19 de abril de 2020

Agarrados às cercas!

1 - Tal como vinha sendo anunciado e era de esperar, foi pela terceira vez prorrogado o Estado de Emergência no país e nas Regiões Autónomas. Também como era de prever, o Governo da República anunciou que está trabalhando já no plano de  retoma e aponta áreas prioritários em que vai investir, com destaque para a ferrovia, embora na ânsia de aparecer diga e depois desdiga-se, gerando insegurança a quem desespera para a pouco e pouco, retornar à actividade do dia-a-dia.
2 - Tudo isso está dependente do comportamento da Covid-19, e da evolução que tiver nos próximos dias, mas começa a ver-se uma luz ao fundo do túnel, coisa que ainda não se vê nos Açores.
3 - Tentando compreender o que se passa na Região, vamos trabalhar com os números divulgados há dois dias, ou seja a 17 de Abril, quando estava detectado na Região um total de 106 casos, 14 recuperados, 5 óbitos e 87 casos positivos activos com novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença Covid-19. 
4 - Dos 87 casos activos, 60 estão em São Miguel, 5 na ilha Terceira, 4 na Graciosa, 4 em São Jorge, 9 no Pico e 5 no Faial. 
5 - Depois vêm 389 novos casos, na Região, dos quais 141, todos de São Miguel, obtiveram resultado negativo, e 1 caso positivo em São Miguel. 
6 - 247 aguardam colheita de amostra biológica e/ou resultados laboratoriais distribuídos da seguinte forma: 43 de Santa Maria, 54 de São Miguel, 96 da Terceira, 22 da Graciosa, 16 de São Jorge, 3 do Pico, 12 do Faial e 1 das Flores.
7 - Juntando os casos que aguardam resultados, aos casos activos, temos o seguinte: 43 casos em Santa Maria; 114 em São Miguel; 101 na Terceira; 26 na Graciosa; 20 em São Jorge; 12 no Pico; 17 no Faial; 1 nas Flores. 
8 - Isto é, somando os activos com os que aguardam resultados, temos um total de 334 casos, dos quais, 114 em São Miguel com 56% da população, 101 casos na Terceira com 23% da população, e o conjunto formado pelas ilhas de Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Pico Faial e Flores com 21% da população, por junto têm 119 casos.
9 - De acordo com os números actualizados pela AS, no dia 18, os casos infectados em São Miguel passam de 60 para 81, devido a 21 novos casos relacionados com o Lar do Nordeste.
10 - Este exercício levam-nos a questionar os rácios e as razões científicas em que assentou a decisão de renovar as cercas sanitárias a 56% da população dos Açores que tem no conjunto apresenta 114 casos, dos quais 81 activos e 43 a aguardarem resultados.
11 - As cadeias de transmissão estão devidamente identificadas, sendo certo que além do Hospital do Divino Espírito Santo, que mesmo sem a Covid-19, é um centro propenso a germinar infecções, temos os lares de acolhimento de idosos, que são autênticos rastilhos quando há contágio, como aconteceu agora em Nordeste. 
12 -  Este é o cenário que levou à prorrogação das cercas sanitárias em São Miguel, prorrogação que não mereceu a concordância dos municípios da ilha, como aconteceu há quinze dias atrás.
13 -  Por isso, o Presidente do Governo foi cauteloso ao invocar a audição, mas não a concordância dos Municípios, de São Miguel, salvo o de Nordeste, por estar confrontado com uma cadeia de transmissão localizada cuja dimensão ainda se desconhece.
14 - A Autoridade de Saúde, propôs a renovação das cercas, o que se percebe, mas no caso, devia o Governo ter antecedido a decisão, de uma auscultado alargada de peritos de saúde, com visões e opiniões diversas, em vez de se ter baseado apenas no parecer de quem está focado na gestão diária com o desgaste que ela representa.
15 - Não se pode ficar agarrado às cercas e espera-se que, no caso, a razão se sobreponha ao coração, e se comece a preparar medidas para conviver com o “inimigo” porque a dose do remédio pode, em termos sociais, ser depois pior do que a doença.

 

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Categorias: Editorial

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