrigo do plano de contingência de cada uma das unidades hospitalares, sejam providenciadas mais camas com capacidade de ventilação mecânica e monitorização de sinais vitais, a par de profusão de terapêutica se assim for necessário, “para dar assistência a mais doentes críticos, caso ultrapasse este número de casos” a necessitar de cuidados intensivos. 

                 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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