26 de abril de 2020

Não se pode alimentar o medo

1 - Uma palavra sobre o 25 de Abril que assinalou ontem 46 anos da Revolução, e 45 anos sobre a realização das primeiras eleições livres em Portugal para a Assembleia Constituinte, que abriram caminho à implantação de uma democracia assente no modelo dos regimes democráticos da Europa Ocidental, à qual agora pertencemos. 
2 - Conquistou-se a pulso e com sacrifício a liberdade, um bem que nem todos dão valor, e outros confundem com libertinagem.
3 - Essa liberdade levou-nos a reclamar o reconhecimento das nossas diferenças e da nossa história como povo ilhéu, com direito, por isso, a nos auto-governarmos. 
4 - Reconhecendo como justo esse direito, os deputados constituintes eleitos há 45 anos nas primeiras eleições livres, e com enorme participação popular, votaram pela consagração da Autonomia Política e Administrativa na Constituição de 1976, abrindo um novo capítulo da História dos Açores. 
5 - Há quarenta e cinco anos, estávamos a festejar a vitória da liberdade e da democracia, contra os extremismos totalitários que apoiavam o regresso a uma ditadura do proletariado.
6 - Hoje estamos a procurar perceber como vai ser o nosso futuro, depois da invasão inusitada dum vírus, que baralhou tudo e todos, e nos coloca agora na busca de um Roteiro que salvaguarde em primeiro lugar a saúde, e permita um regresso faseado do funcionamento de uma sociedade que vai ter de mudar hábitos e comportamentos.
7 - O Governo da Região preparou um Roteiro contendo os critérios para uma saída segura da pandemia provocada pela Covid-19, e lança para tanto, uma auscultação pública sobre tais critérios, ouvindo os partidos políticos, o poder local, os parceiros sociais e outras entidades que possam contribuir para um Roteiro, que partindo do ponto em que nos encontramos, ponha a sociedade a retomar progressivamente o seu caminho.
8 - Não se pode alimentar o medo e o pessimismo porque ele já criou feridas, mesmo no âmbito da saúde pela relutância dos utentes se deslocarem aos hospitais, e às clínicas. Corre-se o risco das pessoas não se tratarem porque têm medo de ficar mais doentes.
9 - O Presidente do Governo fez bem em fazer uma auscultação alargada e participativa sobre uma proposta cautelosa quanto à forma como conduzir o futuro. 
10 - Seguir-se-á depois a Agenda para o Relançamento Social e Económico da Região Autónoma dos Açores, que terá de conter novas medidas de apoio para  que a economia possa comportar o ritmo lento da retoma.
11 - O Roteiro e a Agenda para o Relançamento Social e Económico são dois instrumentos que abrem as portas à esperança de que há futuro nos Açores  e que ele começa pelo reencontro entre os Açoreanos, olhando e apostando nos recursos das nossas Ilhas e criando um verdadeiro mercado regional que pode e deve crescer e aproveitando o que produzimos e ajustando os nossos hábitos de consumo. 
12 - Esperamos que as entidades consultadas para opinarem sobre os planos do Governo respondam como sendo o espelho da sociedade e formulem as suas propostas mediante o seu saber, sem esquecer o interesse da comunidade que todos nós compomos.

Américo Natalino Viveiros

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Categorias: Editorial

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