Sindicatos dos Professores da Região, PSD, CDS-PP e JSD alertam que nem todos os alunos têm computador para estar no sistema de ensino à distância

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) fez o balanço das últimas duas semanas de ensino a distância, tendo em conta as medidas implementadas pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, referindo que  neste terceiro período letivo e em que, na primeira semana, os docentes tiveram que conjugar os esforços de realização dos Conselhos de Turma com o arranque da lecionação de novos conteúdos e, simultaneamente, reconstituir a relação e unidade do grupo turma/turmas, esperava-se que a segunda semana pudesse decorrer com maior normalidade e se estabilizassem as relações de ensino aprendizagem, no atual contexto de ensino a distância. Contudo, o sindicato refere que quanto ao acesso de alunos a equipamentos para a realização do processo ensino aprendizagem a distância, foi possível perceber que o inquérito realizado aos alunos e famílias sobre os equipamentos disponíveis nos lares não permitiu um conhecimento objetivo das situações, uma vez que o inquérito não permitia saber quantos utilizadores existiam para o mesmo equipamento, nem se havia pais ou encarregados de educação em teletrabalho. No entanto, SPRA ressalta o esforço da tutela e de outras instituições para que a totalidade das famílias pudesse ter um equipamento em casa – apesar de esse objectivo não estar, à data, cumprido.
O SPRA também refere que na recolha de informação, por parte da tutela, relativamente aos equipamentos informáticos, não houve a preocupação de procurar saber se os docentes tinham as condições para o teletrabalho, tendo o inquérito referido sido dirigido apenas aos alunos e encarregados de educação.
Outro problema suscitado de forma transversal a todas as ilhas prende-se com o acesso às várias plataformas disponíveis e com as diretrizes contraditórias, sobre esta matéria, por parte da Direção Regional da Educação, nomeadamente, sobre a utilização da plataforma Teams. Neste âmbito, ficou também clara a incapacidade de equipamentos como tablets e smartphones acederem à plataforma SGE da DRE, bem como outras dificuldades de acesso à mesma plataforma por parte de docentes, encarregados de educação e alunos. É frequente verificar-se que os docentes não conseguem trabalhar no SGE, tornando-o ineficaz enquanto plataforma educativa, por não conseguir dar resposta aos pedidos de acesso e de utilização das suas funcionalidades.

Há recomendações partidárias
No âmbito das medidas actualmente em vigor na Educação, respeitantes à pandemia da Covid-19, o Grupo Parlamentar do CDS-PP nos Açores recomendou ao Governo Regional que axtue no sentido garantir o acesso de todos os professores e alunos aos recursos necessários ao ensino à distância.
Para o CDS-PP/Açores, é essencial garantir que todos os professores tenham acesso a um computador para uso educacional, promover o apoio económico à aquisição de computadores sob a forma de “Vale Tecnológico” por aluno, conceder o acesso gratuito à banda larga aos professores a leccionar por via de plataformas digitais, bem como a todas as famílias abrangidas pelo ensino à distância através de acordos com as operadoras de telecomunicações, e a criação de uma rede de apoio tecnológico à iliteracia digital de forma a permitir a implementação de apoio aos professores e alunos.
O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Artur Lima, afirmou ser “fundamental assegurar o cumprimento do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar, independentemente das condições económicas do agregado familiar do aluno”, sublinhando que as medidas propostas pelo CDS-PP vão de encontro às profundas alterações metodológicas que marcam o presente ano lectivo.
Já os deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial também garantiram que “há muitos alunos sem acesso ao ensino à distância na ilha”, questionando o governo regional “sobre as medidas, que consideramos urgentes, para fazer face à grande desigualdade que se verifica”.
Em requerimento enviado à ALRAA, Carlos Ferreira e Luís Garcia dizem ter recebido “imensos contactos por parte de pais e encarregados de educação, transmitindo várias dificuldades no que respeita ao acesso dos seus educandos ao ensino à distância”.
Segundo referem, “há falta de equipamento para assistir às aulas. No caso do ensino básico, existem no Faial várias dezenas de crianças com necessidades a esse nível, e que já perderam as aulas ministradas na semana de 20 a 24 de Abril”.
“Há ainda casos em que os pais têm computador, mas estão eles próprios em teletrabalho e a utilizar esse computador. E também famílias com computador, mas com dois ou mais filhos em percurso escolar diferente, pelo que só uma das crianças pode assistir, de cada vez, à sua aula”, relatam Carlos Ferreira e Luís Garcia.
Os social democratas dizem que “é urgente atender a estas circunstâncias para não aprofundar a desigualdade no acesso à educação”, salientando que “os docentes e toda a comunidade educativa de um modo geral estão a realizar um enorme esforço para colocar em prática a atual modalidade”.
Por seu turno, a JSD/Açores defendeu a criação de uma rede regional de apoio para professores, pais e alunos, “de forma a esclarecer dúvidas técnicas sobre o ensino à distância e assim minimizar as desigualdades do acesso à educação dos jovens açorianos”.
Segundo Flávio Soares, Presidente dos jovens social-democratas, citado em nota à imprensa, também à JSD-Açores tem chegado “relatos de professores e de estudantes que criticam o modelo adoptado pelo Governo Regional”, afirmando que “nem todos os alunos têm meios técnicos para poderem estudar à distância e ao contrário daquilo que o Secretário Regional da Educação tem vindo a referir, ainda existem muitos alunos sem esses meios técnicos”. 
O Presidente da Juventude Social-democrata frisou ainda que “a plataforma do Sistema de Gestão Escolar (SGE) do Governo não está devidamente operacional e que os professores desesperam quando precisam de a usar porque está sempre a ter bloqueios”.
Para garantir a continuidade do acesso à educação, o líder da estrutura da JSD/Açores pretende que seja disponibilizado um sistema de ajuda através da “criação de um contacto telefónico e de um correio eletrónico onde possam ser respondidas e resolvidas as dúvidas dos destinatários sobre o modelo de ensino em vigor”.        

N.C.
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima