Ana Rita Pereira, Presidente da Associação de Karaté dos Açores

Covid-19 não coloca em causa a modalidade

Em face da situação vigente de saúde pública, ainda é possível encerrar a temporada desportiva 2019/2020, no que concerne à área de jurisdição da Associação de Karaté dos Açores?
Tendo em conta a especificidade e natureza da nossa modalidade, posso responder a esta questão de duas formas:
 - Em termos da vertente desportiva, e tendo em conta que já foram realizadas todas as fases regionais desta época desportiva, mas também as fases nacionais para os escalões de cadetes, juniores, sub21 e seniores, ficará apenas por concretizar a fase nacional dos escalões de formação, ainda prevista para 23 de maio.
No entanto, a Federação Nacional de Karaté - Portugal já fez saber que poderá adiar a realização do Campeonato Nacional de infantis, iniciados e juvenis, para os meses de junho ou julho.
A nível local (campeonatos de ilha) e em termos gerais (São Miguel, Terceira, Faial, São Jorge e Santa Maria), a Associação de Karaté dos Açores já fez até ao momento cerca de 80 a 90% das competições previstas no plano desportivo, pelo que, a não ser possível a realização das restantes provas, daremos por encerrada a época desportiva sem grandes desvantagens. 
- Em termos da vertente tradicional, que abrange o treino marcial e a preparação para os exames de graduação, penso que é possível terminá-la, até porque 80% dos karatecas açorianos se encontram neste momento a treinar nas suas casas (pátios, terraços, garagens, salas, ginásios particulares, etc.), com modelos e iniciativas desenvolvidas pelos clubes filiados na Associação de Karaté dos Açores.
Estamos a falar da disponibilização de planos de treino, vídeos, conferências e avaliações com recurso às tecnologias electrónicas e internet, com acompanhamento à distância dos treinadores.
Fazem-no conscientes das condições em que nos encontramos, procurando dar continuidade ao karaté, cumprindo o seu papel de cidadãos, na segurança dos respetivos lares.
Para esta Associação é importante, e viável, que esta época seja terminada mesmo que mais tarde, pelo que tudo faremos para que tal aconteça até finais do mês de Julho.

Em suma, o calendário regional da temporada desportiva 2019/2020 está concluído?
Sim. Como referi anteriormente, foram realizadas na região todas as provas regionais oficiais e que integram o calendário federativo, dando assim cumprimento aos apoios governamentais de âmbito regional para a época 2019/2020.
Aproveito ainda para referir que apenas as regiões dos Açores e da Madeira apuraram até à data todos os campeões regionais e demais competidores para a fase nacional, faltando ainda realizar no Continente as fases regionais do Norte, Centro Norte, Centro Sul e Sul dos escalões de formação. 
Admite como viável encerrar a temporada em curso, no que diz respeito aos quadros competitivos sob a égide da federação nacional da modalidade?
Para já, acho que não há necessidade disso... Estamos apenas a finalizar a primeira quinzena do mês de Abril e, como tal, ainda temos algum tempo. Tenho a certeza que a supraestrutura federativa está atenta ao desenrolar dos acontecimentos e, caso o país entre em estabilização e sejam novamente autorizadas as competições, irá tentar repor as provas em falta.
No entanto, existe sempre uma forte possibilidade de isto não vir a acontecer e, neste caso, ficaremos, felizmente, apenas com a referida fase nacional por cumprir.

Atendendo ao quadro actual, é provável que a época 2020/2021 possa sofrer alterações?
“A sofrer alterações e num quadro mais pessimista, será sempre de setembro a dezembro, ou seja, haverá um natural adiamento de toda a atividade competitiva, conforme a recuperação de Portugal ao vírus.
De qualquer forma, penso que, a partir de janeiro, é expectável e desejável que tudo se possa concretizar nos trâmites normais. De certo modo, julgo que a época será mais compacta, quase realizada massivamente de janeiro a julho, numa tentativa de recuperar, nesses seis meses, as provas em falta para que a modalidade não saia nunca prejudicad.

Sem apoios financeiros - como, por exemplo, o pagamento integral dos contratos-programa estabelecidos com o Governo Regional e o poder autárquico - pode estar em causa a prática da modalidade em alguns clubes locais?
Até à presente data, e pelo que tenho conhecimento, não houve quaisquer cortes aos clubes. Nas últimas semanas, clubes e associação receberam tranches e foram assinados diversos contratos-programa, com muita celeridade por parte da Direcção Regional do Desporto e dos respectivos Serviços de Desporto das várias ilhas.
É importante realçar que, para já e esperando manter-se assim, o karaté da região não se sente ameaçado em aspeto nenhum, pois, tendo terminado tudo aquilo a que se propôs em 2019/2020, a Covid-19 veio apenas demonstrar a garra dos nossos atletas e a vontade de fazer acontecer, mesmo quando as condições não sejam as ideais como é, por exemplo, o caso dos treinos”.

DI/CA
 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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