Ensino à distância

“Tudo se consegue quando a vontade é muita...!”

 A professora Ana Paula Marques é docente na Escola Secundárias Domingos Rebelo e entrou neste período de ensino á distância com 132 alunos em 6 turmas.
Explicou que, “devido à falta de professores fui convidada a aceitar mais uma turma de uma colega que se encontra de atestado médico de longa duração”. 
Para o arranque do ensino à distância, Ana Paula Marques teve que adquirir um microfone com câmara pois o seu computador não tinha.
“Todavia”, explica a professora, “a minha escola disponibilizou computadores aos professores que não tinham, pois no caso de famílias numerosas não existem computadores para todos. Registe-se que existem muitos trabalhadores em teletrabalho”.
O facto é que a professora Ana Paula Marques entendeu que “devia adquirir o equipamento embora a isso não estivesse obrigada e também porque senti as dificuldades e o trabalho que o nosso Conselho Executivo estava a ter para criar todas as condições em tempo recorde”.
Isto embora, “em abono da verdade, os professores sejam os únicos funcionários públicos que utilizam os seus computadores para o seu trabalho!”
Como sublinha, para que o ensino à distância atinja bons níveis de sucesso, “a necessidade de formação é imensa!”. Nesta perspectiva, a Escola Domingos Rebelo preparou uma acção de formação em ferramentas digitais que está a decorrer às Quartas-feiras. “Fizeram manuais e estão a ajudar no que podem”.

Formação ministrada
por colegas de informática

Ana Paula Marques salientou, a propósito, que a formação “é ministrada por colegas de informática. Tudo ou quase tudo é novo para mim. Estou a aprender a trabalhar no google classroom, google formulário e google calendário. Temos aulas síncronas e assíncronas. As video-conferências correm com as limitações que temos”, afirmou.
No caso, prosseguiu, “os alunos têm equipamento, mas mesmo assim a escola forneceu muitos computadores a quem precisava. As limitações prendem-se com o facto de alguns desses computadores não terem micro nem vídeo. Há alunos que acompanham com telemóvel. Tudo se consegue quando a vontade é muita!” 
No meu caso, disse, “tive algumas limitações na Direcção de turma pois 9 alunos não tinham computador. Passou uma semana e hoje já todos acompanham as aulas”.
De toda esta experiência inicial do ensino à distância, a Ana Paula Marques tira já algumas conclusões: “Na verdade”, afirma, “a Escola ainda tem que caminhar muito para a inclusão. É nestes tempos difíceis que constatamos as dificuldades! Horas de trabalho nem se fala!... São imensas..., mesmo assim tudo está a correr melhor do que pensava”.
“O desafio futuro consiste em avançar para um tablet por ciclo a cada aluno com acesso aos manuais digitais. E é só fazer as contas!”, alerta.
Sobre a avaliação dos alunos no ensino à distância, a docente afirma que quem deve dar a resposta é a Secretaria da Educação mas, refere, parece-me evidente que esta avaliação só poderá ser formativa. Mas é uma experiência válida. Ninguém estava preparado para esta situação de pandemia”.
“As crises também são momentos para reflectir e podem permitir novas oportunidades!”, concluiu.

                                  

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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