10 de abril de 2020

Sexta-feira Santa: A Paixão e Morte do Senhor

 


Na Missa de Domingo de Ramos, a Igreja apresentou-nos, na íntegra, a história da Paixão, desde a Última Ceia até à entrega por Jesus do Seu Espírito na Cruz.
Com o Domingo de Ramos que, segundo a tradição da Igreja Católica Romana, celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, onde é recebido com folhas de palmeira, inicia-se a Semana Santa, aproximando-se o fim da Quaresma, um tempo de penitência, de oração, de caridade e de conversão.
Sendo um tempo de preparação para a própria Páscoa, Q quaresma tem a duração de 40 dias, já que os domingos não entram nas contas, iniciando-se na Quarta Feira de Cinzas e terminando na Quinta Feira Santa, quando se iniciam as cerimónias do Tríduo Pascal, as quais se prolongam até ao Domingo de Páscoa, dia em que a Igreja católica celebra a Ressurreição de Cristo.
Quaresma significa, para os católicos, um tempo de penitência que convida a recordar as pegadas de Cristo durante o Seu recolhimento de quarenta dias no deserto, jejuando e orando, para depois iniciar a Sua vida pública, cujo fim antecipa na “Última Ceia” de Quinta-feira Santa, em que instituiu a Eucaristia ao distribuir aos discípulos o pão e o vinho – o Seu Corpo e o Seu Sangue – gesto de oferta de toda a Sua vida para salvação da humanidade, abrindo novos caminhos, lavando os pés aos penitentes e perdoando os pecados, abrindo assim o horizonte para um novo mundo – um novo mandamento – o do AMOR.
A Igreja proporciona-nos, nestes momentos que vivemos, um tempo rico de ensinamentos, de portas para abrirmos um futuro, na base de valores milenares de que nos estávamos a esquecer. Neste novo mundo desacelerado, confinado, que a pandemia nos trouxe, a forma como oscilamos entre o global e o local nunca foi mais óbvia. Sentimos, como nunca, o quanto somos criaturas que existem porque estão ligadas, ou que procuram a ligação, ou porque choram as ligações perdidas. Vivemos da presença, não só de pão.
 Ao vermo-nos privados daquilo que nos fazia florescer, ficámos como que sem respiração. Ficámos perdidos no tempo. Porque dói, podemos pensar que fizemos alguma coisa para o merecer ou sentirmo-nos escolhidos por uma força castigadora. Vivíamos tomando por certo que as coisas ficariam para sempre como eram, enquanto necessitássemos que assim fosse. Mas não foi assim, e há que reaprender a viver na base de princípios diferentes – mais consistentes, mais respeitadores, mais solidários - daqueles que vinham norteando a humanidade.
Mas,correndo nós o risco de, mesmo sabendo que Deus, não sendo castigador, quer o nosso bem e nos  dá os ensinamentos e os instrumentos que conduzem à harmonia e à felicidade, temos de tudo fazer para  evitar que, uma vez conquistadas, não as banalizemos em nome de deuses menores.
 É com a dilacerante banalidade da dor por que estamos passando, é com as privações e as incertezas que sobre nós desabaram, mas é sobretudo com esta força que vem do Alto que reaprenderemos, facilmente, ser nestas alturas que mais precisamos de um caminho, de uma prática que dá esperança através do experienciar a ligação a uma eterna fonte de ser em nós. Esta é a alvorada da idade da Ressurreição!
 Este é o significado da Semana Santa (saibamos ou não o que isso significa), que estamos a viver.. 
Este é, também e sobretudo, neste dia de Sexta-feira Santa da Morte e da Paixão do Senhor, que os antigos chamavam de “Sexta-feira Maior”, do convite que a Igreja nos faz ao silêncio e à oração, ajudando-nos a reflectir sobre a nossa verdadeira missão no mundo. Ao contrário do que muitos pensam, a Paixão não deve ser vivida em clima de luto, mas, sim, de profundos respeito e meditação diante da Morte do Senhor pois que, ao morrer, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Com a Sua Morte e Ressurreição, trouxe a salvação para toda a humanidade!

José Nunes

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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