Nélia Barreira, coordenadora do futsal feminino do CD Santa Clara

“O sonho passa por ascender ao nível acima daquele que nos encontramos”

A nossa entrevistada, entre outras coisas, deixa alguns conselhos: “Aos clubes sugiro que continuem unidos em prol da modalidade, aos que ainda não têm esta modalidade que pensem em juntar-se a nós e apanhem este comboio que traz cada vez mais adeptos”.

Uma experiência de duas décadas na modalidade traz-lhe, certamente, uma visão mais abrangente da evolução e percurso percorrido até aqui. Quando iniciou a actividade imaginou um percurso semelhante ao que assistimos actualmente?
Sinceramente, quando iniciei a minha actividade não projectei no imediato o futuro. Fomos conquistando o nosso espaço, fazendo o que mais gostávamos, não posso esquecer que iniciamos as competições no INATEL, e para nós dirigentes e jogadoras foi um passo muito importante, afinal passou a existir uma organização competitiva. Com a passagem da competição para a tutela da Associação de Futebol, o sonho começa a ganhar forma, sabendo que o trabalho era duro, mas de possível concretização.
Actualmente, o sonho passa por ascender ao nível acima daquele que nos encontramos e sim, acredito que o CDSC o conseguirá, também sei que no actual quadro competitivo é um objectivo muito difícil de alcançar, mas para nós não há impossíveis. No entanto, espero que o modelo actual seja alterado, não com o intuito de alcançar esse objectivo, mas sim porque seria uma evolução na modalidade.

Acha que a criação da 2.ª Divisão de futsal feminino, que está a ser discutida, é um salto assim tão importante para o futsal feminino?
Tenho a certeza que sim, é um salto crucial. Estou convicta que a Federação Portuguesa de Futebol decidirá pelo melhor para a modalidade, e o melhor passa por esta alteração, que ganharia consistência a nível nacional, com frutos ao nível das competições internacionais a médio e longo prazo. Tanto assim é que os clubes campeões distritais se uniram reclamando esta mudança e têm o apoio das respectivas Associações. Esta é uma alteração pretendida há já algum tempo e esta pausa serve, também, para uma profunda reflexão, que esperemos dê origem a resultados práticos.
Na verdade, trará um nível competitivo bastante mais nivelado, consequentemente com uma evolução qualitativa no futsal feminino.

Os clubes, principalmente os das regiões autónomas, estão preparados para uma alteração desta natureza?
Se me perguntar se estão todos preparados, é claro que não, mas a maioria está. As equipas que se preparavam para disputar a Taça Nacional estão preparadas, certamente. No entanto, todos temos que nos adaptar às novas exigências, as reestruturações, normalmente, são difíceis no momento da sua implantação, mas trazem com elas muitos benefícios. Afinal são os desafios que comandam a nossa vida e quando os superamos sentimo-nos realizados e à procura de novos desafios, assim é no desporto e fora dele.

A paragem na competição, por motivos de saúde pública, prejudica os clubes, principalmente os que lutavam por títulos ou subidas. Acha que, no caso da Taça Nacional de futsal feminino, poderia ter sido encontrada uma solução em alternativa ao termo das competições nas modalidades amadoras?
Infelizmente o que se está a passar no mundo, com o surgimento deste novo vírus, não é bom para ninguém nem para nenhum sector, fomos obrigados a adaptar-nos a esta contingência e praticamente não tivemos tempo para pensar pois imponha-se agir. E assim foi para todos sem excepção. Podemos questionar-nos se as decisões poderiam ter sido outras, e sim poderiam, mas se seriam as melhores não sabemos. Aqui o importante é que os decisores estejam conscientes que fizeram o melhor que podiam e sabiam à data das ocorrências. Em relação à Taça Nacional, a decisão está tomada e muito haveria a discutir sobre este assunto, porém apenas realço o seguinte, que façamos deste momento menos bom uma oportunidade e, no caso concreto, mais importante do que disputar a Taça Nacional é, sem dúvida, alterar o quadro competitivo do futsal feminino já na próxima época, criando-se a segunda divisão nacional. Com esta medida ninguém sai prejudicado e o futsal sai vencedor.

Que mensagem pode deixar às atletas e aos clubes num momento de indefinição?
“Posso deixar uma mensagem de esperança no futuro próximo. O nosso percurso dá-nos provas que lutando conquistamos os nossos objectivos, com maior ou menor dificuldade. Aos clubes sugiro que continuem unidos em prol da modalidade, aos que ainda não têm esta modalidade que pensem em juntar-se a nós e apanhem este comboio que traz cada vez mais adeptos. Às atletas, sugiro que continuem a trabalhar incessantemente, pois está a ser criada uma estrutura para que realizem os vossos sonhos, que esta paragem não vos impeça de estar à altura dos acontecimentos que se vislumbram exigentes”. 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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