12 de abril de 2020

Mais adiamentos

1- Caminhamos para a terceira prorrogação do Estado de Emergência, com termo marcado para o dia 1 de Maio de 2020, o que significa que a actividade produtiva vai estar reduzida para já, durante quarenta e cinco dias.
2- O Estado de Emergência é uma excepção, e como tal é finito e não pode tornar-se regra num Estado Democrático.  
3- Todos sabemos as causas que estiveram na origem, sentimos os efeitos nefastos que geraram, mas não podemos passar mais quinze dias a ouvir palpites e opiniões dos mais altos responsáveis políticos sobre medidas que depois de publicadas requerem logo alterações, porque são mal preparadas e fora do contexto que está criado, seguidas depois de comentários infindáveis, que geram descrédito junto das pessoas, que esperam e desesperam, para saberem com que contas podem contar.
4- O Primeiro-ministro António Costa advogou publicamente, que acredita que “seguramente vai surgir” uma nova vaga de Covid-19 no Inverno. Ficamos sem saber se se trata de uma advinha, ou de um facto com base científica, porquanto a previsão do Primeiro-ministro lança um grave alarme, com efeito nas pessoas que estão ao abrigo do Estado de Emergência, assim como na economia que está paralisada, e não pode morrer lentamente.
5- Se o vírus veio para ficar, então é altura dos responsáveis políticos encontrarem novas regras para que os cidadãos possam com ele coabitar, e regressar paulatinamente à “nova” normalidade. 
6- Foi preciso tomar medidas de segurança para evitar uma hecatombe, mas temos de olhar o futuro, e incutir responsabilidade nos cidadãos, quanto à forma futura de ser e estar na sociedade. “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros”, e não podemos ter uma sociedade de direitos e sem obrigações. Esta tem de ser uma das mudanças consequentes da pandemia.
7- Todos os eventos, fossem importantes ou não, foram anulados ou agendados para datas a considerar oportunamente. Até agora não tem havido referências a um evento que está previsto para Outubro, que são as Eleições Regionais.  
8- Se não estivéssemos a viver um tempo de Emergência, já estaríamos em tempo de pré-campanha eleitoral, mas não estamos, e depois deste período de desgaste, é preciso tempo para retemperar forças e dar espaço aos partidos políticos para apresentarem as suas propostas para os próximos quatro anos.
9- Assim sendo, as Eleições Regionais não poderão realizar-se em Outubro e é tempo dos partidos políticos juntarem-se para encontrarem um consenso sobre matéria tão importante para o futuro da Região e da sua Autonomia.
10-  Não se pode ir a eleições sem ter o eleitorado mobilizado, porque o pior que podia acontecer agora era juntar mais abstenção à abstenção que já temos. 
11- Trata-se de um problema sério que tem de ser seriamente trabalhado sem tatisismos políticos e pensando na consolidação da democracia e no futuro dos Açores.
12- As famílias, as instituições e os cidadãos em geral, devem juntar-se no sonho ancestral que atravessa gerações ao longo dos séculos e que foi transposto para a divisa dos Açores: “Antes morrer livres do que em paz sujeitos”. 
13- Este sonho só se concretiza com as pessoas, e dai a importância das eleições. Temos visto que, na hora da verdade, falha a solidariedade e voltamos a ser subalternos.  
             
            

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Categorias: Editorial

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